Fim da escala 6×1 pode avançar após carnaval com projeto do governo

Governo prepara envio de projeto com urgência constitucional ao Congresso para extinguir a jornada 6x1 sem redução salarial

, em Uberlandia

O fim da escala 6×1 deve ganhar novo impulso no Congresso Nacional logo após o carnaval. Segundo o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, o governo federal pretende enviar um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a jornada de seis dias de trabalho por apenas um de descanso, sem redução salarial.

Governo deve enviar projeto para o fim da escala 6x1, diz líder
Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) – Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A proposta, de acordo com o parlamentar, é tratar o fim da escala 6×1 como uma prioridade política. Ao ser enviado com urgência constitucional, o projeto obriga a Câmara dos Deputados a votar o texto em até 45 dias, o que acelera o debate e amplia a pressão sobre o Parlamento. Para Lindbergh, essa estratégia coloca a discussão no centro da agenda nacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reforçou a defesa do fim da escala 6×1 na mensagem enviada ao Congresso durante a abertura do ano legislativo. Lula afirmou que não considera justo que trabalhadores enfrentem uma semana inteira de trabalho pesado com apenas um dia para descanso físico, mental e convivência familiar.

“Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, destacou o presidente.

O debate sobre o fim da escala 6×1 já avança no Legislativo, mas em ritmos diferentes. No fim do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o encerramento desse modelo de jornada, e o texto está pronto para análise no plenário da Casa. Na Câmara, a discussão ainda tramita em comissões, o que, segundo o líder do PT, pode tornar o processo mais lento.

Lindbergh Farias avalia que a apresentação de um projeto do Executivo tem mais força política do que propostas em tramitação isolada. Para ele, esperar a análise completa nas comissões pode atrasar um debate que, segundo suas palavras, já é exigido pela sociedade como prioridade.

A resistência ao fim da escala 6×1, reconhece o parlamentar, vem principalmente de entidades patronais. Ainda assim, ele acredita que é possível superar as críticas. Lindbergh comparou o momento atual a outros avanços históricos nas relações de trabalho que, no passado, também enfrentaram forte oposição, como a criação do salário mínimo e do décimo terceiro salário.

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Aprovação do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça

No Senado, o tema avançou de forma significativa em dezembro de 2025. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, sem corte de salários. A proposta foi aprovada por votação simbólica e agora aguarda deliberação do plenário.

O relator da matéria, senador Rogério Carvalho, destacou que a redução da jornada ocorreria de forma gradual. No primeiro ano após a aprovação, o limite semanal cairia para 40 horas. Nos quatro anos seguintes, haveria redução progressiva de uma hora por ano até alcançar as 36 horas semanais.

Em seu parecer, Rogério Carvalho argumentou que a jornada 6×1 está associada ao aumento do risco de acidentes de trabalho, à queda na qualidade das atividades desempenhadas e a danos à saúde física e mental dos trabalhadores. Segundo ele, a mudança pode beneficiar trabalhadores, famílias e também empregadores, ao estimular a economia e melhorar o bem-estar social.

O senador também citou a mobilização social em torno do tema. Nos últimos meses, manifestações nas redes sociais passaram a questionar o modelo de trabalho considerado exaustivo. Desse movimento surgiu a iniciativa Vida Além do Trabalho, que defende alterações na legislação para garantir equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Com o envio do projeto do governo ao Congresso, o fim da escala 6×1 deve se consolidar como um dos principais debates do primeiro semestre, reunindo interesses do Executivo, do Legislativo e da sociedade em torno de uma mudança estrutural nas relações de trabalho no país.