Psicanalista se retrata após polêmica com bebê reborn e Uberlândia: “Foi só um tropeço da boca”

Após citar Uberlândia em podcast e provocar nota da Câmara Municipal, Andréa Vermont esclarece que errou ao vivo e critica reação política sobre os bebês reborn

, em Uberlândia

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A repercussão em torno dos bebês reborn ganhou novos contornos após a Câmara Municipal de Uberlândia emitir uma nota de repúdio a uma declaração da psicanalista e filósofa Andréa Vermont. Em entrevista ao podcast “Três Irmãos”, Andréa Vermont mencionou que uma prefeitura de “uma das maiores cidades de Uberlândia” teria decretado o “Dia da Mãe do Bebê Reborn”. A frase viralizou nas redes sociais e levou o Legislativo de Uberlândia a desmentir a existência de qualquer projeto nesse sentido.

Andréa Vermont
Trecho da entrevista da psicanalista e filósofa Andréa Vermont,  divulgado nas redes sociais, gerou polêmica – Crédito: Reprodução/Internet

Em resposta, Andréa Vermont se posicionou em nota, afirmando que não houve má-fé, tampouco disseminação de fake news. “Foi só um tropeço entre cérebro e boca — coisa comum quando a mente é mais rápida que a língua”, disse. Segundo ela, a intenção era citar “uma das maiores prefeituras do Brasil”, mas o nome de Uberlândia acabou escapando de forma involuntária. “Erro de fala, não de intenção”, reforçou a psicanalista.

O episódio ilustra como o debate sobre os bonecos hiper-realistas, que muitas vezes são usados em contextos terapêuticos, vem mobilizando não só a opinião pública, mas também o meio político. 

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“Não é loucura, é sofrimento”

Apesar da confusão sobre a citação, a entrevista de Andréa Vermont traz reflexões profundas sobre o fenômeno do vínculo afetivo com bonecos reborn — réplicas hiper-realistas de bebês humanos, muitas vezes tratados como filhos por adultos. Em um trecho complementar, a especialista faz uma análise do ponto de vista psicanalítico:

“Adotar um bebê reborn e tratá-lo como um filho real não é, necessariamente, um sinal de loucura, mas de um transtorno afetivo importante. Não dá pra romantizar. Esse comportamento costuma estar ligado a frustrações emocionais — perdas, lutos, vazios afetivos — e, muitas vezes, é uma tentativa simbólica de preencher aquilo que a realidade não conseguiu dar conta.”

Andréa Vermont conclui que o fenômeno merece mais compreensão do que julgamento: “O boneco é só a ponta visível de algo mais profundo: o desejo de amar sem se machucar, de cuidar sem ser frustrado. E isso, infelizmente, diz muito mais sobre a cultura em que vivemos do que sobre quem segura o boneco.”

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Repercussão política

A repercussão também provocou reações no meio político. O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), que tem base em Uberlândia, aproveitou o caso para anunciar a intenção de protocolar um projeto de lei em Minas Gerais que proíba o atendimento de bonecos reborn no sistema público de saúde.

Segundo ele, essa prática “sobrecarrega os serviços” e reflete uma tentativa de fuga da realidade. “É alarmante ver o quanto as pessoas se sentem solitárias e desconectadas”, publicou o parlamentar.