Caso de gripe aviária em Minas não atingiu granjas e já era previsto, diz Governo
De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Minas Gerais registra, em média, 700 notificações anuais de ocorrências envolvendo aves, especialmente silvestres
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O governo de Minas Gerais esclareceu, nesta quarta-feira (28), que o registro do primeiro caso de gripe aviária no estado não surpreendeu as autoridades sanitárias. Segundo explicações dadas em coletiva de imprensa, o episódio ocorreu em uma propriedade que abriga aves migratórias, o que já era considerado um risco monitorado.

O alerta veio após a confirmação da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em três aves, dois gansos e um cisne negro, encontrados mortos em um sítio na cidade de Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte.
As aves, de caráter ornamental e não destinadas ao consumo, provavelmente foram contaminadas por contato com animais migratórios que cruzam a região.
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Contexto e riscos
De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Minas Gerais registra, em média, 700 notificações anuais de ocorrências envolvendo aves, especialmente silvestres.
Por isso, o surgimento da doença em locais que recebem essas espécies era visto como uma possibilidade concreta.
O caso em Minas difere da ocorrência registrada no Rio Grande do Sul, onde a gripe aviária atingiu diretamente uma granja comercial, gerando maior preocupação quanto ao abastecimento de aves e ovos.
Em território mineiro, por enquanto, não há registro de contaminação em criadouros comerciais.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforçou que situações como essa são consideradas naturais, já que o Brasil está na rota migratória de aves que transitam entre os hemisférios Sul e Norte.
“É algo que continuará acontecendo com animais silvestres durante essas rotas”, declarou.
Ações imediatas e reforço na vigilância
Diante da confirmação da gripe aviária, o governo mineiro publicou, na terça-feira (27), um decreto de emergência sanitária animal, com o objetivo de agilizar medidas de contenção e prevenção.
A diretora-geral do IMA, Luiza Castro, ressaltou que a chegada da notificação é um sinal de que o sistema de vigilância do Estado é eficiente. “Principalmente em um caso como este, que envolve uma ave de vida livre, que é de identificação mais difícil”, avaliou.
Com o caso confirmado, o governo passou a tomar medidas para conter a disseminação do vírus a partir da propriedade onde houve o registro.
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“Nosso trabalho está voltado para evitar que essa circulação viral não chegue às aves comerciais. Esse é o ponto no qual tomamos todas as nossas medidas de vigilância, mas isso já é a rotina do trabalho da defesa agropecuária: rastreio, vigilância e garantia de que a circulação viral não vai impactar na produção avícola do estado de Minas Gerais, o que temos muita segurança de que está funcionando plenamente”, enfatizou.
Entre as ações adotadas estão:
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Instalação de barreiras físicas, como telas, para impedir o acesso de aves silvestres às granjas.
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Intensificação da fiscalização sanitária nas propriedades comerciais próximas.
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Reforço nos protocolos de biosseguridade, como higienização de veículos e uso rigoroso de equipamentos de proteção pelos funcionários.
O proprietário do sítio afetado também foi orientado a adotar medidas adicionais, como melhorar as estruturas que evitem a aproximação de aves migratórias.
Aumento global dos casos
Especialistas do setor agropecuário explicam que, desde 2018, o vírus da gripe aviária passou por mutações que aumentaram sua capacidade de disseminação, afetando não apenas aves silvestres, mas também, em vários países, plantéis comerciais.
No Brasil, o primeiro caso da doença foi registrado em maio de 2023, no Espírito Santo, em uma ave silvestre. O cenário se agravou no último dia 16, quando houve a confirmação do primeiro foco em uma granja no município de Montenegro (RS).
População Deve se Preocupar?
O governo reforça que não há, até o momento, risco direto ao consumo de carne de frango ou ovos, desde que os produtos sejam devidamente inspecionados.
A situação está sob controle, especialmente porque o caso mineiro ocorreu em animais de vida livre, sem relação com a produção comercial.
O alerta permanece para que criadores adotem todas as medidas sanitárias recomendadas e que qualquer situação suspeita com aves seja prontamente notificada às autoridades, através dos canais oficiais do IMA e do Ministério da Agricultura.