Anac envia ofício à Portela após voo com drone

Anac envia ofício à Portela e cobra dados técnicos após homem voar em drone gigante na comissão de frente; escola tem dez dias para responder

, em Uberlandia

Anac envia ofício à Portela após a apresentação que levou um integrante da comissão de frente a sobrevoar a Sapucaí em um drone de grandes proporções. O documento também foi encaminhado à Liga Independente das Escolas de Samba, organizadora do desfile, e solicita uma série de informações técnicas sobre o equipamento utilizado.

Anac envia ofício à Portela após voo com drone
– Crédito: Reprodução/X/@Omardeideias

A Agência Nacional de Aviação Civil informou, em nota, que a legislação proíbe o transporte de pessoas, animais ou materiais perigosos por meio de drones. Segundo o órgão regulador, estes equipamentos não foram projetados para esse tipo de uso e podem provocar acidentes, inclusive com risco de morte.

No ofício, a agência exige que a escola detalhe o modelo do drone, o número de série, a comprovação de registro junto à própria Anac e os dados do piloto remoto responsável pela operação. A Portela terá prazo de dez dias para encaminhar as informações solicitadas.

“A norma (RBAC-E nº 94) define, além da proibição do transporte de pessoas, que o operador de drones precisa respeitar uma distância mínima de 30 metros horizontais e o piloto não pode, em hipótese alguma, colocar vidas em risco. O limite de 30 metros não precisa ser observado caso haja barreira mecânica suficientemente forte para isolar e proteger as pessoas não envolvidas na eventualidade de um acidente. Entretanto, não foi o que se viu na Marquês de Sapucaí na madrugada desta segunda-feira (16).” – informou a Anac em nota.

Anac envia ofício à Portela e pede esclarecimentos técnicos

Ao cobrar explicações formais, a Anac reforça que o uso de aeronaves não tripuladas segue regras específicas no país. O foco agora está na regularidade do equipamento e na responsabilidade técnica pela operação realizada durante o desfile.

O episódio ocorreu na comissão de frente da Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, que neste ano levou para a avenida um enredo sobre a presença negra no Rio Grande do Sul e seus símbolos de resistência. O sobrevoo representou a libertação do personagem Negrinho do Pastoreio, figura central da cultura gaúcha.

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O integrante que “voou” encarnava o menino da lenda que, após sofrer castigos brutais, desaparece e se torna uma entidade encantada. Na narrativa popular, ele auxilia pessoas a encontrar objetos perdidos, assim como ocorre com São Longuinho na tradição católica.

A comissão de frente também encenou o momento em que o menino é deixado em um formigueiro como punição, reforçando a denúncia das violências sofridas durante a escravidão no Sul do país. A proposta artística buscou simbolizar a libertação definitiva desse “trabalho eterno” atribuído ao personagem no imaginário popular.

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Anac envia ofício à Portela e impacto no desfile

Com o ofício, o caso ganha dimensão administrativa e pode gerar desdobramentos conforme a análise técnica da agência. A depender das respostas e da documentação apresentada, a Anac poderá avaliar eventuais medidas cabíveis.