Minas Gerais é o 2º estado com mais feminicídios do país; veja ranking das cidades
Levantamento nacional aponta recorde histórico de crimes de feminicídio no país, alta nas ocorrências mineiras e cenário da violência contra a mulher em Uberlândia
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Minas Gerais contabilizou 177 vítimas de feminicídio consumado ao longo de 2025, número que coloca o estado na segunda posição do ranking nacional em registros absolutos. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), que revelou um recorde histórico para esse tipo de crime no país: foram 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4,4% em relação ao ano anterior.

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Escalada da violência contra a mulher em Minas
Além do aumento dos feminicídios, o Anuário aponta crescimento em diversos indicadores relacionados à violência contra a mulher em Minas Gerais.
O número de feminicídios consumados passou de 169 em 2024 para 177 em 2025, um avanço de 4,7%.
Também cresceram os registros de:
- 85.993 ameaças contra mulheres (+4,8%);
- 6.533 casos de perseguição (stalking) (+22,6%);
- 3.994 ocorrências de violência psicológica (+32,9%);
- 12.403 descumprimentos de medidas protetivas, aumento de 10,2%.
Segundo especialistas, esses indicadores demonstram a escalada da violência doméstica antes dos casos mais graves.
O perfil dos autores reforça essa realidade. Em nível nacional, 96,4% dos feminicídios com autoria identificada foram praticados por homens. Em 60,9% dos casos, o autor era companheiro da vítima; em 18,9%, ex-companheiro.
Relembre casos:
Homem suspeito de simular acidente após feminicídio se torna réu
Feminicídio em Patos de Minas: mulher é morta a facadas na frente da família em confraternização
Jovem é encontrada morta em Frutal; namorado é suspeito de ter cometido o crime
Ranking mostra as cidades mineiras com mais vítimas
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, no primeiro semestre de 2025, Minas Gerais registrou 173 vítimas de violência com qualificação de feminicídio, sendo 78 casos consumados e 95 tentativas.
Já no consolidado de todo o ano de 2025, Belo Horizonte liderou o ranking estadual de vítimas de feminicídio, seguida por Contagem e Betim.
Ranking estadual de vítimas de feminicídio em 2025:
- Belo Horizonte: 49 vítimas (18 consumados e 31 tentados);
- Contagem: 16 vítimas (3 consumados e 13 tentados);
- Betim: 11 vítimas (5 consumados e 6 tentados);
- Divinópolis: 9 vítimas (4 consumados e 5 tentados);
- Uberlândia: 9 vítimas (2 consumados e 7 tentados);
- Uberaba: 9 vítimas (6 consumados e 3 tentados);
- Governador Valadares: 8 vítimas (3 consumados e 5 tentados);
- Pouso Alegre: 8 vítimas (4 consumados e 4 tentados);
- Ribeirão das Neves: 8 vítimas (4 consumados e 4 tentados).
Uberlândia aparece entre as cidades com mais registros do estado
No âmbito municipal, dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que Uberlândia registrou nove vítimas de feminicídio ao longo de 2025, divididas entre duas ocorrências consumadas e sete tentativas. O volume colocou o município entre as cidades com maior número de vítimas do estado.
Um recorte temporal dos dados de Uberlândia em 2025 revela uma particularidade: entre janeiro e junho, o município não contabilizou nenhuma ocorrência de feminicídio. O cenário mudou no segundo semestre, período em que se concentraram todos os nove casos registrados no ano.
O histórico recente do município aponta oscilações nos registros de violência extrema:
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2021: 11 casos (2 consumados, 9 tentados)
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2022: 9 casos (2 consumados, 7 tentados)
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2023: 13 casos (4 consumados, 9 tentados)
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2024: 20 casos (10 consumados, 10 tentados)
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2025: 9 casos (2 consumados, 7 tentados)
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2026 (Parcial até junho): 7 casos (1 consumado, 6 tentados)
Embora tenha encerrado 2025 com nove vítimas de feminicídio, Uberlândia apresenta um cenário diferente neste ano.
Segundo a Sejusp, até junho de 2026, o município já registrava sete vítimas, sendo um feminicídio consumado e seis tentativas.
O número representa quase 78% de todas as ocorrências registradas durante 2025, quando a cidade contabilizou nove vítimas.
O avanço dos registros nos primeiros seis meses de 2026 acende um alerta para a evolução da violência contra a mulher no município, já que o volume de casos está próximo de igualar todo o balanço contabilizado no ano anterior.
Canais de denúncia e apoio à mulher
Casos de violência doméstica, ameaça ou descumprimento de medidas protetivas podem ser denunciados e encaminhados por meio de canais oficiais de atendimento em Minas Gerais.
Entre as principais alternativas para buscar auxílio estão o Ligue 180, que funciona como a Central de Atendimento à Mulher de forma nacional, gratuita e anônima, e o 190 da Polícia Militar, recomendado para emergências e situações em andamento.
Além disso, as vítimas contam com o suporte das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), que oferecem canais físicos de atendimento regional ou por meio das delegacias plantonistas distribuídas nos municípios.
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