CPI do Feminicídio pede Delegacia da Mulher 24h em Uberlândia

Comissão terá 120 dias para compreender casos, avaliar falhas na rede de proteção e propor medidas de prevenção na cidade

, em Uberlândia

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A Câmara Municipal de Uberlândia realizou nesta segunda-feira (16) a primeira reunião de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio, criada para investigar os casos de violência contra a mulher registrados na cidade. O grupo terá 120 dias para levantar informações, ouvir instituições e elaborar um relatório com propostas para fortalecer a proteção às mulheres vítimas de violência.

Durante a reunião, a comissão recebeu documentos e ouviu representantes de instituições ligadas à defesa dos direitos das mulheres. Entre as demandas apresentadas está a ampliação do funcionamento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para 24 horas.

Segundo Eloise Ribeiro, presidente da ONG SOS Mulher, que oferece atendimento psicossocial e orientação jurídica gratuitos às mulheres que vivenciam violência, muitas mulheres deixam de denunciar agressões por falta de atendimento fora do horário comercial.

“Uma das pautas mais exigidas é a Delegacia da Mulher 24 horas. Hoje, ela funciona apenas em horário comercial e sabemos que grande parte das ocorrências acontece no fim de semana. Muitas mulheres desistem de denunciar porque não conseguem acesso ao serviço”, afirmou.

Primeira reunião da CPI do Feminicídio na Câmara Municipal de Uberlândia discutiu falhas na rede de proteção e medidas para enfrentar a violência contra mulheres na cidade – Crédito: TV Paranaíba

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De acordo com a vereadora Liza Prado, presidente da CPI, a comissão pretende analisar possíveis falhas na rede de proteção e no atendimento às vítimas.

“Precisamos entender se há falhas na rede, como situações em que a mulher não consegue registrar um boletim de ocorrência. Também vamos discutir capacitação e educação para enfrentar o problema”, disse.

Investigação dos casos

A CPI vai analisar assassinatos de mulheres ocorridos entre 2024 e 2025, além de investigar possíveis subnotificações, falhas nas apurações e a atuação da rede municipal de acolhimento e assistência às vítimas de violência.

A vereadora Amanda Gondin, integrante da comissão, afirmou que representantes de diferentes áreas serão convocados para prestar esclarecimentos. “Essa primeira reunião serve para convocar secretários e outros responsáveis por políticas públicas. Queremos ouvir áreas como desenvolvimento social e educação, além de representantes do Judiciário, para entender o que vem sendo feito no enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou.

Entre os requerimentos aprovados estão pedidos de informações ao poder público municipal sobre políticas de saúde, educação e assistência social voltadas às vítimas de violência. Também foi solicitado à Polícia Militar de Minas Gerais um levantamento detalhado das ocorrências registradas na cidade, incluindo tipificação penal, bairros com maior número de casos e atendimentos relacionados à violência doméstica.

A comissão também aprovou convites para participação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e de representantes do Judiciário. Estão previstas ainda visitas técnicas ao Centro Integrado de Atendimento às Mulheres (CIAM) e à Casa da Mulher.

A próxima reunião da CPI foi marcada para o dia 26 de maio, às 9h, no plenário da Câmara.

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Caso recente em Uberlândia

A instalação da CPI ocorre em meio à repercussão de mais um caso de feminicídio em Uberlândia, registrado no domingo (15). A vítima, Ranielly Raissa Aparecida de Oliveira, de 31 anos, foi morta a facadas na porta de casa no bairro Maravilha. O crime foi registrado por câmeras de segurança e ocorreu na frente de crianças. O suspeito, ex-companheiro da vítima, foi preso nesta segunda-feira (16) após ser localizado no bairro Tocantins. O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.