Caso das crianças desaparecidas no Maranhão completa 30 dias sem avanços
Força-tarefa atua em mata fechada, rio e rodovias, enquanto família aguarda respostas sobre irmãos que sumiram em mata
Após completar 30 dias sem qualquer avanço concreto, o caso das crianças desaparecidas no Maranhão segue cercado de incertezas e mobiliza uma grande força-tarefa no município de Bacabal. Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro, no quilombo São Sebastião dos Pretos, quando saíram para brincar em uma área de mata acompanhados do primo Anderson Kauan, de 8 anos.

Desde então, as investigações não identificaram suspeitos nem reuniram provas que indiquem a ocorrência de crime. Segundo as autoridades policiais, todas as pessoas ouvidas até o momento prestaram depoimento na condição de testemunhas, e qualquer informação diferente disso é considerada falsa.
Anderson Kauan, de 8 anos e primo das crianças desaparecidas, foi encontrado três dias após o desaparecimento por carroceiros, em uma estrada do povoado Santa Rosa, vizinho à comunidade onde as crianças moravam. O menino passou 14 dias internado no Hospital Geral de Bacabal e, após receber alta, a partir do dia 21 de janeiro, colaborou diretamente com as equipes de segurança.
Crianças desaparecidas no maranhão: reconstituição delimitou área central
Com acompanhamento psicológico e autorização da Justiça, Kauan participou da reconstituição do trajeto feito com os primos. Ele indicou o caminho até uma cabana abandonada, conhecida como casa caída, localizada próxima às margens do Rio Mearim. Aos policiais, relatou que deixou Ágatha e Allan no local enquanto buscava ajuda.
A indicação foi decisiva para concentrar as buscas na região, especialmente após cães farejadores sinalizarem vestígios da presença das crianças desaparecidas nas proximidades da cabana e na outra margem do rio. Ainda assim, até agora, não surgiram novos indícios sobre o possível paradeiro dos irmãos.
As operações se estendem por uma área de cerca de 54 km², marcada por mata de vegetação fechada, terreno irregular, poucas trilhas, açudes, lagos e pelo leito do Rio Mearim, o que dificulta o trabalho das equipes.
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Força-tarefa amplia buscas no rio e em rodovias
Diante do avanço limitado das buscas terrestres, as ações passaram a se concentrar também no meio fluvial. Militares da Marinha utilizam equipamento de sonar para varrer um trecho de aproximadamente três quilômetros do Rio Mearim, tecnologia capaz de mapear áreas submersas e gerar imagens do fundo mesmo com baixa visibilidade. Mergulhadores do Corpo de Bombeiros atuam de forma integrada nas operações.
Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal reforçou a fiscalização em rodovias federais que cortam o Maranhão, no final de janeiro. A medida considera a hipótese de rapto, que não foi descartada pela Polícia Civil, e a possibilidade de uso das estradas como rota de fuga. Delegacias da PRF em Caxias e Santa Inês intensificaram abordagens, com apoio de equipes de outros estados, após solicitação da Prefeitura de Bacabal.
Em manifestação pública, o secretário Maurício Martins também desmentiu informações falsas sobre um suposto paradeiro das crianças desaparecidas em São Paulo, após verificação que não confirmou a denúncia. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão ainda afirmou que os detalhes das investigações não são divulgados para não comprometer o trabalho policial e que as informações que puderem ser divulgadas pela investigação serão comunicadas oportunamente.
Mesmo com a mobilização de mais de 500 pessoas, entre forças de segurança, voluntários e moradores da comunidade quilombola, o desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael segue sem respostas, ampliando a angústia da família e mantendo Bacabal em alerta.