Morte de Daiane: filho de síndico teria tentado destruir provas e planejado fuga

Maykon Douglas foi preso por ajudar a ocultar provas; investigação aponta que Cléber Rosa de Oliveiral levou menos de 8 minutos para retirar Daiane Alves do local

, em Uberlândia

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O mistério da morte de Daiane Alves começa a ser desvendado. A Polícia Civil de Goiás detalhou, em coletiva nesta quarta-feira (28), a dinâmica do assassinato da corretora uberlandense. Segundo a investigação, o síndico Cléber Rosa de Oliveira, que é natural de Araxá (MG), executou o crime e retirou o corpo do condomínio em um intervalo de apenas oito minutos. Ele teria agido entre o último registro de Daiane no elevador, às 19h, e a passagem de outra moradora pelo local, às 19h08. Segundo a força-tarefa, o filho do acusado, Maykon Douglas, foi preso por obstrução de justiça após comprar um celular novo para o pai na tentativa de destruir evidências e preparar malas para uma suposta fuga.

morte de Daiane
o síndico Cléber Rosa de Oliveira e o filho dele Maykon Douglas de Oliveira foram presos na manhã desta quarta-feira (28) – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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Cronômetro da morte de Daiane: 8 minutos

Embora o foco de Maykon Douglas tenha sido a ocultação de rastros, a perícia técnica conseguiu reconstruir os passos do pai dele, o síndico dentro do condomínio. O crime e a retirada do corpo foram realizados em um intervalo de apenas oito minutos, apontam os registros das câmeras que foram adulterados.

Durante a coletiva da PCGO, na manhã desta quarta para desvendar parte do mistério sobre a corretora desaparecida, foi revelada novas informações sobre os últimos registros da uberlandense ainda viva.  Daiane entra no elevador, cerca de 30 segundos após às 19h. Depois há o registro da entrada de uma vizinha no subsolo às 19h08, e que já não encontrou qualquer movimentação. Para os investigadores, essa rapidez só foi possível porque Cléber Rosa detinha as chaves, o controle das câmeras e o mapeamento dos “pontos cegos” do prédio.

Premeditação ou impulso?

A linha de investigação citada que levou à confissão do síndico aponta que ele desligou o padrão de energia do apartamento de Daiane. Ao ficar no escuro, a corretora desceu para verificar o disjuntor, momento em que foi interceptada pelo agressor.

De acordo com a Polícia Civil, essa era uma prática recorrente de Cléber Rosa para punir desafetos que tinha com a moradora. “Ele tinha os meios e o modo de agir”, destacou o delegado André Barbosa, reforçando que o síndico já teria difamado a vítima para outros moradores antes do crime.

O cerco policial também se estende aos funcionários. O porteiro do prédio foi levado para depor na manhã de hoje (28), após divergências em relatos. A polícia investiga se houve facilitação no momento em que Cléber saiu com o corpo na caminhonete. “Ninguém estranho entrou no prédio naquele dia. O fluxo era apenas de moradores, o que isola o síndico como autor”, destacou o delegado.

Segundo ainda relatos preliminares, Cléber Rosa afirmou à polícia que teria agido por impulso durante a discussão que ocorreu no subsolo e não de forma premeditada. O advogado do síndico, Luiz Fernando Izidoro Monteiro, afirmou ter ficado surpreso e que até então, não havia nada concreto contra o cliente.

Apesar da confissão sobre a autoria, Cléber Rosa se recusou a dar detalhes à polícia sobre a dinâmica da morte, se houve uso de arma, faca ou agressão física, mantendo o direito de permanecer calado sobre o ato final que decretou a morte de Daiane.

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Rastro da caminhonete revela detalhes sobre a morte de Daiane

Outra prova técnica apresentada na coletiva foi o monitoramento do veículo. Imagens obtidas pela equipe de investigação mostram a caminhonete do síndico saindo do prédio com a capota fechada e retornando, cerca de 40 minutos depois, com o compartimento aberto. O intervalo de tempo foi compatível para o deslocamento até a área de mata onde o corpo foi localizado.

A motivação, segundo o inquérito, estaria ligada a uma derrota judicial sofrida por Cléber Rosa seis dias antes do desaparecimento, quando Daiane garantiu na justiça o direito de trabalhar no prédio sem as restrições impostas pelo síndico. A Polícia Civil agora analisa as novas evidências e dá continuidade aos trabalhos para esclarecer os detalhes finais do crime.