80 anos da bomba atômica de Hiroshima: relembre a história

Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre a cidade japonesa, matando 140 mil pessoas

, em Uberlândia

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Os 80 anos da bomba atômica de Hiroshima marcam, nesta semana, uma das páginas mais trágicas da história da humanidade. Era manhã de 6 de agosto de 1945 quando a cidade japonesa foi atingida por um artefato nuclear lançado pelos Estados Unidos. Três dias depois, Nagasaki teve o mesmo destino. Ao todo, mais de 210 mil pessoas morreram naquele que é, até hoje, o único ataque nuclear em tempos de guerra. O mundo relembra o episódio que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, mas também deu início a uma era de tensão nuclear.

80 anos da bomba atômica de Hiroshima
Nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy e sobre Nagasaki (direita), após o lançamento de Fat Man – Crédito: Por George R. Caron /Charles Levy/Reprodução

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As cerimônias de memória que ocorrem nesta semana em Hiroshima e Nagasaki reúnem representantes de mais de cem países. Pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia foi convidada a participar do evento em Nagasaki. A lembrança dos ataques nucleares acontece em um momento delicado, marcado por novos conflitos globais e discursos cada vez mais agressivos, o que acende o alerta sobre o risco de repetição dos erros do passado.

Em 1945, os Estados Unidos e o Japão estavam em guerra havia mais de três anos. Depois do ataque japonês à base de Pearl Harbor, em 1941, os norte-americanos passaram a buscar uma forma de encerrar o conflito. A resposta veio com o uso de um novo tipo de arma, desenvolvido em segredo durante o chamado Projeto Manhattan.

Os ataques

No dia 6 de agosto, o bombardeiro B-29 Enola Gay, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima e lançou a bomba “Little Boy”, feita de urânio-235. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com força equivalente a 15 mil toneladas de TNT. Em segundos, a cidade foi tomada por uma bola de fogo com temperatura superior a 4.000 °C, capaz de derreter tudo ao redor. Cerca de 70 mil pessoas morreram instantaneamente. Nos meses seguintes, outras dezenas de milhares sucumbiriam às queimaduras, ferimentos e à chamada “doença da radiação”.

Três dias depois, em 9 de agosto, foi a vez de Nagasaki. A bomba “Fat Man”, de plutônio-239, foi lançada pelo bombardeiro Bockscar, explodindo a 500 metros de altura. Apesar de ser mais potente, o equivalente a 21 mil toneladas de TNT, a geografia montanhosa da cidade reduziu o alcance da destruição. Ainda assim, estima-se que 74 mil pessoas tenham morrido até o fim de 1945.

80 anos da bomba atômica de Hiroshima
Nuvem atômica sobre a cidade de Nagasaki, em 1945, quando 40% da cidade se tornou ruína – Crédito: Hiromichi Matsuda/Reprodução
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A radiação que permaneceu no ar por semanas continuou fazendo vítimas. Muitos dos que escaparam da explosão sofreram com vômitos, hemorragias, queda de cabelo e, mais tarde, desenvolveram diversos tipos de câncer. Os sobreviventes, conhecidos como hibakusha, passaram a viver com estigmas, dores crônicas e uma luta por reconhecimento e tratamento médico. Durante décadas, enfrentaram preconceito por acreditarem que carregavam doenças contagiosas ou hereditárias.

80 anos da bomba atômica de Hiroshima
Pessoas feridas, incluindo crianças, durante a guerra no Japão – Crédito: Yamahata Yōsuke

A condição de “vítima oficial” criada pelo governo japonês só beneficiava parte dos atingidos, deixando milhares sem acesso a cuidados adequados. Ainda assim, muitos hibakusha transformaram seu sofrimento em luta. A organização Nihon Hidankyo, que reúne sobreviventes das bombas e atua pela abolição das armas nucleares, foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2024.

Fim da guerra

O imperador japonês Hirohito anunciou a rendição do Japão em 15 de agosto de 1945, num discurso transmitido pelo rádio em que pediu ao povo para “suportar o insuportável”. A assinatura oficial do fim da guerra ocorreu em 2 de setembro, a bordo do navio USS Missouri.

Desde então, Hiroshima e Nagasaki se tornaram símbolos da paz e da luta pelo desarmamento nuclear. O ex-presidente dos EUA Barack Obama visitou Hiroshima em 2016, sendo o primeiro presidente americano em exercício a fazer isso, mas não chegou a pedir desculpas oficiais. Em 2019, o Papa Francisco também esteve nas duas cidades, reafirmando seu repúdio às armas atômicas.