Rede pública de Uberlândia emite média de 56 mil atestados médicos por mês
Segundas e terças são os dias com maiores emissões de atestados médicos, segundo registros da Prefeitura; às sextas, número de pedidos cai
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A rede pública de saúde de Uberlândia emite, em média, 56 mil atestados médicos por mês, e esse volume elevado levou a Prefeitura a preparar um decreto para regulamentar a emissão do documento nas unidades municipais.
A norma, que será publicada no Diário Oficial do Município (DOM), deve restringir a entrega de atestados em casos de baixa complexidade, substituindo-os por comprovantes de comparecimento.

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Segundo a Administração Municipal, a medida não impede a emissão de atestados, mas estabelece critérios mais rígidos para evitar abusos e reduzir a pressão sobre o sistema. Pela proposta, apenas situações que realmente exigem afastamento justificariam a concessão do documento.
Os números mostram a dimensão do problema. Em 2024, foram 641.231 atestados emitidos na rede pública, média de 53.436 atestados/mês. Em 2025, até novembro, o total já chega a 625.890, reforçando a tendência de alta considerando a média de 56.463 atestados por mês.
O comportamento semanal também chama atenção: em 2025, foram 131.057 emissões às segundas-feiras e 117.103 às terças, enquanto na sexta-feira o número caiu para 90.276. A prefeitura avalia que essa concentração no início da semana sugere uso indevido e demanda por maior controle.
Setor privado sente o impacto
O impacto atinge diretamente o setor produtivo. O empresário Fábio Luiz Bertolucci, do ramo de alimentação, relata que as ausências por atestados já fazem parte da rotina.
“Temos uma média de três faltas por semana. Nesta semana, foram quatro. Já contamos que entre três e quatro colaboradores vão faltar, com atestados de dois a cinco dias. Se minha operação funciona com 20 pessoas, preciso de 25. Quem fica acaba sobrecarregado. É um desafio constante”, afirmou em entrevista à TV Paranaíba.
Para o médico João Lucas, o problema também envolve a relação entre profissional e paciente. “Se o paciente quiser agir de má-fé, muitas vezes consegue enganar o médico, que precisa confiar no que é relatado. O principal seria a conscientização: muitos abusam dessa confiança. E há casos em que o médico percebe que a justificativa não é verdadeira, mas, para evitar confronto, acaba não negando o atestado”, disse.
Ele afirma, ainda, que empresas têm procurado clínicas e hospitais para verificar a autenticidade de documentos.
O decreto da prefeitura deve detalhar como será o novo fluxo de atendimento e em que situações o atestado continuará obrigatório, especialmente em casos que envolvem risco clínico ou necessidade de afastamento.
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Situação na região
Outros municípios já começam a adotar medidas semelhantes. Desde o dia 14 de novembro, a UPA de Patos de Minas adotou um novo protocolo: apenas pacientes classificados como urgência ou emergência (níveis amarelo, laranja ou vermelho) podem receber atestado médico.