Entrega de jovem suspeito de homicídio em Frutal segue indefinida

A entrega do jovem de 19 anos à Polícia Civil foi cancelada após impasses jurídicos; defesa afirma que crime não foi premeditado, mas uma "oportunidade" encontrada pelo autor

, em Uberlândia

A apresentação do jovem de 19 anos considerado o principal suspeito da execução de Rafael Garcia Pedroso, de 31 anos, em Frutal, segue indefinida, após uma semana do crime, ocorrido no dia 31 de março. O depoimento que deveria ter acontecido na tarde de segunda-feira (06), foi adiado após a defesa do investigado alegar que aguarda a oficialização do pedido de prisão que teria sido solicitado pela Polícia Civil de Frutal.

Segundo o advogado José Rodrigo de Almeida, ainda não há confirmação se o jovem é considerado foragido ou não pela Justiça. Ele alega que se o pedido de prisão não tiver sido decretado, o jovem irá se apresentar expontaneamente; caso contrário, a defesa deverá fazer nova manifestação à Justiça, com pedido de habeas corpus.

O jovem de 19 anos é suspeito de ter matado com cinco tiros o homem condenado por ter tirado a vida de sua mãe, em 2016, após uma crise de ciúmes. Na época, ele tinha apenas 9 anos e presenciou o crime.

delegacia de polícia civil de frutal; Apresentação de jovem suspeito de homicídio em Frutal
Apresentação de jovem suspeito de homicídio em Frutal foi adiada – Crédito: Câmara Municipal de Frutal/Reprodução

Segundo nota da Polícia Civil, a investigação do crime já está em fase avançada e o pedido de prisão temporária do investigado foi solicitado.  A nota diz ainda que “uma eventual apresentação espontânea do investigado precisa ser previamente combinada e comunicada oficialmente à Delegacia responsável” e que “o fato de o investigado se apresentar espontaneamente não impede a decretação de prisão, caso estejam presentes os requisitos legais”.

O Paranaíba Mais entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que informou ter identificado apenas uma ação penal de homicídio qualificado em nome do investigado desde o dia 1º de abril, mas que ainda não há nenhuma decisão decretada.

Jovem suspeito de homicídio em Frutal alega que não agiu de caso pensado

Segundo a defesa, o jovem alegou que estaria andando armado desde janeiro, quando Rafael recebeu o benefício da prisão domiciliar por falhas técnicas na tipificação do crime o qual foi condenado, e foi beneficiado pela falta de vagas no sistema prisional.

No dia do crime, de acordo com a defesa, o jovem estaria acompanhado de conhecidos apenas para resolver questões financeiras e buscar uma moto. Ao passarem em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vila Esperança, em Frutal, o jovem teria avistado Rafael Garcia em uma motoneta.

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Segundo o advogado, o jovem alegou que a situação aconteceu por um acaso, e não de forma premeditada. A defesa ainda reforçou que os conhecidos do investigado, que estavam junto dele no dia do fato, não têm nenhum envolvimento com o caso e que não teriam levado o jovem ao local para cometer o crime.

Ainda segundo a defesa, o estado psicológico do jovem teria sido abalado na véspera do crime, quando Rafael teria passado duas vezes em frente à casa onde ele vive com a irmã, que tinha apenas dois anos quando a mãe deles foi brutalmente assassinada por Rafael, em 2016.

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Relembre todo o histórico do caso de Frutal

O jovem, hoje com 19 anos, presenciou Rafael Garcia matar sua mãe com 20 golpes de faca na noite de 3 de julho de 2016. Segundo relato do jovem à defesa, na época, ele com 9 anos, e seus outros dois irmãos, de 3 e 7 anos, moravam com a mãe e Rafael, que mantinham uma relação. No dia da tradicional cavalgada de Frutal, os dois filhos mais novos ficaram com a avó, enquanto o mais velho teria ido de carro com a mãe e Rafael para um churrasco. Após uma discussão motivada por ciúmes, Rafael perseguiu a mulher e a esfaqueou sem chance de defesa. Todo o ataque teria sido testemunhado pelo jovem, que, segundo relato de uma parente de Rafael, teria jurado o ex-companheiro da mãe de morte ainda na infância.

Dez anos depois, na manhã da última terça-feira (31), Rafael Garcia se encontrava em frente à Unidade Básica de Saúde no bairro Vila Esperança, em Frutal. Ele estava em uma motoneta Honda Biz aguardando sua atual companheira ser atendida na unidade de saúde quando um rapaz se aproximou a pé, vindo por traz e o executou à queima-roupa.

O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado, mas ao chegar à cena, Rafael não apresentava sinais vitais. Condenado inicialmente a 22 anos de prisão, Rafael teve o julgamento anulado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por falhas técnicas na tipificação do crime. Beneficiado pela falta de vagas no sistema prisional, ele recebeu o direito à prisão domiciliar em janeiro de 2026.