Geração Z derruba governo búlgaro após onda de protestos
Depois de Nepal, Sri Lanka e Madagascar, jovens ativistas forçam renúncia do governo búlgaro em movimento que se consolida como força política global
O primeiro-ministro da Bulgária, Rosen Zhelyazkov, renunciou na noite de quinta-feira (11) após semanas de protestos em massa liderados pela Geração Z . A queda do líder búlgaro marca a primeira renúncia de um governo europeu provocada pela pressão do ativismo jovem e ocorre poucas semanas antes da prevista entrada do país na zona do euro, em 1º de janeiro.

A renúncia da coalizão minoritária, liderada pelo partido de centro-direita Gerb, foi anunciada minutos antes de uma votação de moção de desconfiança no Parlamento. Zhelyazkov justificou a decisão: “Nossa coalizão se reuniu, discutimos a situação atual, os desafios que enfrentamos e as decisões que devemos tomar com responsabilidade”.
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Razões da crise do governo búlgaro
Os manifestantes búlgaros, em sua maioria jovens, tomaram as ruas de Sófia, capital do país, e dezenas de outras cidades, focando em dois pontos principais:
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Corrupção generalizada: o país enfrenta, há vários governos, problemas com corrupção. Faixas em Sófia exibiam “Bulgária jovem sem máfia”;
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Política econômica: o governo apresentou controverso projeto orçamentário para 2026, que previa aumento nas contribuições para a seguridade social e nos impostos sobre dividendos.
Zhelyazkov reconheceu o caráter do movimento. “Não se trata de um protesto social, mas sim de um protesto por valores […], une diferentes componentes da sociedade búlgara”. A oposição, por sua vez, exige “eleições justas e livres”, afirmando que a renúncia é um passo para o país se tornar “europeu normal”.
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Na Bulgária, a manifestação em Sófia, com a maior parte dos jovens com slogans como “a Geração Z está chegando”, terminou em confrontos violentos com a polícia e dez detenções.
O presidente búlgaro, Rumen Radev, que havia pedido a renúncia do governo, agora deve iniciar o processo constitucional para tentar formar uma nova administração, ou nomear um governo interino até que novas eleições possam ser realizadas.
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A Geração Z como força política global
O ativismo de rua da Geração Z emergiu como uma força política global para desafiar a corrupção, o autoritarismo e a desigualdade econômica. Com domínio digital, esses jovens têm organizado movimentos que resultaram em mudanças significativas em vários lugares.
O caso da Bulgária não é isolado. O movimento segue a esteira de outras manifestações juvenis que já levaram à queda de governos em países como Nepal, Sri Lanka, Bangladesh e Madagascar.
Além disso, protestos liderados pela Geração Z continuam a pressionar e gerar abalos em governos de diversas outras nações, incluindo:
- Sérvia – manifestações contra autoritarismo e políticas governamentais;
- Filipinas – ativismo voltado a questões climáticas e corrupção;
- Peru – protestos recorrentes em meio à instabilidade política e corrupção;
- México – forte presença em debates sobre justiça social e reformas;
- Indonésia – mobilizações contra possíveis esquemas de corrupção.