Mortes em ações policiais sobem mais de 45% em Minas e acendem alerta

Segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Minas Gerais registrou 200 mortes em ações com agentes públicos em 2024

, em Uberlândia

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Minas Gerais registrou um aumento de 45,5% nas mortes em ações policiais no ano de 2024. O dado, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 200 pessoas morreram no estado em ações envolvendo agentes públicos, um salto em relação aos 137 óbitos registrados em 2023.

Minas Gerais tem aumento de 45,5% em mortes em ações policiais
Minas Gerais tem aumento de 45,5% em mortes em ações policiais – Crédito: Freepik/Reprodução

O número chama a atenção por ir na contramão da tendência nacional, que apresentou queda de 3,1% nesse tipo de ocorrência.

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Estado antes tido como menos letal, agora em destaque

Historicamente, Minas Gerais era apontado como um dos estados com menor letalidade policial. No entanto, o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) alerta que esse aumento recente pode refletir o uso ilegítimo da força.

“Especialmente quando acompanhados da normalização de operações policiais que sistematicamente resultam na morte de civis, somadas a discursos ideológicos que exaltam a letalidade como sinônimo de eficiência”, diz o relatório.

Minas lidera crescimento ao lado de outros estados

Minas Gerais está entre os estados com maior crescimento percentual na letalidade policial. O aumento foi de 45,5%, atrás apenas do Piauí e de Alagoas e à frente do Ceará (33,3%), Bahia (22,2%) e São Paulo (10,3%). Em São Paulo, inclusive, a alta de 60,9% nas mortes por intervenção também foi destacada como preocupante.

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Perfil das vítimas e dos agentes também revela disparidades

Segundo o relatório, as mortes em decorrência de intervenções policiais, os negros representam 82% das vítimas e brancos somam apenas 17,6%. Ainda conforme o anuário, homens, jovens, negros e moradores das periferias continuam sendo os mais atingidos.

O Anuário também traça o perfil dos policiais mortos em serviço ou fora dele. A média nacional de vitimização policial foi de 0,3 por mil agentes da ativa, com ampla predominância de vítimas do sexo masculino (98,4%). Isso reflete a composição das corporações, que têm 84,3% de homens e 15,7% de mulheres entre seus efetivos.

Minas Gerais aparece como o terceiro estado com maior número de policiais militares da ativa, com 36.362 agentes, atrás apenas de São Paulo (80.037) e Rio de Janeiro (43.362).