Acusado de atirar em família com arma que falhou é absolvido em Patos de Minas

O homem foi preso após a arma que teria usado na tentatva de feminicídio e homicídio falhar 3 vezes; ele foi absolvido 1 ano depois, por falta de provas concretas, em julgamento realizado nesta quinta-feira

, em Uberlândia

Um homem de 24 anos foi absolvido por falta de provas de uma acusação de tentar matar a própria companheira e filho com uma arma, em março de 2025. Na época, a mulher tinha 25 anos e a criança tinha apenas 8 meses, quando teriam escapado da morte após os disparos falharem três vezes.

Segundo o Tribunal do Júri da Comarca de Patos de Minas, a absolvição foi acolhida após não encontrarem provas quanto à materialidade dos crimes, ou seja, de que não haveria prova concreta de que o fato ocorreu. Com a decisão, o jovem teve sua liberdade restabelecida após ter cumprido 12 meses de prisão.

registro da absolvição de homem acusado de tentar atirar em família em patos de minas
Acusado de tentar atirar em família foi absolvido por falta de provas comcretas – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Entenda o caso do homem acusado de atirar em família

O caso aconteceu na madrugada de 13 de março de 2025. Segundo o registro policial da época, o casal que estava junto há 3 anos e mantinha um relacionamento de idas e vindas, discutiu após o homem se recusar a segurar o bebê, pois estaria assistindo a um jogo de futebol.

A mulher relatou que foi até o quarto para amamentar o filho e nesse momento o homem a seguiu para a ameaçar, dizendo que não aceitaria que ela arrumasse outra pessoa e que se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém.

Diante da situação, a mulher ligou para a Polícia Militar e enquanto estava no telefone o suspeito teria apontado um revólver calibre .32 contra sua cabeça e puxado o gatilho duas vezes, sem que a arma disparasse. Em seguida, ele teria mirado contra o bebê no colo da mãe e tentado um terceiro disparo, que também falhou.

revólver usado em tentativa de feminicídio e homicídio em patos de minas
Arma encontrada pela polícia, que estaria em posse do autor na hora da tentativa do crime – Crédito: PMMG/Reprodução

Ainda de acordo com o relato, a jovem tentou reagir e acabou batendo no revolver e ficou com um ferimento no dedo. Seu outro filho, de outro relacionamento, que também estava na casa quando a situação aconteceu, teria tentado impedir o padrasto.

A mulher consegiu sair de casa e ligou para a mãe, para quem teria contato o que aconteceu. Assim que a polícia chegou no local, o suspeito foi preso em flagrante, mas negou que a teria ameaçado e que teria a posse de uma arma.

cão farejador da polícia que encontrou revolver que teria sido usado em tentativa de feminicídio e homicídio em patos
Revolver foi encontrado por cães farejadores do Rocca, próximo à casa do casal – Crédito: ROCCA/Reprodução

Contudo, durante as investigações, a PM localizou a arma em um lote vago próximo à residência com o auxílio de cães farejadores, e encontrou uma munição “picotada”, que estaria com marca de percussão, mas não deflagrada, ou em outra palavras, o gatilho foi apertado, o mecanismo da arma funcionou e atingiu a espoleta da bala, mas a explosão não aconteceu.

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As provas da defesa do acusado levaram à absolvição

Apesar da gravidade do relato inicial, a defesa do acusado apresentou elementos técnicos que geraram dúvida nos jurados sobre o suspeito tentar atirar em família:

  • Perícia de áudio: A gravação da ligação feita pela vítima para a Polícia Militar no momento do suposto crime foi analisada. A perícia não identificou o som característico do acionamento do gatilho.
  • Inconsistência no registro: Embora a denúncia inicial mencionasse o ataque ao bebê, informações posteriores indicaram que este detalhe não constava em todos os registros oficiais da PM.
  • Isolamento do relato: A defesa sustentou que a palavra da vítima estava isolada e apresentava contradições em relação às provas periciais produzidas.
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Diante da fragilidade do caso, os jurados aplicaram o princípio do in dubio pro reo, caso em que “na dúvida, absolve-se o réu”. Em nota, os advogados destacaram que o julgamento reafirmou o papel do Júri na análise criteriosa das provas e na preservação da presunção de inocência.

O suspeito, que não possuía antecedentes criminais antes deste episódio, foi solto logo após o encerramento da sessão. O processo tramitou em segredo de Justiça.