Grupo da construção civil é alvo de sonegação milionária em Minas

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Belo Horizonte e outras três cidades; grupo usava 19 empresas interligadas para ocultar patrimônio e lavar dinheiro

, em Uberlândia

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Um grupo empresarial do setor da construção civil e locação industrial em Minas Gerais foi alvo de uma operação na manhã desta terça-feira (28), que identificou um esquema milionário de sonegação de impostos. Ao todo, 19 empresas eram envolvidas na lavagem de mais de R$ 26 milhões retidos pelo grupo, que não eram repassados aos cofres públicos.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Pedro Leopoldo (2 mandados), Belo Horizonte (4 mandados), Lagoa Santa (1 mandado) e Rio Acima (1 mandado). Entre os endereços que foram alvos da operação, sete foram em sedes ligadas ao grupo investigado e um na residência do principal responsável pelo grupo.

galpão de construção de grupo alvo de sonegação milionária em minas gerais
Grupo de construção alvo de sonegação milionária lavava dinheiro por uma rede envolvendo outras 19 empresas – Crédito: MPMG/Reprodução

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Entenda como era o esquema de sonegação milionária de tradicional empresa de construção mineira

Segundo as investigações da Coordenadoria de Defesa da Ordem Econômica (CAOET), o grupo agia desde 2020 como um “devedor contumaz”. O esquema de sonegação milionária funcionava da seguinte forma:

  • As empresas vendiam produtos (como pré-moldados) e serviços de locação industrial.
  • O valor do ICMS era embutido no preço e pago normalmente pelos consumidores finais.
  • No entanto, o grupo retinha esse valor, em vez de repassá-lo aos cofres públicos de Minas Gerais.
  • Os recursos desviados eram lavados através de uma rede de 19 pessoas jurídicas, incluindo empresas de fachada e holdings patrimoniais, para dificultar a fiscalização e a recuperação do dinheiro pelo Estado.
galpão de construção de grupo alvo de sonegação milionária em minas gerais
Grupo praticava sonegação e lavagem desde 2020 – Crédito: MPMG/Reprodução

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Entre os oito mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens nos municípios de Belo Horizonte, Pedro Leopoldo, Lagoa Santa e Rio Acima, a operação teve como alvo galpões industriais, escritórios corporativos e residências de empresários. Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos e dispositivos eletrônicos. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-MG) também obteve o bloqueio de ativos dos investigados.

Concorrência desleal

Além do prejuízo direto aos serviços públicos (saúde, educação e segurança), a Receita Estadual destaca que o esquema de sonegação milionária gerava uma concorrência desleal. Ao operar com carga tributária próxima de zero, o grupo conseguia preços que as empresas cumpridoras da lei não podiam oferecer, distorcendo o mercado da construção civil na região metropolitana.

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A operação mobilizou uma grande estrutura institucional, composta por:

3 promotores de Justiça e 10 servidores do MPMG;

39 auditores da Receita Estadual;

31 policiais militares e 9 policiais civis.

Os envolvidos podem responder por crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita tributária e lavagem de capitais.