Fim da escala 6×1: proposta avança na Câmara e chega à CCJ

Encaminhada pelo presidente da Câmara, a PEC do fim da escala 6x1 começa a tramitar na CCJ e reacende o debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil

, em Uberlandia

O fim da escala 6×1 deu um passo decisivo no Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos PB), informou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar a admissibilidade da matéria. A movimentação coloca novamente no centro do debate uma das principais demandas históricas da classe trabalhadora brasileira.

 

Fim da escala 6x1 vai para CCJ do congresso
– Crédito: Reprodução/Wikimedia Commons

A proposta em análise é a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que extingue o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso e fixa a jornada semanal em até 36 horas. Pelo texto, a nova regra passaria a valer 360 dias após a publicação da emenda. Atualmente, a Constituição permite jornadas de até oito horas diárias e 44 horas semanais.

Fim da escala 6×1 entra em nova fase no Congresso

Além da proposta de Erika Hilton, a CCJ também vai analisar outra PEC que propõe o fim da escala 6×1, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). As duas matérias tramitam apensadas e preveem a redução da jornada semanal para 36 horas, com a possibilidade de compensação de horários e ajustes por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho. A diferença está no prazo de vigência, já que a proposta de Lopes estabelece um período de transição de até dez anos após a promulgação.

Caso a CCJ considere as propostas admissíveis, o texto seguirá para uma comissão especial, onde o mérito será debatido de forma mais ampla antes de eventual votação em plenário. A expectativa é de que o fim da escala 6×1 avance ainda no primeiro semestre, conforme compromisso assumido pelo presidente da Câmara.

Em declarações públicas, Hugo Motta afirmou que o envio à CCJ permitirá ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade. Segundo ele, a discussão precisa ocorrer com equilíbrio e responsabilidade, levando em conta as transformações tecnológicas e os impactos econômicos. O presidente da Câmara também destacou que o Brasil não pode ficar para trás diante das mudanças no mundo do trabalho.

 

Impasse anterior e pressão da base governista

O debate sobre o fim da escala 6×1 já havia sido travado na Comissão de Trabalho ao longo do segundo semestre de 2025, mas terminou em impasse. O relator da matéria à época reconheceu a legitimidade das reivindicações sindicais, porém defendeu a manutenção do modelo 6×1, com redução gradual da carga horária semanal para 40 horas e incentivos fiscais às empresas.

A proposta enfrentou forte resistência de deputados da base do governo, que obstruíram a votação e apresentaram pedidos de vista. Parlamentares afirmaram que não aceitariam a manutenção da escala 6×1 nem qualquer hipótese de redução salarial, o que acabou paralisando a análise do relatório. Diante do cenário de divergência, Hugo Motta decidiu assumir o protagonismo do tema e anunciou que daria prioridade à pauta neste ano.

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Debate ganha peso político e social

Com a transferência das propostas para a CCJ, o fim da escala 6×1 passa a integrar oficialmente a lista de prioridades legislativas do governo. A expectativa é de que a nova etapa destrave o debate e permita a construção de um texto que concilie os interesses dos trabalhadores, do setor produtivo e do Parlamento.

A análise da admissibilidade será o primeiro teste político das PECs. Se superada essa fase, o Congresso terá pela frente uma discussão de mérito que promete mobilizar centrais sindicais, empresários e especialistas, colocando novamente em pauta os rumos da jornada de trabalho no país.