Jovem é apontado como foragido, e defesa contesta prisão em Frutal
Investigado de 19 anos é considerado foragido, segundo a Polícia Civil; advogados afirmam que tentaram agendar oitiva e já ingressaram com habeas corpus
A defesa do jovem de 19 anos investigado por um homicídio registrado em Frutal, no Triângulo Mineiro, afirmou nesta quinta-feira (9) que ainda não teve acesso à íntegra da decisão judicial que decretou a prisão temporária do suspeito.
Em nota, os advogados sustentam que a única informação disponível até o momento é a divulgação feita pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que classifica o investigado como foragido.
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Segundo a defesa, a ausência de acesso ao decreto prisional impede a análise técnica dos fundamentos que embasaram a medida. Os advogados também informaram que já ingressaram com um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça e que aguardam novo contato direto com o cliente para definir um posicionamento mais detalhado sobre o caso.
A Polícia Civil, por sua vez, confirmou que o jovem é suspeito de matar um homem de 31 anos no dia 31 de março, no bairro Novo Horizonte.
De acordo com a corporação, o investigado não compareceu à oitiva agendada para o dia 6 de abril e, por isso, passou a ser considerado foragido após a decretação da prisão em Frutal.
Ainda conforme a PCMG, as investigações estão em estágio avançado e apontam a possível participação de outras duas pessoas no crime, cuja atuação ainda está sendo apurada. Diligências seguem em andamento, incluindo oitivas de testemunhas e conclusão de laudos periciais.
A defesa contesta a narrativa de omissão e afirma que, desde o dia 1º de abril, adotou medidas para viabilizar a apresentação do investigado às autoridades. Os advogados classificam como “estranha” a avaliação de que a eventual apresentação seria tardia e reforçam que mantiveram postura de colaboração com a investigação.
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No posicionamento público, a defesa também afirma que o caso envolve “circunstâncias complexas” e nega que o crime tenha sido motivado por vingança, indicando que outros elementos ainda serão apresentados no curso do processo. Os advogados destacam, ainda, que providenciaram acompanhamento psicológico ao investigado como condição para sua apresentação.
Prisão em Frutal
O caso ganhou repercussão após a linha investigativa apontar que a vítima teria sido responsável, no passado, pela morte da mãe do jovem, crime ocorrido há cerca de dez anos e já julgado pelo Poder Judiciário. A Polícia Civil ressalta, no entanto, que eventuais motivações não justificam a prática de justiça pelas próprias mãos.
As autoridades seguem com as investigações, enquanto a defesa afirma que novas informações serão divulgadas após acesso aos autos e contato com o investigado.
Como foi a execução de Rafael Garcia?
Na manhã de terça-feira (31), Rafael Garcia se encontrava em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Carlos Alberto Vieira, no bairro Vila Esperança, em Frutal. Ele estava em uma motoneta Honda Biz aguardando sua atual companheira ser atendida na unidade de saúde, quando um rapaz se aproximou a pé, vindo por traz e atirou nele.
Imagens de câmera de monitoramento mostram o momento em que o suspeito efetua cinco disparos em direção ao rosto e pescoço de Rafael. Após os disparos, o suspeito fugiu em uma motocicleta que o aguardava com outra pessoa a poucos metros do local. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado, mas ao chegar à cena, Rafael não apresentava sinais vitais.
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Em 2016, Rafael matou a então companheira, que tinha 28 anos, motivado por cíumes, conforme os relatos da época. O crime ocorreu durante as festividades da cavalgada de abertura da ExpoFrutal. Durante um churrasco entre amigos, o homem perseguiu a mulher após ela se ausentar do local para levar o filho de 8 anos até a casa da madrinha.
Ele a encontrou saindo de um bar na região e, ao retornarem ao churrasco, o agressor passou a questionar a demora da mulher. Segundo registros da época, enquanto a mulher estava sentada, Rafael deu 20 facadas nela. Pessoas que estavam próximas tentaram intervir, mas não conseguiram impedir o ataque e prestar qualquer socorro à vítima. A mulher morreu no local, por hemorragia interna aguda.

Uma prima do agressor relatou, na época, que o filho da mulher testemunhou todo o crime e que teria jurado a morte do executor de sua mãe ainda na infância.
Condenado inicialmente a 22 anos de prisão, Rafael teve o julgamento anulado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por falhas técnicas na tipificação do crime. Beneficiado pela falta de vagas no sistema prisional, ele recebeu o direito à prisão domiciliar em janeiro de 2026, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.