Minas teve uma morte no campo e 35 casos de trabalho escravo rural em 2025
Relatório aponta aumento da violência no campo no Brasil e contabiliza quase 4 mil trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão em Minas Gerais na última década
Minas Gerais registrou um assassinato e duas tentativas de homicídio relacionadas a conflitos no campo em 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), durante o lançamento da 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil. O estado também contabilizou 35 casos de trabalho escravo rural no período, com 311 trabalhadores envolvidos nas denúncias.

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Os números colocam Minas entre os estados com registros de violência agrária e exploração de trabalhadores no campo. Em comparação com 2024, quando foram registrados 37 casos de trabalho escravo rural e 480 trabalhadores nas denúncias, houve redução no número de ocorrências e de vítimas ligadas às denúncias no estado.
O levantamento também mostra que Minas Gerais acumulou, nos últimos dez anos, 388 ocorrências de trabalho escravo rural e 3.987 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão.
Em nível nacional, o relatório aponta aumento da violência no campo, mesmo com a queda geral de conflitos. Segundo a CPT, o número total de ocorrências caiu 28%, passando de 2.207 registros em 2024 para 1.593 em 2025. Apesar disso, os assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e outros povos ligados à terra dobraram no período, saltando de 13 para 26 vítimas.
A maior parte dos assassinatos ocorreu na Amazônia Legal, com registros no Pará, Rondônia e Amazonas. Para a integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, Larissa Rodrigues, os dados refletem o avanço de disputas territoriais e da atuação conjunta entre grilagem, crime organizado e setores ligados ao poder econômico sobre áreas públicas e protegidas.
O relatório também aponta crescimento em outros tipos de violência no campo. Os casos de prisão passaram de 71 para 111 registros. Já as ocorrências de humilhação saltaram de cinco para 142, enquanto os casos de cárcere privado passaram de um para 105.
Segundo a CPT, os conflitos por terra representam a maior parte das ocorrências registradas no país, com 75% dos casos. Povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem-terra aparecem entre os grupos mais atingidos.
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O levantamento ainda identificou aumento nos casos de trabalho escravo no Brasil. Foram 159 ocorrências em 2025, alta de 5% em relação ao ano anterior. O número de trabalhadores resgatados cresceu 23%, chegando a 1.991 pessoas.
Entre os principais casos citados pela CPT está o resgate de 586 trabalhadores em uma obra de construção de usina em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso. Segundo o relatório, os funcionários eram submetidos a alojamentos precários, superlotação e falta de água e energia.
As atividades econômicas com maior número de trabalhadores resgatados foram construção de usinas, lavouras, produção de cana-de-açúcar, mineração e pecuária.
Durante o lançamento do relatório, a CPT também apresentou o Observatório Socioambiental, plataforma desenvolvida em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A ferramenta reúne dados sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial no país entre 1980 e 2023.