“Deixa o pau torar. O crime compensa”, diz empresa após denúncia de assédio eleitoral em MG
A empresa foi denunciada por assédio eleitoral após supostamente prometer uma folga aos trabalhadores no dia seguinte à votação, caso determinado candidato fosse eleito
A resposta enviada pela empresa CP Locações & Transportes ao Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) chamou a atenção durante a investigação de uma denúncia de possível assédio eleitoral em Belo Horizonte.
Ao receber uma recomendação oficial do órgão para respeitar a liberdade de voto dos funcionários, os responsáveis pela empresa responderam com a seguinte mensagem: “Blz. Obrigado. Deixa o pau torar. O crime compensa.”
A manifestação foi citada na ação civil pública ajuizada pelo MPT na Justiça do Trabalho. Segundo o órgão, a empresa foi denunciada por supostamente prometer uma folga aos trabalhadores no dia seguinte à votação, caso determinado candidato fosse eleito presidente já no primeiro turno das eleições de 2026.

O caso chegou ao Ministério Público no dia 4 de outubro, data do primeiro turno. Antes de acionar a Justiça, o MPT recomendou que a empresa garantisse a liberdade de orientação política dos empregados e não utilizasse promessas de benefícios, pressões ou constrangimentos para influenciar o voto.
No entanto, conforme os documentos do processo, a resposta encaminhada pelos responsáveis foi considerada debochada diante da recomendação oficial. A postura, somada aos indícios de assédio eleitoral, reforçou a necessidade de intervenção judicial imediata.
A reportagem entrou em contato com a empresa em questão e aguarda um posicionamento.
Justiça determina medidas contra assédio eleitoral
Ao analisar o pedido do Ministério Público, a juíza Mariana Carvalho concedeu tutela de urgência e determinou que os responsáveis se abstivessem de qualquer prática capaz de influenciar ou manipular a orientação política e o voto dos trabalhadores.
A decisão proibiu a promessa de vantagens vinculadas ao resultado eleitoral, a propaganda político-partidária direcionada aos empregados, os questionamentos sobre intenção de voto e qualquer forma de pressão, intimidação ou constrangimento relacionado às escolhas políticas dos funcionários.
Os responsáveis também foram obrigados a remover as publicações que deram origem ao processo e divulgar um comunicado informando que os trabalhadores têm direito ao voto livre e secreto, sem retaliações ou vantagens vinculadas ao resultado das eleições.
Em caso de descumprimento das determinações judiciais, foi fixada multa de R$ 30 mil.
MPT pede indenização de R$ 150 mil
Além das medidas urgentes, o Ministério Público do Trabalho pede a condenação dos réus ao pagamento de R$ 150 mil por danos morais coletivos. O processo continua em tramitação na Justiça do Trabalho.
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Segundo o procurador do Trabalho Rafael Albernaz Carvalho, que atuava no plantão eleitoral do primeiro turno, foi necessário recorrer ao Judiciário para proteger a liberdade de escolha dos trabalhadores.
“O voto, garantido pela democracia, é um direito do trabalhador. Não cabe ao empregador influenciar essa escolha nem utilizar a relação de trabalho para pressionar trabalhadores a votar em determinado candidato”, destacou o procurador.
Minas Gerais é o segundo estado com mais denúncias
Até 9 de outubro, o MPT havia recebido 1.226 denúncias de assédio eleitoral em todo o Brasil. Minas Gerais ocupava a segunda posição no ranking nacional, com 140 reclamações.
Durante as eleições de 2026, o órgão já havia expedido 70 recomendações a empregadores para que modificassem condutas relacionadas ao processo eleitoral. Em Minas, o MPT precisou acionar a Justiça em três casos para garantir a liberdade de voto dos trabalhadores.
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O assédio eleitoral ocorre quando empregadores utilizam sua posição de poder para pressionar, intimidar, constranger ou oferecer vantagens com o objetivo de influenciar as escolhas políticas dos funcionários.
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