Morre Franco Baresi, o zagueiro que anulou Romário na final da Copa de 1994

Capitão eterno do Milan e campeão da Copa do Mundo de 1982, o italiano morreu aos 66 anos e deixou um legado que transformou a forma de defender no futebol

, em Uberlândia

O capitão da Itália na final da Copa do Mundo de 1994 contra o Brasil, Franco Baresi, morreu na madrugada desta sexta-feira (31), aos 66 anos, em Rozzano, na Itália. Ídolo do Milan e um dos maiores defensores da história do futebol, o ex-zagueiro tratava um problema pulmonar desde o ano passado, quando passou por uma cirurgia para retirar um nódulo e iniciou tratamento oncológico com imunoterapia.

Baresi disputou 719 partidas pelo Milan entre 1977 e 1997 e conquistou seis Campeonatos Italianos, três Ligas dos Campeões e a Copa do Mundo de 1982 com a seleção da Itália.

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Franco Baresi
Franco Baresi durante sua trajetória pelo Milan, clube que defendeu entre 1977 e 1997 – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Capitão histórico do Milan

Poucos jogadores tiveram uma identificação tão duradoura com um clube quanto Baresi teve com o Milan. Revelado pelo time italiano, ele atuou pela equipe durante 20 temporadas e foi capitão por 15 anos.

Ao lado de Paolo Maldini, Alessandro Costacurta e Mauro Tassotti, formou uma das linhas defensivas mais marcantes da história do clube.

Pelo Milan, conquistou:

  • 6 Campeonatos Italianos (Serie A)
  • 3 Ligas dos Campeões
  • 2 Copas Intercontinentais
  • 3 Supercopas da Uefa
  • 4 Supercopas Italianas

Após a aposentadoria, o Milan aposentou a camisa 6, homenagem reservada a poucos jogadores do clube. Mais tarde, Baresi assumiu o cargo de vice-presidente honorário.

A final da Copa de 1994

Embora tenha sido campeão mundial em 1982, uma das atuações mais lembradas de Baresi ocorreu na final da Copa do Mundo de 1994, contra o Brasil.

Na segunda partida daquele Mundial, o zagueiro sofreu uma lesão no menisco e passou por uma artroscopia. Mesmo com a previsão de longa recuperação, voltou aos gramados apenas 25 dias depois para disputar a decisão, no Rose Bowl, em Los Angeles.

Durante os 120 minutos, comandou a defesa italiana, que não sofreu gols diante do ataque formado por Romário e Bebeto.

Na disputa por pênaltis, porém, Baresi desperdiçou a primeira cobrança da Itália ao chutar por cima do travessão. Depois, Daniele Massaro e Roberto Baggio também erraram suas cobranças, e o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial.

Apesar da derrota, a atuação de Baresi na decisão permanece entre as mais lembradas da história das Copas do Mundo.

Franco Baresi
Capitão da seleção italiana na final da Copa do Mundo de 1994, contra o Brasil, Baresi voltou aos gramados apenas 25 dias após passar por uma cirurgia no joelho – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

O líbero que marcou época

Baresi se destacou mais pela leitura de jogo. Como líbero, antecipava jogadas, organizava a linha defensiva e iniciava a construção do ataque com qualidade técnica. O estilo de jogo levou o italiano a ser comparado ao alemão Franz Beckenbauer.

A liderança também foi uma das marcas de sua carreira. Reservado fora dos gramados, tornou-se referência para gerações de jogadores. Paolo Maldini, por exemplo, já o apontou como mentor e exemplo dentro do vestiário.

A rejeição da Inter

Antes de se tornar um dos maiores ídolos do Milan, Baresi foi reprovado em um teste na Inter de Milão, clube onde o irmão mais velho, Giuseppe Baresi, acabou aprovado. Segundo o relato da época, Franco foi considerado pequeno e fisicamente frágil.

O Milan decidiu contratá-lo. Anos depois, Franco se transformou em um dos maiores jogadores da história do clube, enquanto Giuseppe virou capitão da Inter. Os dois protagonizaram diversos clássicos no Derby della Madonnina, um dos confrontos mais tradicionais do futebol italiano.

Os irmãos Franco Baresi e Giuseppe Baresi seguiram caminhos opostos no futebol de Milão – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Baresi perdeu a mãe aos 13 anos e o pai aos 17. Criado em uma fazenda, costumava jogar descalço para preservar o único par de sapatos que possuía. Segundo relatos sobre sua infância, quando a bola já estava desgastada, ele e os amigos esfregavam casca de porco no couro para aumentar sua durabilidade.

A trajetória do garoto rejeitado pela Inter terminou com uma carreira que o colocou entre os principais defensores da história do futebol.

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