Umidade baixa: médico orienta como evitar problemas respiratórios

Alerta do Inmet aponta umidade do ar entre 20% e 30% em 48 cidades mineiras; especialista explica impactos no organismo e cuidados essenciais

, em Uberlândia

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta amarelo para 48 municípios de Minas Gerais devido à baixa umidade relativa do ar, que deve oscilar entre 20% e 30% nesta sexta-feira (24). O aviso, classificado como de “perigo potencial”, abrange as regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Sul de Minas e favorece irritações, infecções e agravamento de doenças.

O otorrinolaringologista Dr. Patrick Burke explica como o organismo reage nessas condições e quais medidas ajudam a reduzir os riscos.

Umidade baixa
Otorrinolaringologista orienta sobre cuidados diários durante períodos de umidade baixa – Crédito: Freepik/Reprodução

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Com a chegada do outono, Minas Gerais entra no período de estiagem, marcado pela queda nos níveis de umidade do ar. A manutenção desse cenário ao longo dos dias intensifica o impacto na saúde, com aumento de irritações nas vias respiratórias e desconfortos imediatos.

Municípios do Triângulo Mineiro, como Uberaba, estão entre as cidades sob alerta do Inmet para baixa umidade do ar.

Por que a umidade baixa adoece?

A queda na umidade afeta diretamente o sistema de defesa do corpo. Segundo o Dr. Patrick Burke, a mucosa respiratória possui cílios que, imersos em muco, filtram impurezas.

“Com a baixa umidade, esse muco fica mais desidratado e esses cílios batem menos. Isso diminui a proteção contra a entrada de vírus, bactérias e outros microrganismos”, explica o médico.

As queixas mais frequentes nos consultórios durante este período incluem:

  • Garganta e nariz secos;
  • Sangramentos nasais;
  • Formação de crostas no nariz.

Hidratação e lavagem nasal

A recomendação principal segundo o especialista é o aumento drástico na ingestão de líquidos. O uso de garrafas térmicas para manter a água fresca ao longo do dia é uma estratégia eficaz para garantir a hidratação constante.

Além de beber água, a higienização nasal com soro fisiológico é indispensável. “Lavar o nariz ajuda demais. O ideal é fazer isso de duas a três vezes por dia nesses dias mais secos”, orienta Burke. O especialista ressalta, porém, que existe técnica correta para evitar complicações como otites ou lesões no septo nasal.

Perigos do uso indiscriminado de descongestionantes

Muitos pacientes recorrem a sprays nasais para aliviar o entupimento, mas o médico faz um alerta severo sobre os riscos cardíacos e renais.

“O descongestionante é um vasoconstritor que não atua apenas no nariz; ele é absorvido pelo corpo. Pode causar arritmia cardíaca e aumento da pressão arterial”, afirma.

O uso desses medicamentos deve ser restrito ao ápice de resfriados e por, no máximo, cinco dias, para evitar a rinite medicamentosa, quando o nariz passa a ficar entupido justamente pelo excesso do remédio.

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Como usar ar-condicionado e umidificadores

De acordo com o otorrinolaringologista o ar-condicionado é um vilão da umidade, pois retira a água do ambiente para resfriar. Se o uso for inevitável, o médico sugere colocar uma bacia com água ou toalha molhada no quarto. Já o umidificador elétrico exige cautela:

  • Não deixe ligado a noite toda: A umidade em excesso favorece fungos e bactérias.
  • Estratégia: Ligue o aparelho para umidificar o quarto antes de dormir e desligue-o ao deitar.
  • Posicionamento: Nunca direcione o vento de ventiladores ou do ar-condicionado diretamente para o rosto, pois isso resseca a mucosa e causa congestão.

Quando buscar ajuda médica?

A atenção deve ser redobrada com crianças e idosos. Os sinais de alerta que indicam a necessidade de uma consulta de urgência incluem:

  1. Esforço respiratório: Retração da pele entre as costelas ou na base do pescoço (comum em crianças).
  2. Febre alta e persistente.
  3. Letargia: Se a pessoa estiver muito “mole” ou apresentar perda súbita de apetite.
  4. Falta de ar progressiva.