Brasil sobe de 18º para 12º em pesquisas clínicas e pode atrair R$ 2,1 bilhões por ano
Lei sancionada em 2024 e regulamentada em 2025 estabeleceu novos prazos para aprovar estudos com medicamentos e tratamentos
O Brasil subiu da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial de pesquisas clínicas, entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Com regras mais claras para aprovar esses estudos, o país busca atrair investimentos de bilhões de reais e aumentar a participação de pacientes em testes de novos medicamentos e tratamentos.
A mudança acontece após a criação da Lei da Pesquisa Clínica (Lei 14.874/2024), sancionada em maio de 2024 e regulamentada pelo governo federal em outubro de 2025. A legislação estabeleceu prazos para as análises éticas e sanitárias, com o objetivo de tornar o processo de autorização dos estudos mais previsível.
A Interfarma projeta que o Brasil possa alcançar a 10ª posição no ranking mundial nos próximos anos. Para isso, a expectativa é atrair mais de R$ 2 bilhões por ano em investimentos no setor.
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O que são pesquisas clínicas e por que elas importam?
Pesquisas clínicas são estudos realizados com voluntários para avaliar se medicamentos, vacinas, procedimentos e outras intervenções de saúde são seguros e eficazes. É uma etapa importante para que novos tratamentos possam ser aprovados e disponibilizados à população.
Antes de chegar aos testes em seres humanos, uma substância normalmente passa por estudos de laboratório e outras avaliações pré-clínicas. Depois, os pesquisadores acompanham os efeitos do tratamento em grupos de participantes, seguindo protocolos específicos.
Para os pacientes, participar de uma pesquisa pode representar a possibilidade de receber um tratamento experimental e ter acompanhamento médico durante o estudo. Isso não significa, porém, que o medicamento será necessariamente eficaz ou melhor do que as opções já disponíveis.
Os estudos precisam respeitar critérios científicos e éticos, e a participação deve ser voluntária, com informações claras sobre os riscos, os benefícios e as condições da pesquisa.
O que mudou com a Lei da Pesquisa Clínica?
Antes da Lei 14.874/2024, as pesquisas clínicas eram reguladas principalmente por normas do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A nova legislação criou um marco legal específico para a atividade no Brasil.
Entre as mudanças estão a criação do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e a definição de prazos para a análise dos protocolos.
A lei estabeleceu os seguintes limites:
- Até 30 dias úteis para a avaliação ética, conforme as regras aplicáveis;
- Até 90 dias úteis para a análise da Anvisa, nos casos sujeitos a essa avaliação;
- Organização dos procedimentos de aprovação, com possibilidade de análises simultâneas;
- Garantias relacionadas à proteção dos participantes e à continuidade do tratamento após o estudo, conforme as condições previstas na legislação.
Os prazos não significam que toda pesquisa será aprovada automaticamente ao fim desse período. Pedidos de esclarecimento, recursos e outras etapas previstas nas regras podem influenciar a duração do processo.
A expectativa é reduzir atrasos e dar mais previsibilidade a pesquisadores, instituições de saúde e empresas interessadas em desenvolver estudos no país.
Como a mudança pode beneficiar os pacientes?
A realização de pesquisas clínicas depende de infraestrutura, equipes especializadas, centros de pesquisa e regras que ofereçam segurança aos voluntários e aos responsáveis pelos estudos.
Quando o processo de autorização é mais previsível, o Brasil pode se tornar mais competitivo para receber pesquisas internacionais. Isso pode ampliar as oportunidades de participação de pacientes brasileiros em estudos de novos medicamentos e terapias.
A possibilidade de acesso a um tratamento experimental, entretanto, depende da existência de pesquisas adequadas para cada doença, dos critérios de inclusão definidos pelos pesquisadores e da disponibilidade de vagas nos centros participantes.
A legislação também prevê garantias aos voluntários, incluindo assistência e cuidados relacionados à pesquisa nos termos estabelecidos pelas regras aplicáveis. A participação não deve ser confundida com a oferta irrestrita de qualquer medicamento experimental.
Brasil pode movimentar bilhões com pesquisas clínicas
Além dos possíveis benefícios para os pacientes, a expansão dos estudos pode movimentar a economia. Os investimentos abrangem atividades como contratação de profissionais, realização de exames, utilização de centros de pesquisa e compra de serviços especializados.
Segundo estimativas da Interfarma, caso o Brasil alcance a 10ª posição mundial, poderá atrair cerca de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos relacionados às pesquisas clínicas.
A projeção da entidade também aponta para um impacto econômico de aproximadamente R$ 6,3 bilhões por ano e potencial de beneficiar cerca de 286 mil pacientes. Esses números são estimativas associadas ao cenário projetado, e não resultados já alcançados.
Entre as empresas que investem em pesquisa no país está a Roche, que anunciou planos de destinar cerca de R$ 590 milhões por ano a atividades de pesquisa, incluindo estudos relacionados a doenças como Alzheimer, Parkinson e câncer.
Brasil tenta ganhar espaço na disputa global
A posição no ranking indica que o país melhorou sua participação no cenário internacional de pesquisas clínicas, mas a manutenção desse avanço depende de outros fatores além da legislação.
A disponibilidade de centros de pesquisa preparados, a formação de profissionais, a capacidade de recrutamento de voluntários e a estabilidade das regras também influenciam a escolha dos países onde os estudos serão realizados.
Com a nova legislação e a regulamentação concluída em 2025, o Brasil busca reduzir obstáculos administrativos e atrair uma parcela maior dos investimentos globais em desenvolvimento de tratamentos.
O desafio agora é transformar a melhora no ambiente regulatório em mais estudos realizados no país, oportunidades para os pacientes e avanços concretos na área da saúde.
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