Simões vê possível palanque com Flávio e Zema em Minas
Governador trabalha para unir a direita em Minas na disputa à reeleição, o que inclui aliança com o senador Cleitinho, hoje líder nas pesquisas
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Em seu primeiro de quatro dias de agendas oficiais em Uberlândia, que se tornou temporariamente capital simbólica do Estado pela primeira vez na história, o governador Mateus Simões (PSD) disse ser possível dividir espaço em seu palanque durante a campanha à reeleição com os presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL). Simões trabalha para que a direita caminhe unida em Minas Gerais e, portanto, vê como natural a possibilidade de abrigar dois candidatos a presidente da mesma corrente.
“Aqui em Minas já fizemos isso em outras vezes. Em meu palanque vai estar a direita e a centro-direita toda. Eu vou estar defendendo a candidatura do Zema, e os senadores que eventualmente tiverem comigo vão estar defendendo a candidatura de Flávio, e nós vamos caminhar, porque no segundo turno federal vamos estar todo mundo junto”, disse Simões durante participação ao vivo no programa Balanço Geral, da TV Paranaíba, nesta quinta-feira (26). “A gente só não pode abrir mão da unidade aqui em Minas”, completou, frisando que tem mantido proximidade com dirigentes do PL no estado.

Simões lembrou da conversa que teve com Jair Bolsonaro em Minas 10 dias antes da prisão do ex-presidente. Na ocasião, Bolsonaro pediu ao então vice-governador que deixasse uma das vagas na chapa de senador para seu partido, o PL. “Meu primeiro candidato a senador é Marcelo Aro, meu secretário de Governo; a segunda vaga está reservada como o presidente Bolsonaro pediu”.
A estratégia de manter a direita unida passa ainda pelo entendimento com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que desponta na liderança de todas as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, apesar de ainda não ter batido o martelo sobre a pré-candidatura ao governo de Minas. A articulação nos bastidores, no entanto, deu uma estremecida nos últimos dias depois que o governador subiu o tom e declarou que o Republicanos deveria se preocupar mais em explicar escândalos de seus dirigentes do que tentar administrar o estado, numa referência ao presidente da legenda citado no esquema de desvios do INSS.
Perguntado se essa polêmica poderia dificultar uma aliança com o senador republicano, Simões afirmou que segue apostando no entendimento. “Minhas conversas com o Cleitinho são muito tranquilas […] Ele é um parlamentar essencial para Minas Gerais, está no meio do mandato como senador e eu tenho certeza de que, como ele é muito vocal, fala as coisas, ele tem muito para fazer lá [no Senado]. O que tenho dito para ele é que precisamos estar juntos para a gente não correr o risco de voltar aqueles que destruíram o estado antes”, disse. “Vou continuar conversando até o final para convencê-lo de que eu, Nikolas [Ferreira, deputado federal do PL] e ele juntos resolvemos o problema do risco do PT voltar para o poder, mesmo que disfarçado como eles estão tentando”, completou.
Aliança “maluca”
O risco a que o governador se referiu diz respeito à possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSD) sair candidato ao governo de Minas com o apoio do presidente Lula (PT). Pacheco deve deixar o PSD nos próximos dias – o mais provável é que se filie ao PSB. Conversas de bastidores que chegaram à mídia esta semana apontaram a especulação de uma eventual aliança entre Pacheco e Aécio Neves (PSDB) na disputa ao governo, tendo o senador como cabeça de chapa. Questionado sobre essa movimentação, Simões classificou a eventual aliança de “maluca”.
“Acho muito curioso que a gente esteja unificando em Minas Gerais o candidato do Lula com o Aécio. O Aécio perdeu a eleição pra Dilma. Agora vai juntar com o Lula em Minas Gerais pra tentar tomar o governo? Todo o respeito ao deputado Aécio e o que ele fez como governador e seu histórico, e todo o respeito ao senador Rodrigo Pacheco, um homem sério, gosto muito dele. Mas, gente, representar o projeto do PT em Minas é andar pra trás. Não é possível que vai juntar essas pessoas. Tá virando uma coligação maluca de gente que a gente achava que estava aposentado da política e de repente aparece de novo, juntando inimigos antigos”.
O governador permanecerá em Uberlândia até domingo, cumprindo agendas oficiais na primeira etapa de regionalização do governo. Ao todo, 19 cidades devem receber o título simbólico ao longo dos próximos meses.