Entrevista: Mateus Simões garante duplicação da BR-365 até Patrocínio

Em entrevsita ao Portal Paranaíba Mais, Mateus Simões ainda falou sobre o Lote Noroeste, que tem leilão previsto para março, e composição para disputar a eleição

, em Uberlândia

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A duplicação do trecho da BR-365 entre Uberlândia e Patrocínio deve iniciar ainda no primeiro semestre de 2026, com duas frentes de trabalho atuando simultaneamente a partir de cada município. A informação foi dada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD), durante entrevista ao programa Fala Povo, da TV Paranaíba nesta segunda-feira (9). Segundo Simões, o Estado que já tem a concessão deste trecho da rodovia fará um aporte de valores à EPR Triângulo, responsável pela concessão do trecho.

“Nossa decisão foi sentar com a operadora e vamos fazer um aporte grande de quase R$ 50 milhões – são mais de R$ 50 milhões o acordo todo -, para que ela possa começar a duplicação, em vez de iniciar no ano 8, que era a previsão que estava no contrato, começar a duplicação esse ano. Então, assim que a chuva acabar, a gente começa a ter obras de duplicação, tanto na saída Uberlândia-Patrocínio, quanto na saída Patrocínio-Uberlândia. Acho que isso é merecido, porque o trânsito ali é muito forte, e também vai mostrando para as pessoas o que está avançando na questão do pagamento do pedágio”, disse.

Mateus Simões em entrevista à Rádio Educadora FM
Mateus Simões durante entrevista à Rádio Educadora FM – Crédito: Walace Torres/Paranaíba Mais

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Por ser uma obra de longo prazo, a intenção é que aconteçam liberações sucessivas de trechos duplicados já no primeiro ano de trabalho. Mateus Simões afirmou que o lançamento da duplicação só será anunciado oficialmente pelo Estado a partir do início efetivo das obras.

Mateus Simões diz: “A gente só comemora a obra depois que a obra começa”

“No Governo do Estado, nós temos uma tradição. A gente só comemora a obra depois que a obra começa. Então, apesar do dinheiro já estar separado, eu quero as máquinas da EPR na pista antes da gente fazer comemoração de início de obra. Uerlândia é traumatizado com isso, eu também sou, obra que já foi comemorada 20 vezes e que não foi feita. Então, eu prefiro deixar para soltar foguete na hora que tiver caminhão parado e trator trabalhando”, disse.

Ainda sobre a BR-365, Mateus Simões comentou sobre o trecho que vai de Patrocínio, passa por Patos de Minas e segue até Montes Claros e que ainda é de competência do Governo Federal. Este trecho faz parte do Lote Noroeste e ainda não foi concedido. Há um acordo entre o Estado e o Ministério dos Transportes para que Minas assuma a responsabilidade, como já acontece no trecho entre Uberlânida a Patrocínio. Inclusive, o Estado já anunciou para março o leilão do Lote Noroeste, o que levou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a questionar essa concessão, uma vez que o acordo ainda não foi oficializado.

“O DNIT está falando que tem um projeto para duplicação, só que ele nunca nos mostrou ter dinheiro para duplicar [o trecho Pato a Montes Claros]. Se ele tiver, falei que basta um ofício, aliás, pode ser uma mensagem de WhatsApp que eu receber do ministro dizendo que ele vai pôr o dinheiro para duplicar, que eu derrubo o leilão no dia seguinte. O Estado não tem interesse nenhum em pedagiar uma estrada que vá ser duplicada com o dinheiro federal. Agora, se não for isso, melhor que a gente tenha a concessão, porque eu preciso dessa via duplicada”, afirmou.

Mateus Simões fez um comparativo entre os trechos de rodovias federais que foram concedidos ao Estado e trechos que ainda estão sob o controle do Governo Federal, e citou o exemplo da MC-452 entre Uberlândia a Araxá [já concedido] e da BR-262 no Triângulo Mineiro [sob a responsabilidade da União]. “Nas duas rodovias você paga pedágio, só que na nossa [rodovia] tem asfalto, na do Governo Federal só tem buraco”, disse.

“E eu falo isso com tranquilidade porque essa BR-262 é a rodovia que matou meu pai e minha mãe num acidente de carro e meu irmão mais velho em outro acidente. Então, eu sei a falta de cuidado do Governo Federal com aquela rodovia. Eu não quero isso para Patos de Minas nem para o Noroeste. Se as pessoas acham que é melhor deixar na mão do Governo Federal, como eu disse, se o governo falar que tem o dinheiro, eu abro mão imediatamente, em que pese a minha experiência com rodovias pedagiadas federais ser muito ruim”.

Mateus Simões afirmou ainda que as obras do Anél Viário Sul de Uberlândia serão concluídas e liberadas ainda no primeiro semestre deste ano, e que o trecho só não ficou pronto ainda por conta das chuvas.

Durante a visita à TV Paranaíba, nesta segunda, o Paranaíba Mais também conversou com o vice-governador sobre outros assuntos, como a interrupção da ponte na divisa entre MG e SP e sobre eleições 2026. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Entrevista Mateus Simões

O senhor acha possível o Governo do Estado assumir também o trecho da BR-262 no Triângulo Mineiro, e duplicar de Uberaba até Nova Serrana?

Mateus Simões – A gente chegou a discutir isso quando o Governo Federal trocou a operadora, porque eles falam que não há trânsito suficiente entre Bom Despacho e Araxá e Uberaba, na verdade, para a duplicação. Agora, a contagem de tráfego que eles fizeram foi durante a pandemia. É o fim do mundo você fazer uma contagem de trâfego durante a pandemia. Eles se comprometeram com a gente de fazer uma nova contagem de tráfego agora, na virada desse ano. Se eles não fizerem, no ano que vem eu vou voltar nesse assunto, porque ela faz com que o Triângulo e Belo Horizonte sejam apartados.

Eu falei isso esse final de semana para alguém que me perguntou. Não tem como a gente pensar que o Triângulo possa se integrar mais com a capital se você não consegue chegar na capital, porque a rodovia federal que faz a ligação é péssima e é de pista única. Então, a gente precisa disso como uma forma de integração. A gente tem essa impressão boba de que a ligação do Triângulo com São Paulo é uma ligação cultural. Não. É uma ligação logística. É mais fácil chegar em São Paulo do que chegar em Belo Horizonte. É por isso que as pessoas recorrem a São Paulo ao invés de recorrer a Belo Horizonte.

A gente precisa trabalhar nessa duplicação e isso, para mim, é uma meta. Meta de vida, porque eu sou daqui. Então, não é possível a gente continuar partindo o Estado no meio. Isso, para mim, é uma ferida. Ferida mesmo, aberta… Eu já tinha assumido o compromisso de que, no ano que vem, o Governo Federal não tendo assumido a duplicação, eu quero conversar sobre a possibilidade da gente estadualizar esse trecho, ainda que ele esteja concedido, a gente estadualiza o contrato e põe dinheiro para fazer essa duplicação.

 

Ainda sobre a questão de infraestrutura, como é que fica a reforma da ponte que está interditada na divisa com São Paulo, no Rio Grande? São Paulo diz que é competência de Minas, e Minas diz que é responsabilidade de São Paulo.

É loucura, né? Essa ponte está construída há mais de 20 anos, foi construída pela usina. Quem passa ali vê que a usina é do lado realmente. Mas ela teve uma última grande reforma há 28 anos atrás, também pela usina. E ninguém percebeu que ela não tem dono. Então, a usina, quando quer mexer, vai lá e mexe. Então, ela fez a ponte há 50 anos atrás, depois reformou a ponte há quase 30 anos atrás. Mas nem o DNIT, nem o DER São Paulo, nem o DER Minas Gerais são donos daquela ponte.

Falei que eu não quero saber quem é dono não, mas nós vamos assumir o problema. Então, eu que interditei, eu contratei, o Governo de Minas já contratou a perícia e nós vamos pagar o reparo. E, depois, eu mando uma conta para o Tarsísio [de Freitas, governador de São Paulo] para ele pagar pelo menos metade dessa despesa, porque essa despesa não pode ser só de Minas. Mas a gente não pode esperar mais não. São 45 dias para a perícia estar pronta, se fosse um reforço estrutural, e a gente já pôs os primeiros mergulhadores para olhar, a gente quase imediatamente consegue fazer o encapsulamento dos dois pilares, que são dois pilares pertinho de São Paulo que romperam.

E a gente consegue liberar a ponte parcialmente, porque eu já quero reformar também, quero refazer a pista em cima porque a situação ali tá muito precária pra quem passa sobre o centro da ponte. Mas temos que aguardar a avaliação. Agora, se tiver que implodir uma seção, aí talvez demore um pouco mais [pra liberar a ponte]. Mas eu tô otimista. Os mergulhadores entraram e não viram nada pra baixo da linha d’água, porque esse é o problema. Você vê só o que tá pra cima. A nossa pesquisa é o que tá pra baixo e os mergulhadores disseram que parece que ela está íntegra para baixo.

 

O senhor disse que deve assumir o governo entre março e abril, com a saída do governado Romeu Zema. Até lá, como é que estão as negociações em termos de composição de uma chapa para disputar o Governo do Estado?

Eu estou muito tranquilo porque eu tenho comigo o partido do governador, o Novo, e o PSD, que é o meu partido. Então, os dois partidos juntos representam 20% do tempo de TV, já é uma boa largada junto com os partidos que estão conosco já há muito tempo, como é o Podemos, Solidariedade, PRD, Democracia Cristã.

Mas eu estou muito confiante que o acordo que foi feito comigo pelo União Brasil e pelo PP há quase um ano atrás, pelos presidentes Ciro Nogueira e Antônio Rueda, e pelos presidentes estaduais, vai ser cumprido. Eu separei esses dois partidos porque houve um movimento na semana passada de afirmação de que esses partidos deixariam a minha composição para lançar como candidato o senador Rodrigo Pacheco. Bom, Pacheco passou a semana inteira dizendo que não é candidato, não é candidato, não é candidato, está nos jornais hoje. Eu não tenho por que nem acreditar que ele está mentindo, nem tenho por que achar que eu vou ser traído pelos presidentes nacionais de dois grandes partidos.

Então, acredito que a gente continua com uma frente que inclusive tem como candidato ao Senado o secretário Marcelo Aro. Essa é a base. Tem uma conversa muito avançada com o PL. Bolsonaro, antes de ser preso, pediu pessoalmente para mim, foi me visitar em Belo Horizonte, pediu que eu reservasse uma vaga para um senador do PL. Essa vaga está reservada, tanto que em nenhuma entrevista minha eu cogito um segundo senador que não seja indicado pelo PL. Foi isso que me foi pedido e é isso que eu estou pronto para fazer. Minhas conversas com o Nikolas [Ferreira, deputado federal pelo PL] andam também muito bem, com o presidente Domingos Sábio [presidente estadual], com o deputado Zé Vitor, que vai assumir a presidência, com o deputado Zé Santana, que é o presidente de honra.

Então, estou muito tranquilo na conversa com o PL. Com os Republicanos, do senador Cleitinho, é uma conversa que anda menos, porque acho que o Cleitinho ainda não decidiu se ele quer ser candidato ou não. Eu tenho insistido com ele que melhor seria se a gente andasse juntos. Nós sempre tivemos do mesmo lado na política. Não acho que tenha motivo para a gente se dividir agora. Eu vou estar no cargo, faz mais sentido para mim, ele está no meio do mandato dele. Mas respeito o momento e a decisão dele.

Nem estou tocando nesse assunto nos últimos dias, ele está com um problema de saúde grave na família, está dedicado a isso, tem minhas orações para que tudo ande bem lá, para que a gente possa retomar essa unificação da centro-direita. Isso acontecendo, não tem espaço para outras candidaturas aqui em Minas Gerais, porque o PT não volta a governar o Estado, eu sei disso.

 

A chapa seria composta com o vice de outro partido, provavelmente?

A minha lógica é, nós já temos hoje quatro posições: dois senadores, governador e vice. Nós temos a decisão da cabeça de chapa comigo no PSD e de uma das vagas do Senado com o secretário Marcelo Aro, no PP. A vaga do PL no outra vaga de senador está aberta, mas eles não sabem quem é o candidato. O Caporezzo [Cristiano, deputado estadual] , que é aqui de Uberlândia, é um dos nomes cogitados, mas o nome dos deputados federais  [Eros] Biondini e do presidente Domingos Sávio são muito comentados.

O presidente Domingos Sávio me parece ser o candidato de unificação, nesse momento, pelo menos. E aí fica a discussão sobre a minha vice, que o governador Romeu Zema disse que ele gostaria de tomar a decisão e indicar a pessoa. E, claro, ele tem absoluta legitimidade para isso. Ele diz que quer tentar formar uma dupla para governar Minas Gerais parecida com a dupla que governou antes. Então, eu e ele formamos dupla, ele quer me ajudar a montar essa próxima dupla, estou esperando a decisão dele. Muita gente fala, o nome é do Novo. O nome é do governador Romeu Zema. Ele vai decidir o nome. Faz sentido que seja um nome do Novo, porque é o partido dele.

 

Há um potencial de algum nome da região do Triângulo Mineiro estar compondo com o senhor aí?

Eu acho que sim, sempre é possível. Em que pese eu ficar sempre muito sentido, porque quando falam isso, esquecem que eu sou do Triângulo. Mas a gente já tem dois do Triângulo nesse mandato atual. Se tiver dois do Triângulo depois, não tem problema não. Eu sou do Pontal do Triângulo, minha família é de Comendador Gomes, de Campina Verde. E eu morei grande parte da minha vida entre Uberaba e Araxá. Mas, ontem eu estava falando, ‘gente, quem que imaginava, hein, que ia ter um governador aqui da Campina Verde, do Comendador Gomes’, mas é possível, sim.

O Triângulo tem nomes muito importantes, históricos, que hoje estão em outros momentos da política, como é o caso de Odelmo, que deve se candidatar a deputado estadual, como foi o nome de Virgílio Galassi no passado, mas tem plena condição de ocupar essas posições. É uma questão de fazer sentido para a região também, porque quando você pega alguém para ser vice, você de alguma forma paralisa a vida política dessa pessoa. Então, o que aconteceu comigo, eu estava pronto para ser candidato a prefeito de Belo Horizonte quando o governador me puxou.

Então, isso parece um prêmio, mas muitas vezes é um congelamento da vida política da pessoa, e isso demanda entender quem está disposto a parar para viver a vida política de outra pessoa. Foi isso que eu fiz. Eu parei para ir viver o projeto político e trabalhar para o governador Romeu Zema. Então é sempre uma discussão de entender quem está pronto para estar nesse momento também, mas o Triângulo tem não só legitimidade para isso, mas como tem nomes excepcionais.

 

O senhor então vai ser o palanque natural do governador Zema em Minas durante a campanha presidencial. Como é que o senhor vê esse cenário sendo construído a partir de Minas, que sempre foi um lugar decisivo na eleição nacional?

Nós temos três candidaturas que vão se colocar, aparentemente, para a Presidência da República pelo espectro da direita e da centro-direita. Nós temos a candidatura do governador Romeu Zema, que é pré-candidato e vai levar essa candidatura adiante. O que nós temos em Minas é exatamente o que o Brasil precisa nesse momento. Nós temos a candidatura do PSD, que é o meu partido, mas que já anunciou lá na largada que em Minas Gerais o palanque é do governador Romeu Zema, que a gente defende as mesmas coisas.

Então, se o Ratinho ou o Caiado forem os candidatos pelo PSD, o que eles vão estar defendendo e o que Zema está defendendo é a mesma coisa, não faria sentido vir para cá para perturbar o palanque do governador Romeu Zema. Então, a gente vai ter uma segunda candidatura da direita com o Ratinho ou com o Caiado e, aparentemente, teremos uma candidatura do PL [Flávio Bolsonaro]. A minha ideia é que em Minas Gerais a gente pudesse ter um palanque unificado como já aconteceu em outras vezes, o meu palanque ser palanque dessa unificação.

Mas eu acho que isso hoje depende do PL, dois desses grupos já estão alinhados que em Minas Gerais o palanque é unificado, já está tranquilo para o governador Romeu Zema e está tranquilo para o PSD, seja Caiado, seja Ratinho, a gente tem que avançar nessas conversas com o PL, porque o perigo da gente rachar em Minas Gerais é a gente dar um palanque para o Lula no segundo turno aqui, que é um palanque que não existiria se a gente estivesse junto. Então, se nós estivermos juntos, no segundo turno nacional, em Minas só tem uma força na direção da eleição do candidato de oposição ao presidente Lula. Se a gente estiver separado, a gente vai criar artificialmente um palanque para o Lula, que espero que isso não aconteça.

Mateus Simões em reunião com prefeitos da Amvap
Mateus Simões durante reunião em Araguari, no fim de semana – Crédito: Dirceu Aurélio/Imprensa MG