Celular roubado pode ser rastreado? Veja como a PM já recuperou 2,2 mil aparelhos em MG
Projeto da Polícia Civil já devolveu 1.743 aparelhos às vítimas de furtos, roubos e extravios; na edição mais recente, iniciativa chegou a 270 municípios mineiros
Quem teve o celular furtado, roubado ou perdido em Minas Gerais pode ter uma chance de recuperar o aparelho mesmo depois de meses ou anos. Desde dezembro de 2024, o projeto Tá Entregue, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), já recuperou 2.241 celulares, dos quais 1.743 foram devolvidos aos proprietários.

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A iniciativa utiliza tecnologia e cruzamento de dados para localizar aparelhos registrados em ocorrências policiais e identificar quem está utilizando os dispositivos. Na quinta edição, realizada entre agosto e setembro de 2026, o trabalho chegou a 270 municípios e distritos, ampliando a atuação para todas as 19 regiões de departamentos da Polícia Civil no estado.
Celular roubado há mais de um ano foi recuperado
A recuperação de um aparelho pode acontecer mesmo quando a vítima já não acredita que vai encontrá-lo. Foi o que aconteceu com Bruna Chaves Souza, de 36 anos, que recebeu de volta um celular furtado há mais de um ano e meio.
O aparelho foi levado de dentro da empresa onde ela trabalhava. Com o passar do tempo, Bruna deixou de esperar pela recuperação, até ser surpreendida pela possibilidade de ter o telefone novamente.
“Eu já tinha até perdido as esperanças de encontrá-lo e hoje estou com ele em mãos. A felicidade está a mil, nem estou acreditando”, contou.
Além do valor financeiro, a devolução representa a recuperação de um dispositivo que pode armazenar documentos, contatos, fotografias e informações pessoais.
Projeto chegou a 270 municípios de Minas Gerais
A quinta edição do Tá Entregue ampliou a abrangência territorial da iniciativa. Nas quatro primeiras etapas, as ações estavam concentradas em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
Na edição mais recente, foram recuperados 456 celulares, com participação de 74 delegacias regionais e 221 delegacias distribuídas por 270 municípios e distritos.
Do total, 323 aparelhos foram encaminhados para devolução em 57 municípios. Desse grupo, 211 já haviam sido entregues aos proprietários.
Outros 133 celulares ainda devem ser restituídos. São casos em que os aparelhos foram encontrados a mais de 50 quilômetros da residência dos donos, podendo chegar a uma distância de 600 quilômetros. A proposta é realizar a entrega em pontos mais próximos dos proprietários, evitando que precisem percorrer grandes distâncias para buscar os bens.
Segundo a delegada-geral Letícia Gamboge, chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, a iniciativa combina inteligência, tecnologia e investigação para recuperar aparelhos e combater a receptação.
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Como a Polícia Civil encontra celulares furtados e roubados?
O trabalho começa pelo IMEI, sigla para Identificação Internacional de Equipamento Móvel. Trata-se de um código individual que identifica cada aparelho celular e permite diferenciá-lo de outros dispositivos.
A partir dos registros de furto, roubo e extravio, a Polícia Civil cruza informações para identificar telefones que continuam em atividade, mesmo depois de terem sido registrados em ocorrências.
Quando os investigadores encontram um aparelho em posse de alguém diferente do proprietário indicado no registro policial, o atual usuário pode receber uma intimação eletrônica para apresentar o celular e prestar esclarecimentos.
A localização do dispositivo, portanto, não significa automaticamente que a pessoa que está com ele tenha cometido um crime. A investigação busca esclarecer como o aparelho chegou até aquele usuário e verificar as circunstâncias da posse.
Recuperação também ajuda a investigar receptação
O projeto não se limita à devolução dos telefones. A identificação de quem está utilizando os aparelhos também fornece informações para investigar a circulação de produtos provenientes de crimes.
De acordo com a delegada Amanda Pires, diretora de Estatística e Análise Criminal da PCMG, o cruzamento de dados permite acompanhar a trajetória dos celulares e reunir elementos para investigações de crimes patrimoniais e receptação.
A estratégia também busca desestimular a compra de aparelhos sem procedência comprovada, já que celulares registrados como furtados ou roubados podem ser identificados mesmo quando continuam em uso por outras pessoas.
A Polícia Civil destaca que o trabalho de recuperação patrimonial também aproxima a instituição das vítimas, que podem voltar a ter acesso a um bem considerado perdido.
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