Carga mental feminina cresce com jornada doméstica de 21h; veja pesquisa
Estudos da OMS e do IBGE revelam que desigualdade na divisão de tarefas domésticas e pressão por rotinas perfeitas na internet impulsionam casos de ansiedade e depressão
A ideia de que mulheres conseguem equilibrar carreira, maternidade, casa e autocuidado sem prejuízos emocionais tem sido amplamente difundida nas redes sociais, mas especialistas alertam que esse padrão não corresponde à realidade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa sobrecarga está associada a maiores índices de ansiedade, depressão e exaustão feminina, especialmente em fases como a maternidade e a dupla jornada de trabalho.

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Levantamentos do IBGE indicam que mulheres brasileiras dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados com a família, quase o dobro do tempo registrado entre os homens, que somam cerca de 11,7 horas semanais.
Essa diferença, somada à jornada profissional, contribui para um acúmulo de funções que ultrapassa o trabalho formal e se estende ao ambiente doméstico, gerando impacto direto na saúde mental e na qualidade de vida.
Redes sociais e padrões irreais de rotina
O ambiente digital tem sido apontado como um fator de intensificação dessa pressão. Rotinas idealizadas, com alto nível de produtividade e organização constante, reforçam a percepção de que é necessário “dar conta de tudo” sem falhas.
Para a psicóloga Bruna Maiani, esse modelo cria uma expectativa difícil de sustentar no cotidiano.
“O mito da mulher que dá conta de tudo gera culpa constante. Mesmo quando ela faz muito, sente que nunca é suficiente”, afirma.
Segundo a especialista, a comparação com conteúdos editados nas redes sociais amplia a sensação de inadequação e contribui para o esgotamento emocional.
Carga mental feminina e impactos na saúde
O acúmulo simultâneo de responsabilidades profissionais, domésticas e familiares resulta no que especialistas definem como carga mental — um estado de sobrecarga contínua que afeta concentração, produtividade e bem-estar emocional.
De acordo com a OMS, mulheres apresentam índices mais elevados de transtornos como ansiedade e depressão em comparação aos homens, especialmente em períodos de maior demanda familiar e profissional.
Esse cenário também pode repercutir nas relações pessoais, com aumento do estresse, irritabilidade e sensação de exaustão persistente.
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Pressão por desempenho constante
A lógica de alta performance, amplificada por redes sociais e ambientes de trabalho, reforça a ideia de que é necessário manter produtividade contínua em todas as áreas da vida.
Bruna Maiani destaca que essa exigência não é sustentável no longo prazo.
“Não é sustentável viver em alta performance o tempo todo. A mulher precisa de espaço para falhar, descansar e redefinir prioridades sem culpa”, conclui.
Mesmo com avanços na participação feminina no mercado de trabalho, a redistribuição das tarefas domésticas ainda ocorre de forma lenta, mantendo um desequilíbrio estrutural que impacta diretamente a saúde mental.
Em casos de sofrimento emocional contínuo, a orientação é buscar acompanhamento profissional em saúde mental.