CPMI do INSS aprova convocação de Romeu Zema

Sessão antes do recesso amplia lista de investigados e adia depoimentos para fevereiro; a CPMI também aprovou a convocação e a quebra dos sigilos de Vorcaro

, em Uberlândia

Na última sessão antes do recesso parlamentar, a CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (4), a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aprofundando o embate político que marca os trabalhos da comissão. A decisão ocorre em meio à disputa entre base governista e oposição e insere o chefe do Executivo mineiro no centro das apurações sobre supostas irregularidades em empréstimos consignados oferecidos por empresas ligadas ao seu grupo familiar. O depoimento, porém, só deve acontecer a partir de fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades.

Governador Romeu Zema
Além de Zema, a CPMI aprovou a convocação e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, dono do Banco Master – Crédito: Sala de Imprensa Mineira/Reprodução

A articulação para levar Zema à CPMI do INSS foi apresentada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que defende que o governador esclareça a atuação da Zema Financeira na oferta de crédito a aposentados e pensionistas. Segundo o requerimento, a empresa aparece em investigações sobre consignados, tema central da comissão que apura descontos indevidos e possíveis fraudes envolvendo beneficiários do INSS.

Aliados do governador tentaram transformar a convocação em convite, argumento que evitaria obrigatoriedade no comparecimento. Eles classificaram a medida como uma “deselegância” institucional, lembrando que Zema teria se colocado à disposição para depor voluntariamente. A base governista reagiu, afirmando que a mudança serviria para “blindar” o gestor mineiro. Prevaleceu o entendimento de que a convocação formal garantiria os esclarecimentos desejados.

Em manifestação enviada à CPMI, a equipe jurídica de Zema classificou a convocação como político-eleitoral e ressaltou que o governador se desligou da administração da empresa em outubro de 2018, conforme ata registrada na Junta Comercial de Minas Gerais.

Além da convocação de Zema, a CPMI aprovou a convocação e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. As investigações apuram supostas irregularidades na concessão de consignados pela instituição.

Por outro lado, a comissão rejeitou a convocação da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e também dos CEOs do Santander, do C6 Bank e do PicPay – pedidos apresentados pela oposição, que tenta ampliar o escopo das oitivas. Com apoio do governo, os requerimentos foram derrubados.

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A CPMI ainda avalia dezenas de outros pedidos, incluindo convocações que miram o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Um segundo requerimento relacionado ao governador mineiro, que pedia a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Zema Crédito, Financiamento e Investimento S/A, também foi analisado na sessão, mas acabou rejeitado. O texto alegava que a atuação digital da empresa aumentaria o risco de fraudes envolvendo aposentados e beneficiários do INSS. A comissão, no entanto, decidiu não avançar com essa etapa.

Com a pauta cheia e o recesso à vista, os depoimentos devem ser organizados apenas em fevereiro, quando o colegiado retoma os trabalhos e define o calendário das próximas etapas da investigação.

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