Câncer ligado ao 11 de Setembro chega a 57 mil casos 25 anos depois; veja por que números sobem

Exposição à poeira tóxica, envelhecimento da população afetada e novas inscrições no programa ajudam a explicar o avanço dos casos

, em Uberlândia

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Vinte e cinco anos depois dos atentados de 11 de Setembro, as consequências para quem esteve exposto à poeira e à fumaça do Ground Zero continuam aparecendo. O número de casos de câncer certificados pelo programa de saúde criado para acompanhar essas pessoas chegou a 57.044 nos Estados Unidos, quase 20 vezes o total de mortes registradas no dia dos ataques.

Os dados são do World Trade Center Health Program, programa federal dos Estados Unidos que acompanha bombeiros, policiais, socorristas, trabalhadores, moradores, estudantes e outras pessoas expostas à contaminação após o colapso das Torres Gêmeas.

O levantamento mais recente conta com dados até 30 de junho de 2026. Somente nos 12 meses anteriores, foram registradas 10.393 novas certificações de câncer.

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11 de Setembro
O local dos atentados de 11 de Setembro, em Nova York, tornou-se um dos principais pontos de exposição à poeira e a substâncias tóxicas após o colapso das Torres Gêmeas – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Câncer se torna principal doença certificada

O câncer passou a ser a condição de saúde com o maior número de certificações no programa.

Para efeito de comparação, no mesmo período foram registradas 1.553 certificações de refluxo gastroesofágico e 1.410 de sinusite crônica.

O crescimento também é expressivo quando analisado ao longo dos anos. Na última década, o número de certificações de câncer aumentou cerca de 912%, segundo cálculos feitos a partir dos dados oficiais.

Análises que utilizam 2015 como ponto de partida, quando havia 3.204 casos, apontam uma alta ainda maior, próxima de 1.680%.

Número de casos entre civis supera o de socorristas

Dos 57.044 casos de câncer certificados, 28.131 correspondem a “responders”, grupo que inclui bombeiros, policiais, socorristas e trabalhadores envolvidos na recuperação da região.

Outros 28.913 casos são de “survivors”, categoria que reúne moradores, funcionários e estudantes expostos em Lower Manhattan.

Com isso, pela primeira vez, o número de casos entre civis ultrapassou o registrado entre os profissionais que atuaram diretamente no local dos ataques.

Quais são os tipos de câncer mais comuns?

Entre os participantes vivos do programa, os tipos de câncer mais frequentes são:

  • Câncer de pele não melanoma: cerca de 18.380 casos;
  • Câncer de próstata: cerca de 13.170;
  • Câncer de mama feminino: cerca de 4.830;
  • Melanoma: cerca de 3.860;
  • Linfoma: cerca de 2.560.

O programa também registra crescimento de tipos considerados menos comuns, incluindo tumores do timo e cânceres neuroendócrinos.

Por que os casos continuam aumentando 25 anos depois?

Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o crescimento das certificações mesmo duas décadas e meia após os ataques. Um deles é o período de latência. Alguns tipos de câncer podem levar muitos anos para se desenvolver após a exposição a determinados agentes.

No Ground Zero, trabalhadores e moradores ficaram expostos a uma mistura de substâncias presentes na poeira e na fumaça, incluindo amianto, benzeno e metais pesados.

Outro fator é o envelhecimento da população exposta. A maioria dos participantes do programa tem atualmente entre 50 e 70 anos, faixa etária em que diversos tipos de câncer se tornam mais frequentes.

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Programa já reúne mais de 145 mil pessoas

O número de diagnósticos também cresce à medida que mais pessoas passam a integrar o programa.

Criado em 2011, o World Trade Center Health Program já conta com mais de 145 mil inscritos, mais que o dobro do número registrado nos primeiros anos de funcionamento.

Pesquisas realizadas pelo próprio programa identificaram taxas elevadas de alguns tipos de câncer entre bombeiros expostos, incluindo tumores de tireoide, próstata e determinados tipos de câncer do sangue, em comparação com as taxas observadas na população geral dos Estados Unidos.

Um impacto de saúde que continua 25 anos depois

O World Trade Center Health Program oferece monitoramento e tratamento gratuitos para doenças relacionadas à exposição ocorrida após os atentados.

Atualmente, cerca de dois terços dos participantes têm pelo menos uma condição de saúde certificada pelo programa.

As quase 3 mil mortes ocorridas no dia dos ataques continuam sendo a principal marca da tragédia de 11 de Setembro. Os dados de saúde, porém, mostram que as consequências também se estenderam pelos anos seguintes.

Vinte e cinco anos depois, o aumento das certificações de câncer revela um impacto que continua sendo acompanhado nos Estados Unidos e que pode permanecer por décadas entre as pessoas expostas à contaminação do Ground Zero.