‘Diarreia explosiva’ já matou duas pessoas; veja o alimento que está por trás do surto
Autoridades investigam a ligação entre o maior surto de ciclosporíase nos EUA e uma alface contaminada. Entenda os sintomas e saiba como reduzir o risco
As duas primeiras mortes relacionadas ao maior surto de ciclosporíase já registrado nos Estados Unidos aumentaram o alerta sobre a doença, que provoca intensa diarreia aquosa, conhecida como “diarreia explosiva”.
A infecção, causada pelo parasita Cyclospora, já soma mais de 6,7 mil casos confirmados no país, enquanto outras 11,5 mil notificações seguem sob investigação. As vítimas morreram no estado de Michigan e, segundo as autoridades, tinham doenças preexistentes que podem ter sido agravadas pela infecção e pela desidratação provocada pela doença.
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Embora a ciclosporíase raramente leve à morte, o aumento dos casos levou as autoridades a investigar a origem do surto. A principal hipótese é de que a contaminação esteja relacionada ao consumo de alface iceberg produzida no México.
Alface está no centro da investigação
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, investiga uma possível ligação entre o surto e alfaces de operações da empresa Taylor Farms, no centro do México.
Apesar da suspeita, as autoridades afirmam que outras possíveis fontes de contaminação continuam sendo analisadas.
A empresa iniciou um recall voluntário de produtos. Ao mesmo tempo, consumidores diminuíram a compra de alfaces e saladas embaladas diante da incerteza sobre quais alimentos podem estar contaminados.
O que é a ciclosporíase?
A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora. Os sintomas costumam aparecer entre dois dias e duas semanas após a ingestão de alimentos contaminados.
Os principais sinais são:
- diarreia aquosa intensa (“diarreia explosiva”);
- cólicas abdominais;
- náuseas;
- perda de apetite;
- fadiga;
- perda de peso.
Sem tratamento, a doença pode durar semanas e provocar desidratação, principal fator de risco para complicações.
Mais de 190 pessoas precisaram ser internadas
Em Michigan, considerado o epicentro do surto, já foram registrados 11.234 casos relacionados ao episódio, segundo dados estaduais. Desse total, 193 pessoas precisaram ser hospitalizadas. O condado de Wayne concentra o maior número de infecções.
Em todo o país, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) contabiliza 6.707 casos confirmados em laboratório e mais de 11,5 mil notificações suspeitas que ainda aguardam confirmação.
Quem corre maior risco?
A maioria das pessoas saudáveis se recupera sem complicações graves.
O risco de agravamento, porém, é maior para:
- idosos;
- crianças pequenas;
- pessoas com o sistema imunológico enfraquecido;
- pacientes com doenças crônicas.
Nesses grupos, a desidratação pode agravar doenças já existentes.
O que evitar consumir durante o surto
Enquanto a investigação continua, especialistas recomendam atenção redobrada ao consumo de vegetais frescos.
As principais orientações são:
- evitar, sempre que possível, saladas prontas e folhas já cortadas;
- dar preferência a pés inteiros de alface;
- descartar as folhas externas antes do consumo;
- lavar cuidadosamente frutas e hortaliças em água corrente.
Surtos anteriores de Cyclospora também já foram associados ao consumo de:
- framboesas;
- manjericão;
- coentro;
- ervilhas-tortas;
- misturas de saladas.
O jeito errado de lavar alimentos
Especialistas ainda orientam que não se deve usar sabão, detergente, água sanitária ou cloro para higienizar frutas e verduras.
Além de não eliminarem o parasita, esses produtos podem representar riscos à saúde.
O recomendado é:
- lavar bem as mãos antes do preparo;
- enxaguar frutas e verduras em água corrente;
- esfregar alimentos firmes, como pepinos, batatas e melões.
Mesmo assim, a lavagem não elimina totalmente o parasita, principalmente em folhas delicadas.
Cozinhar continua sendo a forma mais segura
Segundo o Departamento de Saúde de Michigan, cozinhar os alimentos a pelo menos 70°C elimina o parasita responsável pela doença. Também é importante evitar a contaminação cruzada, mantendo vegetais crus separados de carnes e de alimentos prontos para o consumo.
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