Quem é Adriana Araújo, cantora que deixou um legado no samba mineiro?

Cantora símbolo do samba de Belo Horizonte, Adriana Araújo não resiste a aneurisma cerebral e deixa trajetória marcada por resistência, arte e ancestralidade

, em Uberlândia

Adriana Araújo morreu aos 49 anos nesta segunda feira (2), em Belo Horizonte, após sofrer um aneurisma cerebral. A cantora estava internada no Hospital Odilon Behrens desde a noite de sábado, quando passou mal em casa e desmaiou. Levada inicialmente a uma UPA, recebeu o diagnóstico de hemorragia cerebral de grande extensão e permaneceu em coma sob cuidados intensivos.

Adriana Araújo morre aos 49 e deixa legado no samba
Adriana Araújo – Crédito: @eusousabs/Reprodução/Instagram

A equipe confirmou a morte por meio de comunicado nas redes sociais. Segundo a nota, o quadro era gravíssimo e irreversível. A mensagem também descreveu Adriana Araújo como uma artista de abraço largo, sorriso fácil e generosidade rara, alguém que espalhava alegria por onde passava. A despedida marca um capítulo doloroso para o samba mineiro e para a cena cultural da capital.

Adriana Araújo construiu trajetória marcada pela comunidade e pelo samba

Nascida em 1976 na comunidade Pedreira Prado Lopes, na região da Lagoinha, Adriana Araújo cresceu em um território reconhecido como berço do samba em Belo Horizonte. Foi ali que descobriu, ainda criança, a vocação para a arte. Aluna da mestra Marlene Silva, referência na dança afro-brasileira, encontrou nas oficinas gratuitas o primeiro impulso para seguir o caminho artístico.

A cantora também participou de oficinas de teatro promovidas pela prefeitura e aprimorou a técnica vocal com o professor Athonio Marra. Antes de assumir carreira solo, integrou o grupo Simplicidade Samba ao lado de Evaldo Araújo. As rodas de domingo no Bar do Cacá se tornaram ponto de encontro para amantes do gênero e consolidaram o nome da artista na capital.

Em 2020, Adriana Araújo  decidiu trilhar caminho próprio. Durante a pandemia, subiu na laje de casa e transformou transmissões ao vivo em ato cultural e solidário. As cinco lives realizadas renderam arrecadação de recursos e doações de cestas básicas para famílias dos bairros Primeiro de Maio e São Marcos, além de apoio ao Projeto Ajudar BH. Adriana Araújo mostrou que o samba também é ferramenta de cuidado coletivo.

LEIA MAIS: Escolas de samba de Uberlândia agitam a Av. Balaiadas nos desfiles

Adriana Araújo ampliou a voz feminina no samba mineiro

Em 2021, lançou o álbum autoral “Minha Verdade”, reunindo composições próprias e parcerias. O disco mergulha em temas como ancestralidade, amor, negritude e maternidade, refletindo vivências pessoais e a identidade de uma mulher negra que fez da arte instrumento de afirmação.

Ao longo da carreira, Adriana Araújo subiu em palcos importantes como a Virada Cultural de BH, o Festival Sensacional e o Carnaval de Rua da capital. Também participou da Virada da Liberdade, na Praça da Liberdade, e realizou em 2024 a turnê A Voz Ecoando por cidades mineiras.

Adriana Araújo dividiu palco com nomes consagrados do samba, entre eles Leci Brandão, Fabiana Cozza, Arlindinho e Jorge Aragão. Em celebração ao Dia da Consciência Negra, apresentou-se ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais no Grande Teatro do Palácio das Artes, sob regência de Ângelo Rafael Fonseca, no projeto Concertos da Liberdade.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Entre as vozes femininas que consolidaram o samba autoral em Minas, Adriana caminhou ao lado de artistas como Manu Dias, Aline Calixto e Cinara Ribeiro. Com o espetáculo Adriana Araújo Canta Alcione, prestou tributo a uma das maiores intérpretes do país e reafirmou o protagonismo feminino no gênero.

Negra de pele retinta e orgulhosa de suas raízes, Adriana Araújo fez da própria história um manifesto. Em maio de 2025, revisitou a Pedreira Prado Lopes no quadro Favela S.A do Balanço Geral MG e falou sobre a força que tirou da comunidade para conquistar reconhecimento.

 

×

Leia Mais

Adriana Araújo deixa filhos, admiradores e uma lacuna difícil de preencher no samba mineiro. Mais do que uma voz potente, ela construiu pontes entre arte, identidade e pertencimento. O palco silencia, mas a memória permanece ecoando.

*Matéria produzida com informações do R7