Incêndios elétricos em casas crescem 32% e mortes triplicam em Minas

Em cinco anos, registros de fogo por curto-circuito saltaram 102% no Brasil; ambiente doméstico têm quase 90% das mortes por falhas elétricas

, em Uberlândia

Segundo levantamento do Anuário Estatístico da Abracopel 2026, apenas em 2025, foram registrados 148 incêndios elétricos em residências mineiras, o que representa uma alta de 32% em relação a 2024, quando houve 112 ocorrências. O número de mortes no estado também subiu, indo de uma para três no período.

No país, os casos dessa origem cresceram 102% nos últimos cinco anos, saltando de 606 ocorrências para 1.304 em 2025. Os dados ainda revelam que as mortes decorrentes desses incidentes aumentaram 28%, passando de 47 para 60 vítimas fatais no mesmo período. O estudo aponta que o ambiente doméstico é o principal local dessas tragédias, concentrando 51 das 60 mortes.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Instalações inadequadas são as causas mais recorrentes em incêndios elétricos

Os dados detalham que as instalações elétricas inadequadas são a maior causa de incêndios, com 706 casos e 33 óbitos em 2025. No ranking de aparelhos que mais causam incidentes aparecem:

  • Ar-condicionado e ventiladores: 166 casos e 14 óbitos.
  • Eletrodomésticos e eletrônicos: 113 ocorrências e três mortes.
  • Tomadas: 20 registros e duas mortes.
  • Carregadores de celular: 19 incidentes e cinco mortes.

Em fevereiro deste ano, uma família de Uberlândia perdeu tudo após um incêndio causado por curto-circuito na rede elétrica. O caso aconteceu no bairro Residencial Integração, na zona leste de Uberlândia. 

Família perdeu todos os bens durante incêndio que começou após curto-circuito da rede elétrica
Família perdeu todos os bens durante incêndio que começou após curto-circuito da rede elétrica – Crédito: BBM/Reprodução

As chamas atingiram uma casa localizada em um imóvel do tipo colônia, com três residências no mesmo lote. O foco do fogo estava concentrado na casa dos fundos, composta por três cômodos.

Em outro caso, em março, um filtro de água que entrou em curto-circuito também provocou um incêndio em um apartamento na rua Gaia, no bairro Granja Marileusa, em Uberlândia.

Curto em filtro de água causa incêndio
Incêndio não deixou vítimas, mas causou danos materiais no apartamento e a evacuação de parte do prédio devido à fumaça – Crédito: CBMMG/Divulgação

A dona do apartamento contou que não estava no local no momento do incêndio, apenas o seu cachorro. Os vizinhos perceberam a fumaça e, após contato com a moradora, arrombaram a porta, entraram na residência e salvaram o animal.

Cemig faz alerta para evitar casos de incêndios elétricos

A prática de utilizar benjamins (“Ts”) e extensões para ligar vários aparelhos simultaneamente é um dos principais riscos apontados pela Cemig. Essa prática pode provocar sobrecarga de energia e resultar em superaquecimento e curtos-circuitos.

×

Leia Mais

O perigo aumenta quando adaptadores são usados em equipamentos de alta potência, como fritadeiras elétricas e ferros de passar, que exigem uma capacidade elétrica superior à suportada por muitas instalações.

Para garantir a segurança, a Cemig recomenda a instalação do Interruptor Diferencial Residual (IDR), equipamento que desliga a energia automaticamente ao detectar falhas. Embora obrigatório por norma desde 1997 em locais como cozinhas e banheiros, apenas 47% das casas brasileiras possuem o dispositivo.

O gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, orienta ainda que aparelhos como chuveiros, micro-ondas e ar-condicionado tenham circuitos exclusivos.