Após levar bebê na Câmara durante protesto, deputada é alvo de denúncia e rebate críticas
Júlia Zanatta (PL-SC) participou de ocupação da Câmara com filha de 4 meses no colo e foi denunciada ao Conselho Tutelar; após denúncia, a deputada reagiu às críticas
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Em meio a ocupação no plenário da Câmara dos Deputados, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) tornou-se o centro das atenções ao participar de ato da oposição e chegar com bebê na Câmara durante protesto, sua filha de quatro meses. A manifestação, realizada entre os dias 5 e 6 de agosto por aliados de Jair Bolsonaro (PL), teve como foco a prisão domiciliar do ex-presidente, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF) e a pressão para pautar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
A presença da bebê no protesto gerou polêmica e resultou em uma denúncia ao Conselho Tutelar por suposta exposição de criança a ambiente de risco.
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A volta do recesso parlamentar começou em clima de tensão em Brasília. Deputados e senadores da oposição ocuparam, entre terça (5) e quarta-feira (6), as mesas diretoras da Câmara e do Senado como forma de obstruir votações e pressionar o avanço de pautas alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recentemente teve prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os momentos mais comentados da manifestação, uma cena chamou atenção. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) sentou-se na cadeira da presidência da Câmara com sua filha de quatro meses no colo. A imagem, transmitida ao vivo em seu perfil no Instagram, viralizou. Durante a transmissão, Júlia Zanatta questionou a atuação da segurança da Casa. “Quero ver fazerem alguma coisa”, desafiou.
A ocupação dos parlamentares ocorreu na tentativa de forçar a votação do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, pressionar o impeachment do ministro Moraes e defender o fim do foro privilegiado; pautas de interesse de aliados de Bolsonaro. Parlamentares chegaram a passar a madrugada dentro do Congresso Nacional, com vídeos mostrando senadores com esparadrapos na boca e deputados dormindo sob as mesas diretoras.
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Denúncia ao Conselho Tutelar
A presença da bebê no protesto não passou despercebida. O deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, protocolou uma denúncia ao Conselho Tutelar de Brasília, pedindo apuração sobre possível exposição indevida da criança a um ambiente de instabilidade institucional e risco físico.
“A conduta da deputada suscita sérias preocupações quanto à segurança da criança”, escreveu Reimont no ofício. Segundo ele, a atitude viola os princípios de proteção integral previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Júlia Zanatta, por sua vez, reagiu com veemência às críticas. “Os que estão atacando minha bebê não estão preocupados com a integridade da criança. Eles querem é inviabilizar o exercício profissional de uma mulher usando uma criança como escudo”, afirmou nas redes. Em entrevista, a parlamentar ainda mencionou a deputada Talíria Petrone (PSOL), que já levou sua filha ao plenário. “Agora querem usar a minha filha para criar um fato. Isso é lamentável”, disse.
Reação do comando do Congresso
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentou retomar o controle da Casa na noite desta quarta-feira (6) convocando uma sessão semipresencial às 20h30 de quarta-feira. Antes disso, ameaçou com suspensão cautelar do mandato parlamentares que resistissem em desocupar a mesa. A sessão só teve início após as 22h.
Motta condenou a obstrução e afirmou que a democracia não pode ser sequestrada por interesses individuais. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também reagiu com firmeza e convocou uma sessão remota, classificando o protesto como tentativa de desestabilização institucional. “O Parlamento não será refém”, declarou.