Mudanças climáticas podem aumentar surtos de hantavírus, aponta estudo
Pesquisa indica que expansão de roedores transmissores pode elevar o risco de infecções em áreas onde a população nunca teve contato com a doença
Bernardo Junior , em Uberlândia
As mudanças climáticas podem aumentar o risco de surtos de hantavírus nas próximas décadas, segundo estudo divulgado pela revista científica Live Science. A pesquisa aponta que alterações na temperatura, no regime de chuvas e no uso do solo podem favorecer a expansão de roedores transmissores da doença em regiões da América do Sul, principalmente na Argentina.
A doença voltou a ganhar repercussão internacional após um surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius. Segundo autoridades argentinas, mais de 100 casos foram registrados entre junho de 2025 e maio de 2026, número superior ao contabilizado no período anterior.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Em casos graves, a doença pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), uma das formas mais severas da infecção.
Hantavírus e mudanças climáticas
Pesquisadores que analisam o hantavírus no sul da América do Sul identificaram pelo menos 11 genótipos associados à doença humana em 13 espécies de roedores nativos.
Uma das principais preocupações envolve o vírus Andes, cujo reservatório natural é o rato-do-arroz-pigmeu-de-cauda-longa, espécie encontrada em florestas úmidas e áreas de vegetação do sul dos Andes, no Chile e na Argentina.
Segundo os modelos analisados pelos pesquisadores, as mudanças climáticas podem ampliar o habitat desses animais para regiões mais populosas da Argentina, aumentando o contato entre humanos e roedores transmissores.
Fenômenos climáticos como El Niño e La Niña também podem influenciar esse cenário. Em períodos de El Niño, o aumento das chuvas favorece o crescimento da vegetação e amplia a oferta de alimento e abrigo para os roedores.
Leia Mais
Hantavírus e leptospirose: entenda as diferenças e como prevenir
MG registra primeira morte por hantavirose no Brasil em 2026
OMS não descarta transmissão entre humanos em surto de hantavírus
Vírus Andes entra em alerta
A bactéria Acinetobacter baumannii entrou recentemente na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de prioridades críticas. O hantavírus também é monitorado por autoridades sanitárias devido ao potencial de gravidade da doença.
No caso do vírus Andes, pesquisadores destacam um diferencial raro: ele é o único hantavírus conhecido com possibilidade de transmissão entre pessoas. A taxa de mortalidade da síndrome cardiopulmonar causada pelo hantavírus pode chegar a 50% em casos com comprometimento respiratório grave.
Expansão de roedores preocupa cientistas
Especialistas alertam que o avanço das mudanças climáticas pode expor populações a doenças até então incomuns em determinadas regiões.
Além disso, cientistas investigam se o aumento da circulação de roedores transmissores pode favorecer novos surtos em áreas urbanas e periurbanas, ampliando os desafios para os sistemas de saúde pública.
Os pesquisadores defendem que o monitoramento ambiental e o acompanhamento das populações de roedores serão fundamentais para reduzir riscos e antecipar possíveis surtos nos próximos anos.