Caiado apresenta propostas para segurança pública e fala sobre corrupção na TV Record
Candidato à Presidência falou sobre combate ao crime organizado, escolas militares, contrato de R$ 141 milhões e defendeu transparência em casos do STF
Nesta quinta-feira (17), Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência da República e ex-governador do Estado de Goiás, foi o terceiro presidenciável a participar da série de sabatinas do Jornal da Record. Durante a entrevista de 30 minutos, apresentou propostas para o combate ao crime organizado e segurança pública, respondeu questionamentos a respeito de contratos suspeitos firmados enquanto governava Goiás e comentou sobre a crise no STF.

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Caiado apresenta propostas para a segurança pública
Logo no início da sabatina, Ronaldo Caiado foi questionado sobre um dos pontos mais incisivos de sua campanha eleitoral: a segurança pública. O jornalista Eduardo Ribeiro perguntou ao candidato como sua experiência no Estado de Goiás poderia nortear as políticas de segurança de um eventual governo federal, principalmente no que diz respeito à autonomia dos estados.
Para o presidenciável, os governos estaduais devem ter autonomia para definir estratégias de combate ao crime, desde que sigam as diretrizes estabelecidas pela Constituição. “A autonomia dos estados foi uma peça que nós alteramos para que prevalecesse a Constituinte de 1988. Os estados têm as diretrizes gerais. O que nós mudamos é que o presidente da República vai atuar nos crimes federais”.
O ex-governador declarou que os governos estaduais estão sobrecarregados e que seria papel do Governo Federal combater crimes como o tráfico de armas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. “Na verdade o que acontece é que o Governo Federal não repassa as verbas para os presídios e nem para a segurança pública do Governo Federal”.
Caiado propôs a realização de uma estrutura chamada “Sentinela”. A proposição consiste na criação um Ministério da Segurança Pública integrado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), à Receita Federal, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à área de inteligência da Polícia FEderal. “Para fiscalizar a movimentação financeira. Qualquer alteração que aquela empresa ou cidadão entrar, ela entra em uma faixa de alerta, para imediatamente informar a polícia do estado e o secretário de Segurança. Isso faz uma varredura. Vamos mapear empresas fraudulentas”.
Além disso, o candidato também prometeu construir 40 novos presídios “com scanners corporais”, como forma de conter a população carcerária. Além disso, prometeu criar uma polícia em parceria com todos os países que fazem fronteira com o Brasil, em um acordo chamado “Sul-pol” (uma polícia sul-americana). Tal iniciativa poderia permitir que autoridades de segurança do Brasil atuassem em outros países além do compartilhamento de informações.
Em seguida, o candidato foi questionado a respeito do uso de câmeras corporais por policiais, medida que Caiado se colocou contra durante toda a sua campanha. Em primeiro momento, Caído disse que cabe aos governadores decidirem sobre o uso da tecnologia. Segundo ele, o uso das câmeras pode variar de acordo com a demanda de cada um estado do país.
“Câmera corporal é uma decisão do governador, não do presidente. O que é preciso entender é que são situações distintas. Não dá para comparar uma operação na Faria Lima com uma operação em Paraisópolis. É muito difícil você ter uma pessoa com um fuzil na Faria Lima. Em Paraisópolis, é comum. E o que ele terá pela frente? Quando você entra em uma zona conturbada, ele entra em uma condição totalmente desigual. Ele entra em um lugar onde jogam granadas. E, dessa maneira, é como a polícia é recebida e tem que estar preparada para fazer a segurança das pessoas”, declarou.
“Na teoria, é muito bonito colocar, ver a câmera ali, mas quando se entra em uma zona fechada…”, concluiu.
O que respondeu ao ser questionado sobre empresa ligada ao PCC
Caiado (PSD) foi questionado sobre um contrato de R$ 141 milhões firmado pelo governo de Goiás com uma ONG cujo presidente está preso sob suspeita de lavagem de dinheiro e associação ao PCC.
Caiado afirmou que não dispõe das informações financeiras necessárias para antecipar eventuais irregularidades no contrato, e culpabilizou o Governo Federal por não disponibilizá-las. Além disso, fez uma crítica ao PT e declarou: “A conivência do governo do PT com o crime organizado é uma simbiose”. O candidato disse ainda que os contratos atualmente mantidos pelo governo de Goiás com a organização estão amparados legalmente.
Educação em um possível governo Caiado
Ao ser questionado sobre a educação, o candidato mencionou as escolas militares. “Sem excluir a escola regular e ampliando o tempo integral”, explicou fazendo referência às medidas tomadas enquanto era Governador de Goiás.
Veja sabatina na íntegra:
Caiado fala sobre crise no STF
Logo após associar Daniel Vorcaro a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ao ser questionado sobre a crise institucional enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidenciável defendeu que o presidente da Corte, Edson Fachin, abra o sigilo dos inquéritos que apuram as irregularidades do Banco Master e as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) antes do primeiro turno das eleições.
“Já fiz um requerimento, já encaminhei ao presidente Fachin, pedindo que [os casos] INSS e Vorcaro fossem abertos, isso com a minha prerrogativa de pré-candidato”. Além disso, afirmou ter atuado pela continuação do julgamento que envolve os ministros acusados de serem envolvidos com o Master.
Questionado sobre a possibilidade de a crise envolvendo o STF ter reflexos nas eleições, Ronaldo Caiado respondeu que “lógico que pode”.
O candidato afirmou que, na avaliação dele, o eleitor precisa ter acesso a informações sobre os candidatos antes da votação. “Você não pode trair a democracia. Se você não informa o que os candidatos têm de envolvimento, o eleitor vota e depois não pode recolher o voto. Isso é uma traição ao eleitor”, declarou.
Sabatinas na TV Record
Ronaldo Caiado foi o terceiro candidato à Presidência entrevistado pelo Jornal da Record nesta quinta-feira (17). A série começou na terça-feira (16), com Lula, e teve Romeu Zema como segundo entrevistado.
A programação prevê ainda entrevistas com Flávio Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (18), e com Augusto Cury (Avante), no dia 19, além de Renan Santos (Missão), no dia 22.
Cada conversa terá 30 minutos de duração.
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