Ministério da Saúde amplia ações voltadas a vítimas de violência

Além das ações voltadas à saúde mental e reconstrução dentária, a pasta também busca incluir o feminicídio na Classificação Internacional de Doenças

, em Uberlândia

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (05) uma série de ações que serão ampliadas pelo SUS, voltadas à proteção e ao cuidado com mulheres em situação de violência. Entre as medidas anunciadas estão a oferta de teleatendimento em saúde mental, a criação de um programa de reconstrução dentária para vítimas de violência doméstica e a proposta de incluir o feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

vítimas de violência
Ministério da saúde aprova ações para ampliar proteção e cuidado a vítimas de violência – Crédito: Laudemiro Bezerra/Ministério da Saúde/Reprodução

As iniciativas foram apresentadas pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como parte das ações do Governo Federal no mês de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Segundo ele, o objetivo é tornar o SUS uma rede cada vez mais preparada para acolher vítimas.

Segundo a pasta, de 2011 a 2024 foram notificados 2,1 milhões de casos de violência contra a mulher no SUS. Violência física foi a com maior número de registros, ultrapassando os 1,5 milhão. Na sequência, com maior número de casos, está violência sexual (331.523), violência moral e psicológica (248.077) e violência financeira/econômica (7.049).

Novidades no SUS

Teleatendimento psicológico

Uma das novidades para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social é o serviço de teleatendimento psicológico, que começa ainda em março nas cidades de Recife e Rio de Janeiro e deve ser ampliado para municípios com mais de 150 mil habitantes em maio.

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A expectativa é que, a partir de junho, esteja disponível em todo o país, com cerca de 4,7 milhões de atendimentos psicológicos por ano. O acesso poderá ser feito por meio de Unidades Básicas de Saúde (UBS), serviços da rede de proteção ou diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital.

O atendimento funciona da seguinte maneira:

  • 1º atendimento: é feita uma avaliação de risco e rede de apoio, além de articulação com a UBS;
  • Acompanhamento: são realizados 8 atendimentos, avaliação contínua de risco e estímulo ao atendimento presencial;
  • Encerramento: discussão de caso com a UBS e possibilidade de mas 8 atendimentos.

Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica

A medida faz parte da política de saúde bucal Brasil Sorridente. O programa de reconstrução dentária vai garantir tratamento odontológico integral e gratuito, incluindo próteses, implantes e restaurações. Para ampliar o atendimento, o governo prevê a distribuição de 500 impressoras 3D e scanners odontológicos que serão usados em unidades móveis.

Feminicídio pode se tornar classificação de doenças

O Ministério da Saúde encaminhou à Organização Mundial da Saúde (OMS) um pedido para que o feminicídio passe a ser reconhecido como categoria específica na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

Atualmente, mortes de mulheres motivadas por violência de gênero costumam ser registradas apenas como agressão. A proposta busca melhorar o monitoramento dos casos e fortalecer políticas públicas de prevenção.

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Leia Mais

Durante o anúncio, o ministério também confirmou a realização de um mutirão nacional de saúde da mulher nos dias 21 e 22 de março, com exames, consultas especializadas e cirurgias para pacientes do SUS.

A mobilização deve envolver hospitais universitários, institutos federais e unidades da rede pública e privada parceiras do sistema.