Irmão da Eloá: IA revela plano de ataque contra tenente

Câmeras flagraram carro usado no crime 96 vezes perto da casa e da academia do policial; irmão da Eloá segue internado em estado grave em São Caetano do Sul

, em Uberlandia

O irmão da Eloá Pimentel, tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, foi vigiado por meses antes de ser baleado, revela uma investigação apoiada por inteligência artificial. O cruzamento de imagens de câmeras de segurança identificou que o carro usado pelos criminosos passou 96 vezes por locais frequentados pelo oficial, entre eles a academia e a rua onde mora, antes dos disparos que o deixaram em estado grave.

irmão da Eloá
Segundo as investigações, os criminosos passaram quatro meses mapeando os passos do irmão do Eloá – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

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Como a IA identificou o padrão de perseguição

Depois que o tenente foi baleado, investigadores reuniram semanas de gravações de câmeras espalhadas pela região de São Caetano do Sul. Em vez de revisar manualmente cada trecho, o material foi processado por ferramentas de reconhecimento automatizado, capazes de rastrear a movimentação de um mesmo automóvel em diferentes câmeras ao longo do tempo.

O resultado apontou um padrão repetido de aproximações do carro em dois endereços centrais na rotina da vítima: a academia onde ele treinava e as imediações de sua residência. Essa reincidência, segundo a análise policial, indica planejamento e monitoramento prévio, e não uma ação improvisada.

O ataque contra o irmão da Eloá

De acordo com a polícia, os criminosos passaram cerca de quatro meses mapeando a rotina do irmão da Eloá antes de agir. Só na rua onde o ataque aconteceu, o carro usado pela dupla foi flagrado por câmeras 14 vezes, número que se soma às 96 passagens identificadas nas proximidades da casa e da academia do tenente. O mesmo veículo, segundo as imagens, também foi visto se afastando do local logo depois dos disparos.

Ronickson tinha acabado de sair da academia na manhã de sábado (27) quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram os disparos contra ele na avenida Goiás, via de grande movimento em São Caetano do Sul. Populares que passavam pelo local relataram ter ouvido cerca de nove tiros antes da fuga da dupla.

O policial foi socorrido ainda no local pelo Samu e removido de helicóptero até uma unidade hospitalar da Grande São Paulo. Ele segue internado em coma induzido, sedado e sob ventilação mecânica, com quadro de saúde classificado como gravíssimo, embora um boletim médico mais recente aponte melhora no edema cerebral.

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Suspeito é morto durante as investigações

Nos dias seguintes ao crime, a polícia avançou sobre uma rede de apoio que teria dado suporte logístico ao ataque. Um dos suspeitos ligados a essa retaguarda morreu após trocar tiros com agentes durante uma abordagem; ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Outros dois homens, de 40 e 52 anos, foram detidos em um bairro da zona leste da capital paulista e encaminhados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. Segundo a corporação, a dupla teria acompanhado a motocicleta usada no crime antes e depois dos disparos, oferecendo apoio de transporte à ação.

O carro apontado pelo cruzamento de imagens da inteligência artificial foi localizado coberto em um estacionamento e agora passa por nova perícia, na expectativa de que traga elementos sobre a identidade do atirador, que continua foragido e teria passagem recente pelo sistema prisional.

Investigação aponta ligação com facção

Para os investigadores, a tentativa de assassinato contra o irmão da Eloá não foi um crime de oportunidade. Um dos responsáveis pela apuração afirmou que já foram reunidos elementos que comprovam a premeditação do ataque, com ao menos cinco suspeitos mapeados até o momento.

Parte desse grupo teria ligação com a maior organização criminosa do país, embora a corporação ainda não tenha esclarecido publicamente qual seria a motivação por trás da tentativa de execução nem o grau de envolvimento de cada um dos suspeitos com a facção.

O peso do sobrenome Pimentel

O ataque devolveu à memória coletiva um dos episódios mais dramáticos já registrados no país. Em outubro de 2008, a então adolescente Eloá Pimentel foi mantida refém por mais de cem horas dentro do próprio apartamento, em Santo André, por um ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento.

O caso mobilizou forças policiais por cinco dias seguidos e teve cobertura ininterrupta da imprensa até o desfecho trágico: o sequestrador atirou contra Eloá e contra a amiga que também estava no cativeiro momentos antes de ser rendido. Eloá não resistiu aos ferimentos e teve a morte cerebral confirmada no dia seguinte ao resgate.

O autor do sequestro foi condenado a quase 99 anos de prisão, pena posteriormente reduzida para pouco mais de 39 anos, e permanece detido em uma penitenciária do interior paulista. Quase duas décadas depois, é o irmão mais velho de Eloá quem volta a ocupar as manchetes, agora como alvo de um crime que a tecnologia ajuda a decifrar.