Zema levará ao Senado pedido de impeachment de Alexandre de Moraes

Governador de Minas anuncia ida a Brasília para protocolar impeachment de Alexandre de Moraes após revelação de mensagens com banqueiro do caso Master

, em Uberlândia

O pedido de impeachment de Alexandre de Moraes será apresentado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Segundo o político, ele irá a Brasília na próxima segunda-feira (9) para protocolar o pedido no Senado. A iniciativa será apresentada ao lado de integrantes da bancada do Partido Novo na Câmara dos Deputados.

Zema leva ao Senado pedido de impeachment de Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes teria sido procurado por Daniel Vorcaro justamente no dia da prisão do banqueiro, segundo mensagens vazadas na mídia – Crédito: Pozzebom/Agência Brasil

A decisão ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro do Supremo Tribunal Federal e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas vieram a público recentemente e passaram a ser citadas por aliados de Zema como elemento central para o pedido de afastamento do magistrado.

Segundo o Partido Novo, a troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro foi preso. Para Zema, que já se apresenta como pré-candidato à Presidência da República, a situação levanta questionamentos sobre a conduta do ministro e exige uma resposta institucional.

O governador afirmou que ministros da Suprema Corte devem manter postura irrepreensível diante da sociedade. Em declaração enviada por assessores, Zema disse que Moraes não teria condições de continuar no cargo após a revelação do conteúdo das conversas e defendeu que magistrados do STF estejam sujeitos aos mesmos princípios de transparência e responsabilidade que se aplicam a qualquer cidadão.

Nos últimos meses, o chefe do Executivo mineiro tem intensificado críticas à atuação de ministros da Corte. Em sua avaliação, o país precisa enfrentar o que classificou como “uma cultura de autoridades consideradas intocáveis” dentro das instituições.

80 pedidos de impeachment

Os ministros do Supremo Tribunal Federal acumulam um total de 80 pedidos de impeachment no Senado desde 2021. Alexandre de Moraes é o maior alvo com 46 ações, o que representa 59,7% dos pedidos em tramitação. Na sequência, aparecem Gilmar Mendes (13), Dias Toffoli (10), Edson Fachin (5), Cristiano Zanin (3), Luiz Fux (2) e Kassio Nunes Marques (1). Até hoje, nenhum pedido de impeachment foi aprovado pelo Senado contra ministros do STF.

 

 

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Impeachment de Alexandre de Moraes ganha força após revelações do caso Master

As mensagens divulgadas apontam que Vorcaro teria procurado Moraes por telefone no dia em que foi detido. No contato, o empresário relatou que buscava alternativas para lidar com a situação envolvendo o banco. A resposta do ministro, segundo as informações disponíveis, teria sido enviada em modo de visualização única, o que dificulta identificar o conteúdo.

Outro ponto mencionado por Zema envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo teria valor estimado em cerca de 129 milhões de reais.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador afirmou que a soma dessas circunstâncias reforça a necessidade de investigação e de uma análise do Senado sobre a permanência do ministro no Supremo.

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Partido Novo organiza ofensiva política em Brasília

A apresentação do pedido de impeachment de Alexandre de Moraes ocorrerá durante agenda política organizada pelo Partido Novo. A coletiva está marcada para a tarde de segunda-feira, em frente à Presidência do Senado, e será conduzida pelo senador Eduardo Girão.

Na ocasião, parlamentares da legenda também devem anunciar novas medidas relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master. Entre elas, estão iniciativas legislativas e representações formais destinadas a ampliar as investigações sobre o caso.

O partido afirma que tem liderado ações no Congresso e no sistema de Justiça para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao banco e a autoridades citadas nas investigações.

Críticas ao Senado e novas ações políticas

Além do pedido de impeachment, integrantes do Novo pretendem apresentar uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A alegação é de que a presidência da Casa não estaria cumprindo o papel de analisar pedidos de afastamento de ministros do Supremo nem avançando na instalação de uma comissão parlamentar para investigar o caso Master.

Segundo o partido, o senador Eduardo Girão também foi responsável pela proposta de criação de uma CPI sobre o tema, que reuniu apoio expressivo entre parlamentares.

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Debate com o STF aumenta tensão política

A movimentação de Zema ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o governador mineiro e integrantes do Supremo Tribunal Federal. Nesta semana, o ministro Gilmar Mendes reagiu a críticas feitas pelo chefe do Executivo estadual à Corte.

Durante sessão, Mendes afirmou que Minas Gerais enfrenta dificuldades financeiras e citou decisões judiciais do próprio STF como responsáveis por permitir a continuidade da gestão fiscal do estado. Na avaliação do ministro, o governo mineiro depende de liminares concedidas pela Corte para manter sua sustentabilidade financeira.

O magistrado também criticou o tom das declarações do governador e citou uma passagem bíblica para responder às críticas feitas ao Supremo.

Mesmo diante da reação de ministros da Corte, aliados de Zema afirmam que o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes surge como resposta à indignação diante das revelações envolvendo o caso Master. Nos bastidores da pré-campanha presidencial do governador, a avaliação é de que a iniciativa não teria motivação eleitoral, mas sim institucional.

A apresentação do pedido no Senado deverá marcar um novo capítulo no embate político entre integrantes do Executivo estadual, parlamentares do Partido Novo e membros do Supremo Tribunal Federal.