Odelmo Leão: Teatro Municipal e uma vida política dedicada à cultura

Odelmo Leão teve ação política relevante na pasta cultural da cidade de Uberlândia

, em Uberlândia

Um sonho de Virgilio Galassi, surgiu pelas mãos de Oscar Niemeyer e terminou construído por Odelmo Leão em 2012. Um novo espaço cultural para a cidade foi pensado ainda no final dos anos 1980, quando Galassi, prefeito à época, visitou o Ministério da Cultura e teve a chance de conhecer o maior arquiteto brasileiro.

Niemeyer então pensou em uma estrutura que unisse a parte interna com a externa, podendo transformá-lo num grande anfiteatro com capacidade para mais de 20 mil pessoas.

Mas o processo não foi fácil, e se arrastou ao longo dos anos por questões orçamentárias e burocráticas. De sua concepção até o início de sua construção, se passaram oito anos. Ainda deputado, Odelmo trabalhou junto ao governo federal, ao Ministério da Cultura (MinC) e à iniciativa privada para viabilizar a continuidade das obras do espaço.

Odelmo Leão
Odelmo Leão foi prefeito de Uberlândia por 4 vezes – Crédito: Reprodução/ PMU

Ao assumir a Prefeitura em 2005, Odelmo percebeu que os prazos não poderiam mais ser prolongados, e elencou a conclusão. “A obra estava paralisada. Pra você ver quanto tempo. As ferragens estavam todas enferrujando. Não podia conviver com o abandono desse bem público, de uma obra tão relevante, de uma pessoa tão importante, que projetou para construí-lo.”

Foi necessário refazer estudos para atender normas de acessibilidade e segurança, e graças a dotações orçamentárias – conseguidas também por meio de captações fiscais – a obra passou a ganhar forma, e inicialmente a área externa foi utilizada para eventos de dança e música instrumental.

Em seu segundo mandato, Odelmo concluiu o processo de escrituração do terreno, e por determinação sua, os trabalhos eram ininterruptos, as visitas ao espaço eram constantes. Ele próprio, todos os domingos, ia até a obra para acompanhar o andamento.

Teatro Municipal de Uberlândia

O Teatro Municipal nasceu sobre uma área de 66 mil m², sendo 5 mil de área construída. Foram 150 toneladas de estrutura metálica, na sustentação e na cobertura, doadas pela Usiminas graças ao trabalho do ex-governador Rondon Pacheco, além de 2,8 mil metros de estacas pré-moldadas e 2 mil m³ de concreto armado.

Essa obra teve um significado especial, como manifestou Odelmo na época.

“Para mim é uma vitória pessoal, um dos momentos mais marcantes de toda a minha vida pública. Realmente foi uma luta de oito anos, que me exigiu enormes esforços, me custou inúmeras preocupações e até noites mal dormidas. Mas valeu a pena, não somente porque se trata de uma das últimas obras projetadas por Niemeyer, mas porque será um dos maiores e mais modernos espaços culturais do interior do Brasil, que possibilitará a Uberlândia e região receber peças teatrais e shows artísticos do mais alto nível, além de espetáculos e manifestações da cultura popular”.

 Teatro Municipal de Uberlândia
O Teatro Municipal de Uberlândia foi inaugurado em 2012 – Crédito: Reprodução/ PMU

Após 23 anos de seu projeto inicial ser esboçado, o espaço foi inaugurado em 19 de dezembro de 2012, com capacidade para 819 lugares, estacionamento para 400 vagas e projeto paisagístico. Contando com o que existe de mais moderno em iluminação e som, acessibilidade e ferramentas como elevador para orquestras, foram investidos mais de R$ 25 milhões do Município e da captação fiscal pela Lei Rouanet.

Desde então recebeu espetáculos de todos os ritmos, cores e estilos. São shows musicais, apresentações de dança, peças teatrais, enquanto a parte de fora se transformou num espaço de lazer para os dias de semana, em especial para aqueles que são praticantes de esportes como o patins e o ciclismo, ou ainda apenas para passeios em um local seguro e acessível.

A marca de Odelmo Leão

Todos os equipamentos culturais de Uberlândia foram transformados, criados ou melhorados a partir de seu trabalho, seja como deputado ou prefeito. O sonho enfim acabado do Teatro Municipal é um símbolo icônico deste comprometimento, mas não o único.

Mas, para muitos, é uma surpresa o tamanho da relação de Odelmo com a cultura local. Em Brasília, viabilizou recursos para reformas da Casa da Cultura e do Museu Municipal, e trabalhou para a realização do Festival de Dança do Triângulo.

Mais conquistas na pasta cultural de Uberlândia

Ao assumir o posto máximo no Centro Administrativo Virgilio Galassi, criou o novo espaço do Arquivo Público Municipal – que em 2024 começaria o processo de digitalização de todo seu acervo – determinou a revitalização da Oficina Cultural e a reforma da Casa da Cultura, que foi reaberta em 2007 após doze anos sem receber o público.

Odelmo também foi responsável pela restauração do coreto e do Museu Municipal na Praça Clarimundo Carneiro, além da recuperação da Igreja do Rosário – um dos mais importantes locais de nossa história e palco da Festa do Congado, reverenciada por Odelmo e que sempre contou com seu apoio irrestrito para acontecer.

Museu Municipal na Praça Clarimundo Carneiro
Museu Municipal na Praça Clarimundo Carneiro foi revitalizado na administração de Odelmo Leão – Crédito: Reprodução/ PMU

Inclusive, sua presença na praça era quase que uma lei: todos os anos participou desta festa ecumênica que graças à iniciativa de sua gestão, é avaliada pelo Governo Federal para se tornar um patrimônio histórico e cultural do Brasil.

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Em 2020, menos de um mês antes da pandemia estourar em todo o planeta, Odelmo entregou outra grande realização para Uberlândia na área da cultura. O antigo Fórum de Justiça, na Praça Jacy de Assis, inutilizado desde 2017 com a inauguração do novo prédio na avenida Rondon Pacheco, foi totalmente revitalizado e passou a ser o Centro Municipal de Cultura após cessão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Valorização da cultura

A jornada de Odelmo de valorização da cultura nunca foi tão bem difundida, por parecer incompatível com sua personalidade. Mas todos que utilizam cada canto de cultura em nossa cidade devem saber que ali, tem o trabalho dele.

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Não se trata apenas de espaços físicos restaurados ou criados, mas de vidas impactadas, histórias preservadas e de uma comunidade enriquecida por um patrimônio cultural vibrante e acessível a todos. Isso transcenderá gerações, deixando para Uberlândia um espírito de valorização à arte, à memória e à diversidade cultural.

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