“Ela certamente morreria”, diz médico de Uberlândia que socorreu vítima de tubarão
O médico Mike Vinicius Canto de Andrade, de 29 anos, foi uma das primeiras pessoas a socorrer a jovem atacada por um tubarão na Praia de Boa Viagem, em Recife
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O médico Mike Vinicius Canto de Andrade, de 29 anos, formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), estava de férias em Pernambuco quando presenciou um ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, em Recife, na tarde de segunda-feira (1º).
Uma das primeiras pessoas a chegar até a vítima, ele iniciou os socorros em menos de um minuto após o incidente e afirma que a rápida contenção da hemorragia foi determinante para salvar a vida de Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos.
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Veja o momento em que o médico presta socorro à vítima de tubarão na Praia de Boa Viagem
Mike estava na praia acompanhado da mãe quando presenciou o ataque. Em entrevista ao Paranaíba Mais, ele contou que identificou imediatamente o que havia acontecido.
“Quando a gente chegou à praia, minha mãe comentou que tinha uma menina no mar. Todo mundo sabe que em Boa Viagem existe o risco de ataques de tubarão e que não é recomendado entrar na água. Assim que ela apontou para a jovem, vimos o sangue subir e ela começou a gritar. Na mesma hora eu falei: foi tubarão”, contou.
Corrida contra o tempo
Segundo Mike, menos de um minuto separou o ataque do início dos primeiros socorros. “Entre o grito, ela sair da água e a gente começar a estancar o sangramento, foram cerca de 30 segundos”, afirmou.
Ao avaliar a vítima, o médico identificou imediatamente o principal risco: uma hemorragia grave causada pela lesão na região da coxa.
“O principal risco naquele momento era o choque hipovolêmico, que ocorre quando a perda excessiva de sangue compromete a circulação e o funcionamento dos órgãos. Existe uma artéria muito importante na região, a femoral. Mais dois ou três minutos sem interromper aquele sangramento e ela certamente morreria”, explicou.
Compressão foi decisiva
A primeira medida adotada pelo médico foi comprimir diretamente a artéria lesionada.
“Minha atitude foi estancar a artéria femoral da perna direita dela. Tentamos fazer vários torniquetes, mas eles não eram suficientes. Eu tirava a mão para testar e o sangramento continuava. Então precisei permanecer pressionando a lesão com as mãos o tempo todo”, relatou.
Segundo o médico, a vítima já apresentava sinais de perda significativa de sangue, mas permaneceu consciente durante o atendimento. “Quando consegui estancar o sangramento, ela continuou lúcida e acordada. Enquanto eu mantivesse a compressão, eu sabia que ela permaneceria viva”, disse.
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Medo de não dar tempo
Apesar da rápida atuação, o médico afirma que temeu pela vida da jovem nos primeiros instantes.
“Quando vi a gravidade da lesão, fiquei preocupado. Depois que consegui controlar o sangramento, fiquei mais tranquilo. Mas quando ela foi levada pelos bombeiros, voltei a me preocupar porque eu já não estava mais segurando a artéria e não sabia se os torniquetes seriam suficientes”, contou.

Devido à gravidade do caso, a vítima não aguardou a chegada de uma ambulância. “Os bombeiros optaram por levá-la imediatamente em uma caminhonete para ganhar tempo. Eu orientei um dos militares sobre a forma correta de manter a compressão durante o transporte”, afirmou.
Caso raro até para profissionais da saúde
Mike destacou que situações como essa são incomuns, mesmo para médicos acostumados a lidar com emergências.
“Não esperava viver algo assim durante as férias. Já atendi acidentes graves, principalmente de trânsito, com lesões semelhantes e grande perda de sangue. Infelizmente, muitos desses pacientes não sobreviveram justamente por causa da hemorragia”, disse.
O que fazer diante de uma hemorragia grave?
Após a repercussão do caso, o médico também deixou orientações para situações de emergência envolvendo sangramentos intensos.
“Independentemente da causa do ferimento, a prioridade é identificar de onde está saindo o sangue e fazer pressão direta no local. A própria mão é a principal ferramenta nesse momento. O mais importante é interromper o sangramento até a chegada do socorro especializado”, orientou.
Jovem vítima de tubarão teve a perna amputada
Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita amputada após o ataque de um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul de Recife. Ela foi resgatada por agentes do Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) e recebeu os primeiros atendimentos ainda na faixa de areia.
Em seguida, a jovem foi levada ao Hospital Alfa, onde recebeu os cuidados iniciais, e posteriormente transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital da Restauração, referência no atendimento a vítimas desse tipo de ocorrência.
Segundo o hospital, Marcela deu entrada com amputação completa da perna direita. Ela passou por uma cirurgia de emergência para controlar o sangramento e tratar a lesão na coxa. O estado de saúde é considerado grave, e a paciente segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Com o caso da jovem Marcela Vitória, vítima de tubarão em Boa Viagem, Pernambuco chegou a 84 ataques registrados desde 1992, ano de início da série histórica.