Desfile em homenagem ao presidente Lula gera ações e tensão
A Acadêmicos de Niterói leva à Sapucaí um desfile em homenagem ao Lula com carros alegóricos, encenações políticas e referências diretas a adversários
O desfile em homenagem ao presidente Lula, apresentado pela Acadêmicos de Niterói, voltou ao centro do debate da política nacional e reforçou pedidos judiciais feitos nos últimos dias. A oposição sustenta que o enredo ultrapassa o campo cultural e assume caráter de promoção política, com pedido implícito de voto. A controvérsia ganhou ainda mais força porque Lula é apontado como pré-candidato à reeleição e a legislação só permite propaganda eleitoral a partir de 5 de julho do ano eleitoral.

Novo, Republicanos, União Brasil e outras legendas ingressaram com representações na Justiça Eleitoral, no Tribunal de Contas da União e na Justiça Federal para tentar barrar a apresentação da Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026, sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada.
O Novo protocolou ação no TCU para suspender o repasse de cerca de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba por conta da homenagem ao presidente Lula. A área técnica da Corte chegou a se manifestar a favor do bloqueio, mas o relator negou o pedido. Na Justiça Eleitoral, Novo e Missão pediram a proibição do desfile. Já Damares Alves e Kim Kataguiri moveram ações que acabaram rejeitadas pela Justiça Federal.
Desfile em homenagem ao presidente Lula transforma trajetória política em enredo
Na avenida, o desfile em homenagem ao Lula abriu o Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói entrou às 22h13 e encerrou a apresentação às 23h32, dentro do limite de 80 minutos.
A comissão de frente encenou momentos marcantes da trajetória política do presidente, como a ascensão ao Palácio do Planalto e a passagem da faixa presidencial a Dilma Rousseff. Em seguida, um personagem que representava Michel Temer tomou a faixa, enquanto Lula aparecia preso. Na sequência, um palhaço caracterizado como Bozo simbolizou Jair Bolsonaro. Em outro carro alegórico, o palhaço surgiu com uniforme de presidiário e tornozeleira danificada.
O desfile também retratou o retorno de Lula ao poder e incluiu a figura do ministro Alexandre de Moraes ao lado do palhaço preso. Alas exaltaram programas sociais dos governos petistas e apresentaram críticas a grupos classificados como neoconservadores em conserva, o que gerou reação de parlamentares ligados ao segmento evangélico.
Em diferentes momentos, integrantes fizeram o gesto do L, apesar de orientação prévia para evitar a manifestação. Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado da primeira dama, ministros e aliados, e desceu à pista para cumprimentar o mestre sala e a porta bandeira. A primeira dama desistiu de desfilar no último carro alegórico para evitar interpretações de campanha antecipada.
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Decisão do TSE mantém desfile em homenagem ao presidente Lula
O Tribunal Superior Eleitoral analisou os pedidos de liminar para suspender o desfile em homenagem ao Lula e decidiu, por unanimidade, rejeitar as tentativas de proibição. A Corte entendeu que impedir previamente a apresentação configuraria censura judicial.
A relatora, ministra Estela Aranha, afirmou que a legislação veda pedido explícito de voto fora do período eleitoral, mas destacou que não há elementos concretos, neste momento, que comprovem campanha antecipada. Segundo ela, o Judiciário não pode presumir um ilícito antes de sua ocorrência.
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou que o julgamento tratou apenas do pedido urgente e que o processo segue em tramitação. Caso a Justiça Eleitoral identifique irregularidades no conteúdo do desfile, poderá aplicar sanções posteriormente.
Com a decisão, o desfile em homenagem ao presidente Lula permaneceu na programação do Carnaval 2026. O mérito das ações, no entanto, continuará sob análise, mantendo vivo o debate sobre os limites entre manifestação artística e promoção política em ano pré eleitoral.