Tesoura na barriga: família cobra respostas após morte de idoso em João Pinheiro
Família diz que não foi informada sobre exame e 2ª cirurgia; Prefeitura confirma “corpo estranho” retirado e diz que abriu sindicância e notificou a Anvisa
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O caso do idoso Manoel Cardoso de Brito, que morreu após passar por cirurgias no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, em João Pinheiro (MG), ganhou forte repercussão após a família receber a imagem de um exame que indicaria um objeto semelhante a uma tesoura na barriga do paciente. Abalados, parentes cobram esclarecimentos sobre os procedimentos realizados e defendem apuração rigorosa das responsabilidades.
Samuel Cardoso Rezende de Brito, filho de Manoel, afirma que a dor da perda foi agravada pela incerteza sobre o que aconteceu durante os 20 dias de internação. “Eu só quero que a verdade apareça, eu quero justiça”, disse, durante entrevista à TV Paranaíba, ao relatar o impacto da morte do pai na véspera do Natal.
Abalado, Samuel ainda descreveu a dor da perda e disse que a despedida do pai marcou profundamente sua vida. “Meu chão acabou. Eu trabalho como serralheiro e, às vezes, faço cruz. Eu mesmo fiz a cruz do meu pai. Foi a cruz mais pesada que eu fiz na minha vida”, relatou o filho, emocionado.

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Tesoura na barriga: o que a família diz que faltou explicar
Segundo os familiares, Manoel foi internado após passar mal e precisou de uma cirurgia de emergência para tratar uma úlcera. Após melhora inicial, o quadro teria piorado, levando a um segundo procedimento. A família afirma que não acompanhou um exame de imagem feito no hospital, não teve acesso aos resultados e diz que não foi informada com clareza sobre a segunda cirurgia.
Ainda conforme o relato, a imagem que levantou a suspeita de tesoura na barriga teria sido registrada por uma testemunha, que preferiu não se identificar por medo de represálias, e enviada de forma anônima a uma emissora local. A partir disso, o caso se espalhou rapidamente e gerou indignação na cidade.
Boletim de ocorrência e pedido de investigação
Diante da gravidade da denúncia, a família registrou boletim de ocorrência e defende que a investigação reconstrua todo o atendimento, da entrada no hospital aos exames, cirurgias e evolução clínica. O advogado Yuri Furtado afirmou que pretende pedir apuração rigorosa de todos os procedimentos e mencionou que a família estuda medidas judiciais, incluindo pedido de indenização.

O que diz a Prefeitura de João Pinheiro
Em nota, a Prefeitura informou que Manoel deu entrada no hospital encaminhado pela UPA em estado grave, com sinais de infecção e comorbidades. A administração relata que foi necessária cirurgia de urgência para tratar uma úlcera perfurada e que a família teria sido informada sobre os riscos do procedimento.
A Prefeitura confirmou que, durante a internação, exames identificaram um “corpo estranho” na cavidade abdominal, o que motivou nova abordagem cirúrgica para retirada do material. Segundo a nota, o procedimento ocorreu sem intercorrências, e o município atribui o desfecho também ao quadro clínico do paciente, idade e histórico de doenças.
Ainda de acordo com a administração municipal, houve notificação à Anvisa, abertura de sindicância e reforço de protocolos de segurança, além de manifestação de solidariedade à família e compromisso com transparência e apuração pelos órgãos competentes.