ALMG aprova uso de estatais mineiras para abater dívida com a União

Codemig e Codemge podem ser federalizadas ou privatizadas para permitir adesão ao Propag e reduzir encargos da dívida estadual, mas proposta gera debate sobre falta de garantias

, em Uberlândia

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em primeiro turno, nesta quarta-feira (25), dois projetos de lei que autorizam o governo Romeu Zema (Novo) a utilizar as estatais Codemig e Codemge como forma de abater parte da dívida com a União. As propostas integram o Programa de Pleno Pagamento (Propag), mecanismo criado para viabilizar a quitação de dívidas dos estados com a União em condições mais favoráveis.

Codemig e Codemge entram no plano de Zema para reduzir dívida estadual com a União
Codemig e Codemge entram no plano de Zema para reduzir dívida estadual com a União – Crédito: ALMG/Divulgação

Caso aprovadas em definitivo, as medidas permitirão a federalização ou até mesmo a privatização das duas companhias, responsáveis por ativos estratégicos de Minas Gerais. A Codemig, por exemplo, é sócia da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) na exploração do nióbio em Araxá, no Alto Paranaíba, recurso considerado o maior trunfo do governo estadual. Já a Codemge detém bens valiosos como o Grande Hotel de Araxá, o Parque das Águas de Caxambu e os centros de convenções Expominas.

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Redução de juros e abatimento da dívida

A proposta é que, ao transferir esses ativos à União, Minas Gerais possa abater até 20% da dívida pública, atualmente estimada em cerca de R$ 165 bilhões. Se o Estado alcançar essa meta de compensação, calculada em torno de R$ 36 bilhões, a taxa de juros sobre a dívida cairia de 4% para 2% ao ano, reduzindo significativamente os custos com os pagamentos futuros.

Tramitação e impasses

Os Projetos de Lei 3.734/2025 e 3.735/2025 foram aprovados por unanimidade em primeiro turno, mas ainda precisam passar por nova análise na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária e retornar ao plenário para votação definitiva. Não há, até o momento, data definida para o segundo turno.

Apesar da aprovação unânime, a oposição ao governador Zema expressou preocupação com a possibilidade de privatização das estatais sem garantias de retorno financeiro efetivo. O deputado estadual Professor Cleiton (PV) afirmou que os projetos não oferecem segurança de que os ativos realmente serão aceitos pela União como abatimento de dívida, conforme os critérios do Propag.

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Pressa do governo e risco de tempo hábil

O governo de Minas justifica a urgência com base na indefinição do BNDES quanto à avaliação do valor de mercado das estatais até 31 de dezembro de 2025, prazo final para adesão ao programa federal. O líder do governo na ALMG, deputado João Magalhães (MDB), defendeu que manter a possibilidade de privatização é essencial para garantir alternativas de negociação caso os ativos não alcancem o valor esperado.

O que está em jogo

  • Codemig: estatal responsável pela exploração do nióbio, principal ativo mineral do Estado, com grande valor de mercado.

  • Codemge: gestora de patrimônios imobiliários importantes, como o Grande Hotel de Araxá, o Expominas e o Parque das Águas de Caxambu.

  • Dívida estadual: cerca de R$ 165 bilhões com a União. Redução da taxa de juros de 4% para 2% depende da transferência de ativos equivalentes a 20% do total da dívida.

  • Propag: Programa federal que permite aos estados abaterem parte das dívidas públicas mediante a entrega de ativos à União.