Novo caso de suspeita de maus-tratos a bebê é investigado em Uberaba; entenda
Bebê deu entrada em hospital com fraturas nas costelas e no cotovelo e irmão tinha lesão no olho e acusou padrasto; Este é o segundo caso de violência em menos de uma semana
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga uma suspeita de maus-tratos e lesão corporal contra um bebê de 8 meses e o irmão dele, de 2 anos, em Uberaba.
O caso foi registrado na última quinta-feira (17), após profissionais de saúde constatarem múltiplas lesões e fraturas na criança mais nova. Este é o segundo caso de violência grave contra bebês registrado no município em menos de uma semana.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Bebê deu entrada com febre e exames revelaram fraturas
Segundo o boletim de ocorrência (B.O), a Polícia Militar foi acionada para comparecer ao Hospital Regional pela equipe médica da unidade. A mãe, de 19 anos, havia levado o filho de 8 meses ao hospital sob a justificativa de que o menino apresentava quadro febril.
Durante a avaliação clínica e a realização de exames complementares, o raio-X revelou que a criança tinha fraturas em ambos os lados das costelas. O exame físico também identificou um hematoma na região frontal da cabeça, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, peso abaixo esperado para a idade, ausência de sorriso social e dificuldade para rolar.
Além dos ferimentos recentes, o B.O informa que os registros hospitalares apontaram que, cerca de dois meses antes, o bebê já havia sofrido uma fratura no cotovelo. Naquela ocasião, a mãe só buscou atendimento médico no dia seguinte ao perceber a dor na criança.
Ao ser questionada sobre a fratura antiga, a genitora alegou primeiro que o pai poderia ter segurado o menino de forma inadequada e, depois, que o ferimento teria ocorrido durante um contato com outra criança de 9 anos.
Versões contraditórias e suspeitas no hospital
Diante das lesões, a equipe médica questionou a mãe sobre a origem dos machucados. Sobre o hematoma na cabeça, a mulher:
- Inicialmente afirmou a um profissional que a queda havia ocorrido cerca de cinco dias antes;
- Para outro funcionário, disse que o trauma teria acontecido há duas ou três semanas;
- Ao Serviço Social, ela declarou que o bebê caiu da cama no período da tarde, naquela mesma semana.
O boletim ainda relata que, devido à inconsistência das datas e ao hematoma na cabeça, os médicos solicitaram uma tomografia de crânio para investigar possíveis lesões intracranianas e mantiveram o bebê sob vigilância neurológica contínua.
Ao tentar explicar as fraturas nas costelas, a mãe teria alegado que elas poderiam ter sido causadas por manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) realizadas quando o filho nasceu. A equipe médica, no entanto, consultou o hospital de nascimento da criança e confirmou que não havia qualquer registro de parada cardiorrespiratória ou procedimento de RCP no período neonatal.
Diante da idade do bebê, de sua incapacidade de se locomover sozinho e da ausência de um mecanismo acidental plausível, a equipe médica concluiu haver elementos clínicos que justificam a investigação para possível trauma não acidental.
Irmão de 2 anos é localizado com lesão no olho e acusa o padrasto
Diante do cenário de risco, os policiais militares foram até a residência da família para verificar a situação do outro filho, de 2 anos. No local, a equipe encontrou o menino acompanhado do padrasto, de 19 anos.
Segundo o boletim, a equipe policial notou imediatamente uma lesão recente e visível na região do olho esquerdo da criança. Na presença do avô, os militares perguntaram ao menino o que havia acontecido. Usando linguagem infantil e gesticulando com a mão no próprio rosto para demonstrar um tapa, a criança teria afirmado: “Papai bateu”, referindo-se ao padrasto.
O menino e os demais envolvidos foram levados ao Hospital Regional. Na unidade de saúde, diante de testemunhas e profissionais da rede de proteção, a mãe teria feito uma pergunta direcionada ao filho, sugerindo uma causa acidental para o ferimento.
Mesmo com a indução, o garoto de 2 anos manteve a versão e afirmou novamente que havia sido agredido pelo padrasto, divergindo da versão da mãe, que sustentava que o machucado era fruto de uma queda.
A apuração policial revelou ainda que a criança de 2 anos já possui histórico de atendimento médico por trauma grave. Em 10 de julho de 2026, deu entrada no hospital com uma fratura na tíbia da perna esquerda, precisando ter o membro imobilizado por gesso.
Além disso, o Conselho Tutelar teria informado que, cerca de um mês antes, o bebê de 8 meses também já havia dado entrada em outra unidade de saúde com uma lesão no pé.
Crianças são entregues à avó e PCMG investiga sob sigilo
Diante do histórico de lesões repetidas em ambos os irmãos e do risco, o Conselho Tutelar determinou a aplicação imediata de medidas protetivas de urgência. As duas crianças foram retiradas do convívio do casal e entregues aos cuidados da avó materna.
O casal de 19 anos foi conduzido pela Polícia Militar à Delegacia de Plantão da Polícia Civil. Em nota encaminhada à reportagem, a PCMG informou que a prisão em flagrante do casal não foi ratificada no plantão.
O caso foi encaminhado para a Delegacia de Orientação e Proteção à Família (DOPF), que instaurou inquérito para apurar, em tese, os crimes de maus-tratos e lesão corporal. O procedimento tramita sob sigilo e a Polícia Civil ressaltou que não divulga detalhes sobre o estado de saúde das vítimas.
Segundo caso de violência contra bebês em menos de uma semana em Uberaba
A nova investigação soma-se a outro episódio registrado recentemente na cidade. No último domingo (13), uma bebê de apenas 1 ano deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Uberaba em estado gravíssimo, apresentando falha respiratória e diversas marcas de violência pelo corpo.
Naquela ocasião, a mãe da criança e o companheiro dela levaram a bebê à UPA por volta de 1h da manhã, alegando inicialmente que a menina havia se engasgado ao tomar leite. No entanto, a equipe médica identificou hematomas na cabeça, no tórax, no abdômen, nas costas e nos pés, além de uma queimadura no peito.

A bebê sofreu paradas cardiorrespiratórias, precisou ser intubada e reanimada, e foi transferida para o Hospital de Clínicas. Durante o atendimento da ocorrência, os responsáveis mudaram a versão, afirmando que a menina teria caído do berço.
A Polícia Militar foi até a casa da família e constatou que a estrutura do móvel era incompatível com a hipótese de queda apresentada. Além disso, o padrasto chegou a se ausentar da UPA durante o atendimento.
Quando abordado posteriormente pelos policiais, alegou ter ido em casa apenas para trocar de roupa, mas a PM encontrou no veículo usado por ele uma mochila com fraldas e roupas da bebê.
A mãe e o padrasto foram presos e conduzidos à Polícia Civil por suspeita de maus-tratos e lesão corporal grave, enquanto a bebê de 1 ano permaneceu internada sob cuidados intensivos na UTI neonatal.
Para acompanhar atualiações do caso e outras notícias do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, acesse o portal Paranaíba Mais.