O lado humano de Odelmo Leão além da política
Ex-prefeito de Uberlândia e um dos políticos mais influentes de Minas Gerais, Odelmo Leão deixa um legado de liderança, simplicidade e proximidade com a população.
A morte de Odelmo Leão, aos 80 anos, encerra uma das mais longas trajetórias da política de Uberlândia e reacende lembranças de um homem que, para muitos moradores, foi além da figura do gestor público. Ao longo de mais de quatro décadas de vida pública, o ex-prefeito construiu uma imagem marcada não apenas pelas obras e pelos cargos que ocupou, mas também pela proximidade com a população e pela forma como tratava as pessoas.
Chamado por muitos uberlandenses de “o melhor prefeito que Uberlândia já teve”, Odelmo transformou esse reconhecimento em uma marca de sua trajetória. Em uma cidade historicamente marcada por disputas políticas, reuniu admiradores de diferentes correntes ideológicas, segundo aliados e moradores, por um estilo de atuação que combinava decisões firmes e contato direto com a população.
Sua morte, provocada por parada cardíaca, gerou comoção na cidade. A Prefeitura de Uberlândia decretou luto oficial de sete dias, cancelou eventos públicos e colocou espaços municipais à disposição da família para o velório.
Mas, antes do prefeito, havia o homem.
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A infância que moldou seu jeito de ser
Nascido em Uberaba, em 26 de maio de 1946, Odelmo perdeu a mãe quando tinha apenas 2 anos. Foi criado em Uberlândia pela avó, Hilda Leão, e pelo tio, Odelmo Leão Carneiro, de quem herdou o nome.
Em entrevistas ao longo da vida, dizia que a avó havia sido sua “segunda mãe”. Atribuía a ela os ensinamentos sobre disciplina, trabalho e responsabilidade, valores que afirmou ter levado para a vida pública.
A infância foi simples. Brincava pelas ruas do Centro de Uberlândia, jogava futebol, bete e passava os dias entre amigos, em uma cidade ainda distante do polo econômico em que se transformaria décadas depois.
Também foi cedo que conheceu as responsabilidades. Aos 13 anos, começou a trabalhar como contínuo em um banco, depois de não corresponder às expectativas da avó na escola. Costumava dizer que ali começou sua “universidade da vida”.
A fé como principal bússola
Quem convivia com Odelmo sabia que havia um tema do qual ele raramente deixava de falar: Deus. Em entrevistas, relacionava suas conquistas não ao talento político, mas à vontade divina. Para ele, cargos públicos não eram objetivos pessoais. Eram missões. Acreditava que a vida seguia um propósito maior e que decisões importantes deveriam ser tomadas após reflexão e oração.
Essa visão acompanhou sua trajetória pública e pessoal.
O político que nunca planejou entrar para a política
Odelmo costumava dizer que nunca sonhou em disputar eleições. Segundo ele, a mudança aconteceu de forma inesperada. Em 1990, durante uma visita do então presidente Fernando Collor a Uberlândia, ouviu um convite para deixar a liderança do setor rural e ingressar na política. A ideia permaneceu.
Pouco tempo depois, candidatou-se diretamente ao cargo de deputado federal, sem ter exercido mandato como vereador ou ocupado outro cargo eletivo. Foi eleito entre os deputados federais mais votados de Minas Gerais. Ali começava uma carreira política que atravessaria décadas.

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Respeito conquistado antes da influência
Na Câmara dos Deputados, Odelmo presidiu a Comissão de Agricultura, liderou sua bancada por oito anos e conquistou espaço entre os parlamentares. Colegas destacavam, além da atuação política, a forma como conduzia as relações pessoais.
O próprio Odelmo dizia que liderar não era mandar, mas representar. Também afirmava que evitava votar matérias importantes sem antes ouvir os integrantes da bancada.
Essa postura contribuiu para construir uma reputação baseada no diálogo e na construção de consensos.
O prefeito que marcou a história da cidade
Embora tenha ocupado cargos em Brasília e no Governo de Minas Gerais, foi em Uberlândia que Odelmo construiu o principal legado político. Eleito prefeito pela primeira vez em 2004, governou o município por quatro mandatos, tornando-se o chefe do Executivo que permaneceu por mais tempo no cargo.
Durante esse período, sua gestão ficou associada à ampliação da infraestrutura urbana, à construção de escolas, unidades de saúde, equipamentos públicos e obras de mobilidade. Também comandou o município durante momentos como a pandemia de covid-19, epidemias de dengue e períodos de dificuldades econômicas.
Sob sua administração, Uberlândia recebeu reconhecimentos nacionais nas áreas de gestão pública, educação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Um líder que fazia questão de ouvir
Embora fosse conhecido pelo estilo firme de gestão, pessoas que trabalharam ao seu lado costumam destacar outra característica. A capacidade de ouvir.
Prefeitos da região, vereadores, empresários, produtores rurais e servidores públicos relatam que ele mantinha as portas abertas para reuniões e fazia questão de receber lideranças pessoalmente.
Esse hábito vinha desde o período como deputado federal, quando percorria cidades do interior antes de levar demandas ao Congresso Nacional. Era uma forma de atuação baseada no contato direto com a população.
A família como porto seguro
Na vida pessoal, Odelmo fazia questão de destacar o papel da família. Pai de quatro filhos, avô e bisavô, encontrava na esposa, a deputada federal Ana Paula Leão (PP), sua principal parceira.
Costumava afirmar que ela esteve ao seu lado nos momentos mais importantes da carreira e participou de decisões políticas relevantes. Também falava com frequência dos filhos e dos netos, embora dissesse que nunca incentivou que seguissem carreira política.

O homem que ficou maior que o cargo
Poucos políticos conseguem fazer com que o mandato seja apenas parte da própria história. Com Odelmo Leão, essa percepção aparece com frequência nos relatos de moradores e pessoas próximas.
Sua trajetória inclui cinco mandatos como deputado federal, quatro como prefeito de Uberlândia, além dos cargos de secretário de Estado, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e liderança do setor agropecuário.
Mas o que permanece na memória de muitos uberlandenses vai além das obras e das eleições. Está nos encontros pelas ruas, nas conversas sem formalidade e na simplicidade com que tratava moradores e servidores públicos.

Após a notícia da morte, essa percepção se repetiu em homenagens nas redes sociais e em manifestações pela cidade. Para muitos moradores, Uberlândia perdeu não apenas um ex-prefeito, mas um dos personagens que marcaram sua história.
Para ficar por dentro dos desdobramentos do falecimento de Odelmo Leão continue acompanhando o Paranaíba Mais.