Consulta pública quer saber opinião sobre Semaglutida ser distribuída pelo SUS

No Brasil, cerca de 68% da população adulta apresenta sobrepeso e 31% têm obesidade; fabricante alega que medicamento pode reduzir custos com doenças crônicas associadas à obesidade

, em Uberlândia

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conetic) abriu consulta pública para saber a opinião da população e da comunidade médica sobre a inclusão da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta avalia a prescrição gratuita apenas do Wegovy 2,4mg para o tratamento de obesidade grau II e III, para pessoas com mais de 45 anos e com doenças cardiovasculares. As demais dosagens do medicamento (0,25mg, 0,5mg, 1mg, 1,7mg) não estão disponíveis na consulta.

Semaglutida pode passar a ser distribuída gratuitamente pelo SUS
Canetas de Semaglutida foi aprovada pela Anvisa no início de 2023 – Crédito: Michael Siluk/UGC/Universal Images Group/GettyImages

 A consulta pública foi aberta nesta segunda-feira (9) e vai até o dia 30. A consulta foi solicitada pela Novo Nordisk, farmacêutica fabricante do Wegovy, sob o argumento de que a adoção do medicamento pode reduzir custos de tratamento de doenças crônicas associadas à obesidade.

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A demanda e os possíveis custos

No Brasil, cerca de 68% da população adulta apresenta sobrepeso, e 31% têm obesidade. A obesidade é um problema generalizado e em ascensão. Segundo dados divulgados pela Federação Mundial da Obesidade, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com sobrepeso atualmente. Em 2030, esse número pode chegar a 1,5 bilhão.

Em maio deste ano, a Conetic recomendou a não incorporação da semaglutida ao SUS devido ao seu custo elevado. Segundo análise feita pela Novo Nordisk, o custo anual por paciente seria de R$ 34 mil, e cada um usaria o medicamento por dois anos. Assim, em 5 anos o gasto do SUS seria de R$ 3,4 bilhões a R$ 3,9 bilhões. 

A Conitec, no entanto, concluiu que os valores seriam distintos. Tendo em vista que a obesidade é uma condição de longo prazo e que a semaglutida exigiria uso permanente, a comissão estimou um custo individual de R$ 300 mil, com um total acumulado de até R$ 7 bilhões em um período de cinco anos.

Por outro lado, segundo uma pesquisa conduzida pelo Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, aproximadamente 22% dos R$ 6 bilhões investidos pelo SUS em 2019 no tratamento de doenças crônicas — o que corresponde a R$ 1,5 bilhão — estavam relacionados diretamente ao excesso de peso e à obesidade.

Precedentes

Atualmente, a semaglutida ainda não está disponível na rede pública de saúde. No entanto, um medicamento similar, a liraglutida (base de remédios como Olire e Liruz), já é empregado em alguns estados, como Goiás, Distrito Federal e Espírito Santo. Além disso, essa substância integra os protocolos de instituições de referência, como o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro (Iede), o Hospital das Clínicas e o Instituto da Criança da Universidade de São Paulo.

No primeiro trimestre deste ano, a prefeitura do Rio de Janeiro divulgou planos de incluir a semaglutida em um novo programa de combate à obesidade, com previsão de implementação a partir de 2025.

 

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O que é Semaglutida?

A semaglutida 2,4 mg, comercializada como Wegovy, é um medicamento indicado para o tratamento da obesidade ou sobrepeso quando associados a outras condições de saúde, como diabetes tipo 2 ou hipertensão arterial.

Seu mecanismo de ação ocorre em duas frentes:

  1. Regulação da Glicose – Age no pâncreas, estimulando a produção de insulina, o que ajuda a equilibrar os níveis de açúcar no sangue, beneficiando principalmente pacientes com diabetes.
  2. Controle do Apetite – Envia sinais de saciedade ao hipotálamo (área do cérebro que regula fome e metabolismo), retardando o esvaziamento gástrico. Isso prolonga a sensação de satisfação após as refeições e diminui a vontade de comer.