Jaques Wagner, líder do governo no Senado, entra na mira da PF
Operação da Polícia Federal encontrou US$ 49 mil em endereço ligado a Jaques Wagner e ampliou apurações sobre supostas vantagens investigadas no caso Banco Master
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A apreensão de US$ 49 mil em espécie durante uma operação da Polícia Federal colocou novamente o nome do senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro de uma investigação que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras ligado ao Banco Master. A quantia, encontrada em um endereço vinculado ao senador em Brasília nesta quinta-feira (18), corresponde a aproximadamente R$ 250 mil na cotação atual.

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A ação ocorreu durante a nona fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações buscam esclarecer se o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas em troca de atuação política em temas de interesse do banco.
Segundo a decisão judicial que embasou as medidas, a Polícia Federal aponta a existência de uma relação antiga e próxima entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, considerado um dos principais nomes ligados ao grupo investigado e também alvo da operação deflagrada nesta quinta (18). Para os investigadores, o vínculo de confiança entre ambos teria criado um ambiente favorável para negociações reservadas envolvendo interesses privados do Banco Master.
As suspeitas analisadas pela PF se concentram em três frentes principais. A primeira envolve a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. A segunda trata de transferências financeiras que teriam beneficiado empresas ligadas ao núcleo familiar do senador. Já a terceira está relacionada a possíveis atuações parlamentares em pautas consideradas estratégicas para o Banco Master.
Jaques Wagner e o apartamento investigado
De acordo com a decisão assinada por André Mendonça, mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Jaques Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima informações sobre uma unidade residencial no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Posteriormente, segundo a investigação, operadores financeiros ligados ao grupo teriam sido acionados para conduzir a compra do imóvel.
Os investigadores sustentam que a aquisição formal foi realizada por uma empresa que, em tese, teria sido utilizada para ocultar o verdadeiro beneficiário da operação. A decisão também menciona que tratativas relacionadas ao imóvel continuaram mesmo após fases anteriores da Operação Compliance Zero.
Outro elemento destacado pela PF envolve mensagens trocadas meses depois da negociação inicial. Os diálogos analisados indicariam movimentações relacionadas a alterações e projetos do apartamento, o que reforçou as suspeitas sobre a ligação do imóvel com os investigados.
Em nota, a defesa de Augusto Ferreira Lima afirmou considerar as diligências desnecessárias e declarou que o empresário está à disposição das autoridades há cerca de seis meses para prestar esclarecimentos. Ainda segundo a manifestação, as medidas adotadas pela PF deverão demonstrar que os fatos investigados são lícitos.
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Repasses financeiros estão entre os focos da apuração
A investigação também cita transferências para a BN Financeira Ltda., empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Conforme a decisão, a Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada por uma empresa ligada ao grupo de Augusto Ferreira Lima.
Além disso, planilhas encontradas durante as apurações registrariam pagamentos que, segundo os investigadores, estariam relacionados a pessoas próximas ao senador. A PF considera esses elementos relevantes para entender a origem e a finalidade dos recursos movimentados.
Possível atuação política é analisada pela PF
A terceira linha investigativa envolve supostas ações parlamentares em temas de interesse do Banco Master. Entre os assuntos citados na decisão estão discussões relacionadas ao crédito consignado, propostas envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e movimentações ligadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Na avaliação preliminar apresentada pela Polícia Federal, as mensagens encontradas durante as investigações sugerem que havia interlocução frequente entre os envolvidos sobre pautas estratégicas para a instituição financeira.
Apesar das suspeitas levantadas pela investigação, a decisão do STF ressalta que as medidas adotadas possuem caráter cautelar e visam preservar provas, impedir interferências nas apurações e evitar o alinhamento de versões entre os investigados.
9ª fase da Operação Compliance
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, nesta quinta-feira (18).
Além das buscas, a decisão judicial prevê medidas cautelares contra os investigados, como a proibição de contato entre eles e, em alguns casos, a suspensão de passaportes. Segundo a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
PT manifesta apoio ao senador
Após a operação, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou nota em defesa de Jaques Wagner. Segundo ele, o partido apoia a apuração completa dos fatos, mas mantém confiança de que o senador conseguirá esclarecer as acusações.
Na manifestação, Edinho afirmou que a sociedade tem o direito de conhecer a verdade sobre os fatos investigados e declarou acreditar que Jaques Wagner demonstrará sua inocência ao longo do processo.
As investigações seguem em andamento e ainda não há conclusão definitiva sobre as suspeitas analisadas pela Polícia Federal.
*Matéria com informações do Poder 360