Perfuração intestinal: paciente internado morre após exame no Hospital Municipal de João Pinheiro

Família registra boletim de ocorrência, afirma que não foi comunicada sobre a gravidade do quadro nem autorizou procedimentos invasivos; caso é apurado como possível erro médico

, em Uberlândia

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Um caso de perfuração intestinal que aconteceu no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, em João Pinheiro (MG), é investigado após a morte de Milton Pereira Gomes, de 69 anos. Internado inicialmente por problemas respiratórios, com suspeita de pneumonia, o paciente morreu após ser submetido a exames invasivos (colonoscopia e endoscopia) e passar rapidamente para um quadro grave.

O caso ocorreu no mesmo hospital onde um idoso morreu no fim do ano passado depois de passar por duas cirurgias, a última para retirada de um objeto semelhante a tesoura que teria sido deixada no corpo do paciente e que só foi detectado num exame de raio-x.

No caso de Milton Pereira, a família afirma que não foi avisada previamente sobre os procedimentos nem comunicada pela direção do hospital sobre a piora clínica, tomando conhecimento da gravidade por terceiros.

Paciente foi submetido a exames e morreu após complicações no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, em João Pinheiro (MG) – Crédito: Reprodução/Arquivo Pessoal

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Conforme o boletim de ocorrência, a família tomou conhecimento da gravidade do quadro clínico do paciente por meio de uma acompanhante de outro internado na unidade hospitalar, e não por comunicação oficial do hospital.

Essa pessoa teria presenciado o momento em que o paciente deixou o quarto caminhando para a realização de exames e, após retornar, passou a apresentar mal-estar intenso, entrou em estado grave, houve suspeita de perfuração intestinal e, em seguida, foi submetido à intubação.

O registro policial aponta ainda que não houve contato prévio da direção do hospital com os familiares para informar sobre a realização dos procedimentos médicos nem para solicitar autorização.

Segundo familiares, Milton deu entrada no sistema de saúde por falta de ar e suspeita de pneumonia. Ele foi atendido inicialmente em Patos de Minas e, posteriormente, transferido para João Pinheiro por meio do SUSFácil, em razão da disponibilidade de leito. A família afirma que, durante dias, recebeu informações de que o quadro era estável e de melhora, inclusive com a expectativa de alta hospitalar.

Após a colonoscopia, o paciente apresentou piora rápida do quadro. Exames apresentados pela família indicaram perfuração intestinal. A tomografia mostrou ar fora do intestino, líquido livre no abdômen e ruptura da parede gástrica, sinais que indicam perfuração de órgão.

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Imagens de raio-x feitas antes e depois do procedimento também foram apresentadas pelos familiares e mostram aumento significativo do volume abdominal, compatível com vazamento de gases e secreções. Pouco depois da confirmação médica da perfuração, Milton evoluiu para um quadro grave e morreu.

A família questiona por que um paciente internado por problema respiratório foi submetido a um exame invasivo intestinal e por que, até pouco antes do procedimento, o quadro era descrito como estável e próximo da alta. O óbito ocorreu há cerca de quatro meses, mas o caso só veio a público agora, após a repercussão de outra morte considerada suspeita no mesmo hospital.

A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde e da direção do Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares sobre o caso, os protocolos adotados e a comunicação com a família. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Tesoura na barriga

A situação ganhou ainda mais destaque após a divulgação do caso de um idoso que morreu depois de passar por cirurgias no mesmo hospital.

Na ocasião, familiares afirmaram ter recebido a imagem de um exame que indicaria a presença de um objeto semelhante a uma tesoura no abdômen do paciente, o que gerou forte comoção e levou os parentes a cobrar esclarecimentos e uma apuração rigorosa sobre os procedimentos realizados na unidade.