Acidente com ônibus na BR-365: familiar denuncia descaso com vítimas após tragédia

Filho de passageira ferida afirma que responsáveis pela excursão não prestaram apoio básico no hospital e empresa nega omissão

, em Uberlândia

Três dias após o acidente com ônibus na BR-365, familiares de vítimas denunciam descaso no atendimento aos passageiros feridos e internados em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. O relato foi feito ao Paranaíba Mais por Rafael Silva, filho de Irislene Andrade, uma das passageiras que seguem hospitalizadas após a tragédia registrada na última terça-feira (6), no trecho entre Varjão de Minas e Patos de Minas.

Segundo Rafael, os responsáveis pela excursão não prestaram o suporte necessário às vítimas logo após o acidente. Ele afirma que passageiros ficaram sem documentos, roupas e outros itens pessoais. “Se minha mãe não tivesse a gente para trazer os documentos, ela não saberia o que fazer. Tinha gente sem documento e o responsável pela empresa falou que era para buscar em Uberlândia”, relatou.

acidente com ônibus na BR-365
Equipes da PRF e do Samu atuaram no resgate de vítimas presas às ferragens após acidente na BR-365, na terça-feira (6) – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Ainda conforme o familiar, uma idosa de 73 anos também estaria sem documentação e sem qualquer auxílio. “O hospital forneceu roupas e a assistente social deu atenção. Mas o responsável disse que não ia trazer documento, e nem forneceu a relação completa das pessoas a bordo”, afirmou.

Rafael também acusa o responsável pela excursão de desconhecer a real situação dos feridos, logo após o acidente. “Ele disse que achava que não tinha mais ninguém internado, mas ainda há sete pessoas no Hospital Regional Antônio Dias. Duas fraturaram a coluna, não andam e aguardam cirurgia. Outras duas estão em estado grave na UTI”, disse.

Segundo o relato, após o acidente, documentos, bolsas e celulares de alguns passageiros teriam sido recolhidos e colocados dentro do carro do responsável pela viagem. Posteriormente, ele teria alegado não saber onde os pertences estavam. “As pessoas ficaram desamparadas. Só agora, com a chegada dos familiares, é que trouxeram dinheiro e cartões para elas”, completou.

Rafael afirmou ainda que permanece no Hospital Regional Antônio Dias acompanhando a mãe. “Ela está estável, graças a Deus, mas teve lesão na cabeça que pode infeccionar e não tem previsão de alta”, explicou. Segundo ele, somente após o contato da reportagem com a empresa, uma pessoa foi enviada ao hospital para entregar R$ 100 a cada vítima e algumas roupas.

O que diz a empresa

Procurada, a China Excursões e Turismo se manifestou por meio de nota. A empresa lamentou profundamente o acidente com ônibus na BR-365, informou que não possui frota própria e que a viagem foi realizada com ônibus de empresa terceirizada, a RS Turismo, de Feira de Santana (BA).

Na nota, a empresa afirma que ainda não há definição sobre as causas do acidente, que vitimou fatalmente cinco pessoas no local e uma sexta vítima que morreu no hospital, além de deixar 44 feridos. A China Excursões declarou estar à disposição das autoridades, prestar apoio aos feridos e colaborar com as investigações, reiterando compromisso com segurança e transparência.

Estado de saúde das vítimas

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (Faepu) informaram que sete das 12 vítimas atendidas no Hospital Regional Antônio Dias permanecem internadas, todas em estado estável, com idades entre 28 e 70 anos.

Já a Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas informou que 22 vítimas deram entrada na instituição após o acidente com ônibus na BR-365. Desse total, 14 pessoas já receberam alta médica. Outras sete vítimas permanecem internadas em estado estável, enquanto uma mulher de 75 anos teve o óbito confirmado no próprio dia do acidente.

×

Leia Mais

Investigação

O acidente com ônibus na BR-365 segue sob investigação da Polícia Civil. Em nota, a corporação informou que levantamentos preliminares indicam que o motorista do ônibus não possuía o curso especializado para transporte coletivo de passageiros (CETCP), exigido para esse tipo de veículo, o que pode caracterizar irregularidade administrativa.

O grupo retornava para Uberlândia após uma excursão. A viagem de volta estava prevista para o último domingo, mas foi adiada após o ônibus inicialmente contratado apresentar problemas mecânicos ainda na Bahia. Com o problema, um ônibus de outra empresa foi contratado para trazer os passageiros para Uberlândia. Esse ônibus é que capotou. A Polícia Civil aguarda a conclusão da perícia para esclarecer as causas do acidente.