Ronaldo Caiado é a aposta do PSD na corrida presidencial

Partido oficializa nome de Ronaldo Caiado após desistência de Ratinho Jr. e deixa Eduardo Leite de fora, ampliando debate interno sobre rumo eleitoral

, em Uberlandia

O PSD decidiu lançar Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A oficialização foi feita na tarde desta segunda-feira (30), em São Paulo, consolidando o nome do governador de Goiás como a principal aposta da legenda para a corrida ao Palácio do Planalto.

Ronaldo Caiado
Caiado era filiado ao União Brasil e deixou a legenda ainda em janeiro deste ano – Crédito: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

A escolha do Partido Social Democrático ocorre após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., que era considerado um dos nomes mais competitivos dentro do partido. Com sua saída, Ronaldo Caiado ganhou espaço e se tornou a alternativa mais viável para representar o PSD no cenário nacional.

Durante o anúncio da pré-candidatura, Caiado afirmou que o Brasil “não suporta mais viver” em um ambiente polarizado. “A polarização é sustentada por um projeto político por aqueles que se beneficiam dela. Ela pode ser desativada por alguém que não faz parte dela, e é o que eu pretendo fazer. […] Eu vim com o objetivo de pacificar o Brasil”, declarou.

Durante o discurso, o Governador de Goiás também declarou que seu “primeiro ato vai ser exatamente a anistia ampla, geral e irrestrita”, algo que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Ronaldo Caiado vira escolha do PSD em meio a rearranjo político

A definição por Ronaldo Caiado é resultado de um rearranjo interno no PSD, que precisou redefinir sua estratégia após perder seu principal nome para a disputa presidencial. Nesse contexto, o partido avaliou diferentes cenários antes de consolidar a candidatura.

Entre as alternativas, o nome do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ganhou força. Filiado à legenda no ano passado, ele surgiu como uma possibilidade diante do vácuo deixado por Ratinho Jr.

Ainda assim, a avaliação de interlocutores foi de que Ronaldo Caiado apresenta maior estabilidade política em seu estado, com uma base consolidada e alto nível de aprovação. Já Eduardo Leite enfrenta desafios regionais, especialmente na tentativa de viabilizar um sucessor no Rio Grande do Sul, além de lidar com disputas internas e perda de protagonismo dentro do partido.

Eduardo Leite reage e critica cenário de polarização

Após a decisão, Eduardo Leite se manifestou por meio de um vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (30). Sem confrontar diretamente a escolha do partido, ele demonstrou frustração com o rumo adotado. No pronunciamento, afirmou que respeita a decisão do PSD, mas indicou discordar do caminho escolhido. Segundo ele, o Brasil vive um momento de cansaço diante de disputas marcadas por extremos e há uma demanda crescente por mais equilíbrio, sensatez e respeito no debate público.

Leite destacou que recebeu apoio de diferentes setores da sociedade ao longo dos últimos dias e defendeu a construção de um projeto político baseado no diálogo e na conciliação. Para ele, a decisão do partido tende a manter o ambiente de polarização, o que, em sua avaliação, limita o avanço do país.

Mesmo sem candidatura formalizada, afirmou que seguirá atuando politicamente e que sua trajetória não se encerra com a definição interna do PSD. Disse ainda que continuará defendendo um caminho de centro, com foco em soluções práticas e na redução de conflitos políticos.

 

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Quem é Ronaldo Caiado

A escolha de Ronaldo Caiado leva para o centro da disputa presidencial um nome com longa trajetória política e forte identidade ideológica. Natural de uma família tradicional de Goiás, ele é herdeiro de uma linhagem que ocupa espaços de poder no estado há gerações, ligada tanto à política quanto à grande propriedade rural.

Essa origem moldou sua atuação pública. Ronaldo Caiado nunca foi um outsider e construiu sua carreira dentro das estruturas tradicionais da política brasileira, mantendo presença constante em partidos do campo conservador.

Sua projeção nacional começou no fim dos anos 1980, quando se destacou como liderança ruralista. À frente de movimentos ligados ao setor, tornou-se uma das vozes mais firmes na defesa da propriedade privada e na oposição à reforma agrária, consolidando uma imagem que o acompanha até hoje.

A rivalidade com Luiz Inácio Lula da Silva também é um dos traços marcantes de sua trajetória. Os dois se enfrentam politicamente desde a eleição presidencial de 1989, quando estiveram em lados opostos. Décadas depois, seguem como adversários, com trocas frequentes de críticas e visões divergentes sobre o país.

Ao longo dos anos, Ronaldo Caiado passou por diferentes partidos, sempre alinhado à direita, até chegar ao PSD, onde encontrou espaço para viabilizar sua candidatura ao Planalto. A mudança recente de legenda foi decisiva para destravar seu projeto nacional, diante das dificuldades que enfrentava em sua sigla anterior.

Em abril do ano passado, Caiado esteve na TV Paranaíba, onde falou sobre sua pré-candidatura e a possibilidade de compor uma chapa com o então governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Veja a entrevista:

Desafio nacional e força regional de Ronaldo Caiado

Atualmente no comando do governo de Goiás, Ronaldo Caiado construiu uma base política sólida e acumula altos índices de aprovação no estado. Essa força regional é o principal trunfo de sua candidatura. O desafio, no entanto, é ampliar esse capital político para além das fronteiras goianas. Ainda pouco conhecido em outras regiões do país, ele terá que aumentar sua presença no debate nacional e conquistar eleitores fora de sua base tradicional.

Com discurso firme em temas como segurança pública, forte ligação com o agronegócio e posicionamento crítico à esquerda, Ronaldo Caiado tenta se consolidar como uma alternativa dentro do campo conservador. A entrada oficial na disputa marca o início de uma nova fase para o governador, que agora busca transformar sua força local em competitividade nacional em um cenário eleitoral que, até o momento, segue dominado por nomes mais conhecidos do eleitorado brasileiro.