Teleatendimentos do SUS acolhem mulheres vítimas de violência e mães atípicas
Serviço gratuito do Sistema Único de Saúde soma 100 mil teleatendimentos mensais e prioriza mulheres em situação de violência e mães atípicas em todo o país.
O Sistema Único de Saúde passa a oferecer 100 mil teleatendimentos por mês voltados à saúde mental de mulheres em todo o Brasil. A oferta prioriza quem enfrenta situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, além de mulheres sobrecarregadas pelo cuidado não remunerado de familiares com deficiência, com transtornos do neurodesenvolvimento ou com doenças raras.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
O acesso ao aplicativo Meu SUS Digital reúne o novo serviço dentro do miniapp “Acolhe Mais”, ligado à ação Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres. Basta entrar com a conta gov.br para iniciar o cadastro, sem necessidade de encaminhamento médico prévio ou de comprovação documental da situação vivida.
Como funcionam os teleatendimentos
Depois do cadastro na plataforma, a usuária responde a um formulário de acolhimento digital que orienta o encaminhamento do caso. A equipe responsável analisa as respostas e devolve um retorno em até 24 horas, com a confirmação do agendamento, orientações prévias e o link para a videochamada.
As sessões, conduzidas por psicólogas, duram no mínimo 50 minutos e seguem um formato de acompanhamento contínuo: cada ciclo prevê até dez encontros, com possibilidade de renovação sempre que a paciente precisar. A mesma profissional acompanha a usuária ao longo de todo o processo, o que ajuda a criar vínculo de confiança entre as duas partes.
Os atendimentos acontecem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, sempre no horário de Brasília.
Público prioritário e ampliação nacional
A iniciativa nasceu como projeto-piloto em Recife e no Rio de Janeiro, voltada apenas a mulheres em situação de violência. Agora, o alcance chega a todos os estados brasileiros e passa a incluir mães, avós, tias e irmãs que cuidam, sem remuneração, de pessoas com deficiência ou com doenças raras.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, três em cada quatro tarefas de cuidado não remunerado no mundo recaem sobre mulheres. A rotina de quem cuida costuma incluir pouco tempo livre, distância dos serviços de saúde e dificuldade de deslocamento, fatores que o formato remoto busca amenizar.
Os registros de violência física, psicológica, sexual ou financeira contra mulheres em serviços de saúde públicos e privados saltaram de 167,4 mil casos em 2015 para 348,5 mil em 2025, um crescimento superior a 100% em uma década. O dado ajuda a explicar a urgência de ampliar o acesso ao acolhimento psicológico especializado.
LEIA MAIS: Seu consumo de álcool é normal? App do SUS ajuda a identificar riscos
Quando buscar ajuda de emergência
Em casos de risco imediato ou de violência em curso, a orientação é acionar de imediato o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou a Polícia Militar pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, também funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive em feriados.
Ao final do ciclo de sessões pelo aplicativo, a paciente pode ser encaminhada para a continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da sua cidade, unidade que também pode ser procurada diretamente por quem preferir um atendimento presencial desde o início.
Passo a passo para agendar
Para começar, é preciso abrir o aplicativo Meu SUS Digital e fazer login com a conta gov.br. Dentro do menu de miniapps, a usuária seleciona a opção Acolhe Mais e é direcionada à plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, onde indica se vive uma situação de violência ou se exerce um papel de cuidadora. A partir daí, o processo de escuta, agendamento e acompanhamento segue o mesmo fluxo descrito acima.
Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para conferir as principais notícias sobre saúde, medicamentos, economia e tudo o que impacta o seu dia a dia.